segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Mensagem final do Sínodo dos Bispos no Vaticano e impressões de Dom Sergio da Rocha



Momentos finais do Sínodo dos Bispos sobre a Nova Evangelização, que se encerra no sábado, 27/10, no Vaticano. O penúltimo dia foi de intenso trabalho para os padres sinodais, na presença do Santo Padre. Pela manhã, os participantes aprovaram a Mensagem do Sínodo dos Bispos para o Povo de Deus, na conclusão da 13ª Assembleia Geral. O texto foi apresentado ao público na Sala de Imprensa da Santa Sé, em coletiva de imprensa.

Participaram da coletiva o Presidente da Comissão para a Mensagem, Card. Giuseppe Betori, o Secretário Especial, Dom Pierre Marie Carré, o Diretor da Sala de Imprensa, Pe. Federico Lombardi, e mais dois membros da Comissão.

No texto, divido em 14 pontos, os padres sinodais afirmam que conduzir os homens e as mulheres do nosso tempo a Jesus é uma urgência que diz respeito a todas as regiões do mundo, de antiga e recente evangelização. Não se trata de recomeçar do zero, mas de inserir-se num longo caminho de proclamação do Evangelho que, desde os primeiros séculos da era cristã até hoje, percorreu a História e edificou comunidades de fiéis em todas as partes do mundo, fruto da dedicação de missionários e de mártires.

Caminho que começa com o encontro pessoal com Jesus Cristo e com a escuta das Escrituras. “Para evangelizar o mundo, a Igreja deve, antes de tudo, colocar-se à escuta da Palavra”, escrevem os Padres sinodais, ou seja, o convite a evangelizar se traduz num apelo à conversão, a começar por nós mesmos.

Os Bispos apontam como lugar natural da primeira evangelização a família, que desempenha um papel fundamental para a transmissão da fé. Diante das crises pelas quais passa essa célula fundamental da sociedade, com inúmeros laços matrimoniais que se desfazem, os Padres Sinodais se dirigem diretamente às famílias de todo o mundo, para dizer que o amor do Senhor não abandona ninguém, que também a Igreja as ama e é casa acolhedora para todos.

Os jovens também são destinatários da Mensagem do Sínodo, definidos “presente e futuro da humanidade e da Igreja”. A nova evangelização encontra nos jovens um campo difícil, mas promissor, como demonstram as Jornadas Mundiais da Juventude.

Os horizontes da nova evangelização são vastos tanto quanto o mundo, afirma o Sínodo, portanto é fundamental o diálogo em vários setores: com a cultura, a educação, as comunicações sociais, a ciência e a economia. Fundamental é o diálogo inter-religioso que contribua para a paz, rejeita o fundamentalismo e denuncia a violência contra os fiéis, grave violação dos Direitos Humanos.

Na última parte, a Mensagem se dirige à Igreja em cada região do mundo: às Igrejas no Oriente, faz votos de que possa praticar a fé em condições de paz e de liberdade religiosa; à Igreja na África pede que desenvolva a evangelização no encontro com as antigas e novas culturas, pedindo aos governos que acabem com conflitos e violências.

Os cristãos na América do Norte, que vivem numa cultura com muitas expressões distantes do Evangelho, devem priorizar a conversão e estarem abertos ao acolhimento de imigrantes e refugiados.

Os Padres Sinodais se dirigem à América Latina com sentimento de gratidão. “Impressiona de modo especial como no decorrer dos séculos tenha se desenvolvido formas de religiosidade popular, de serviço da caridade e de diálogo com as culturas. Agora, diante de muitos desafios do presente, em primeiro lugar a pobreza e a violência, a Igreja na América Latina e no Caribe é exortada a viver num estado permanente de missão, anunciando o Evangelho com esperança e alegria, formando comunidades de verdadeiros discípulos missionários de Jesus Cristo, mostrando no empenho de seus filhos como o Evangelho pode ser fonte de uma nova sociedade justa e fraterna. Também o pluralismo religioso interroga as Igrejas da região e exige um renovado anúncio do Evangelho.”

Já a Igreja na Ásia, mesmo constituindo uma minoria, muitas vezes às margens da sociedade e perseguida, é encorajada e exortada à firmeza da fé. A Europa, marcada por uma secularização agressiva, é chamada a enfrentar dificuldades no presente e, diante delas, os fieis não devem se abater, mas enfrentá-las como um desafio. À Oceania, por fim, se pede que continue pregando o Evangelho.

A Mensagem se conclui fazendo votos de que Maria, Estrela da nova evangelização, ilumine o caminho e faça florescer o deserto.


A seguir.... as impressões de Dom Sergio da Rocha, arcebispo de Brasília e um dos Padres Sinodais.


É difícil resumir a riqueza da experiência vivida e das reflexões propostas na XIII Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos. O tema deste Sínodo, de feliz escolha do Papa Bento XVI, pela sua amplitude e complexidade, já dificulta qualquer tentativa de síntese. Por isso, neste terceiro relato, após o término da Assembleia Sinodal, procuro apenas partilhar alguns aspectos da experiência vivida e dos temas abordados, sem a pretensão de um resumo. Dentre tantos outros aspectos, destaco os seguintes:


1. O início e a conclusão do Sínodo com a Eucaristia presidida pelo Papa e concelebrada pelos Padres Sinodais constituem a moldura principal na qual quer se inserir, não apenas a Assembleia Sinodal, mas toda a nova evangelização. A Eucaristia deverá ser sempre ponto de partida e de chegada para a ação evangelizadora. Em diversos momentos, ao se falar dos sujeitos da nova evangelização, foi enfatizada a ação do Espírito Santo e a necessidade da graça, assim como, a santidade dos evangelizadores, destacada por Bento XVI na abertura e na celebração das canonizações ocorrida, a propósito, durante o Sínodo.   
 
2. A presença assídua do Papa Bento XVI, presidindo a Assembleia Sinodal, foi bastante apreciada por todos, destacando-se a sua sabedoria, simplicidade e paciente atenção aos muitos pronunciamentos.     
 
3. O Sínodo constitui um precioso instrumento de comunhão eclesial e de colegialidade episcopal, através do diálogo e da convivência fraterna, da reflexão conjunta em plenário e em grupos, da partilha de experiências pastorais, das alegrias e dores da Igreja nos cinco continentes. As cinco línguas oficiais do Sínodo se completavam com muitas outras faladas pelos participantes, representando todas as conferências episcopais  e, portanto, trazendo os diferentes contextos sociais e culturais vividos pela Igreja nos cinco continentes.  Na "Mensagem", os Padres Sinodais se dirigiram a cada continente, valorizando a realidade de cada um. A catolicidade da Igreja foi intensamente manifestada! 
 
4. A comunhão eclesial e a corresponsabilidade pastoral se expressaram também através da participação de presbíteros, diáconos, religiosos(as), leigos e leigas, muitos dos quais puderam falar à Assembleia e outros, colaboraram como peritos. A nova evangelização necessita de todos para acontecer. Por isso, nas proposições aprovadas, destaca-se o papel indispensável das diversas vocações e ministérios na Igreja e a necessidade de formação dos evangelizadores.
 
5. O tema da nova evangelização não excluiu as dimensões do diálogo ecumênico e inter-religioso; ao contrário, exigiu a  sua consideração atenta e reafirmou a sua necessidade. A abertura ecumênica foi simbolizada, de modo especial, pela presença contínua dos "delegados fraternos", isto é, dos representantes de outras Igrejas cristãs, que tiveram ocasião de dirigir a palavra durante a Assembleia Sinodal e de participar das celebrações, conforme as disposições da Igreja.  
 
6. A contribuição dos Padres Sinodais da América Latina foi relevante. O Documento de Aparecida foi uma das principais fontes da reflexão oferecida pelos bispos latino-americanos e caribenhos. Temas centrais de Aparecida encontraram acolhida ou confirmação nas proposições e na mensagem do Sínodo: o encontro com Jesus Cristo, a conversão pastoral, a Igreja em estado permanente de missão, a formação, a piedade popular, os pobres, a juventude, o laicato...  A convivência fraterna entre os bispos da América Latina e Caribe foi intensificada pelas celebrações festivas nos Colégios Pio Latino e Mexicano. 
 
7. O Jubileu de abertura do Concílio Vaticano II, os 20 anos do Catecismo da Igreja Católica e o Ano da Fé favoreceram o desenvolvimento do tema geral. A "Mensagem" explicita tal contexto e há proposições dedicadas especialmente ao Concílio e ao Catecismo. Documentos do Vaticano II iluminaram a reflexão de muitos Padres Sinodais, em plenário e nos grupos. Documentos do Magistério pós-conciliar também serviram de fonte, especialmente, pelo seu teor, a Evangelii Nuntiandi, de Paulo VI, a Catechesi Tradendae, de João Paulo II e a recente Verbum Domini. 
 
8. A Palavra de Deus recebeu grande atenção ao longo do Sínodo.  A acolhida recebida pela Verbum Domini, última exortação apostólica pós-sinodal, foi longamente considerada numa das sessões. No início de cada dia, durante a oração da Liturgia das Horas, a Palavra proclamada foi muito bem refletida com a ajuda de alguns Padres Sinodais, sendo no primeiro dia, o próprio Santo Padre quem desenvolveu uma bela reflexão. O texto da Samaritana serviu de inspiração para a Mensagem final. Embora, algumas proposições do Sínodo reflitam mais claramente a dimensão bíblica, a centralidade da Palavra de Deus na nova evangelização exige atenção sempre maior.
 
9. Os temas abordados foram muitos, conforme se pode comprovar pelo grande número de proposições aprovadas e pela longa Mensagem conclusiva. Refletem a relevância, a amplitude e a complexidade do tema geral: "Nova Evangelização para a transmissão da fé cristã". É difícil elencá-los, de modo justo. Dentre eles, podemos citar: a catequese, os sacramentos da iniciação cristã, o sacramento da penitência, a família, os jovens, a liturgia, a santidade, a piedade popular,  a Igreja Particular, a paróquia, as comunidades, o clero, a vida consagrada, os leigos, os movimentos eclesiais, a opção pelos pobres, os migrantes, os enfermos, a política, a educação, o ecumenismo, a inculturação, os cenários urbanos, as ciências, o serviço da caridade, os meios de comunicação, os direitos humanos e a liberdade religiosa. Dentre os novos temas ou temas que receberam nova acentuação estão: o reconhecimento do "ministério" de catequista; a ordem dos sacramentos da iniciação cristã em perspectiva pastoral; a "via da beleza" como caminho de evangelização; o  "átrio ou pátio dos gentios", retomando e especificando a questão dos "novos areópagos" como espaços de evangelização; a "conversão pastoral" segundo o espírito missionário de Aparecida; o papel dos teólogos na nova evangelização.
 
10. Por fim, pode-se destacar aquilo que desde o início esteve no centro dos escritos e debates deste Sínodo: o que é a "nova evangelização"? em que sentido, a evangelização proposta quer ser "nova"? No início da XIII Assembleia Sinodal, o  Instrumentum laboris, em preparação ao Sínodo, já abordava a questão fazendo uma proposta ampla de compreensão. Na bela e sábia homilia da missa de encerramento do Sínodo, à luz da passagem da cura do cego Bartimeu, o Papa retomou o assunto, mostrando o caminho a seguir. É vasta a tarefa proposta, pois a nova evangelização deve ser assumida por todos, em comunhão na Igreja, com novo ardor e "criatividade pastoral", tendo como âmbitos próprios a pastoral ordinariamente voltada para os católicos que participam da Igreja,  a missão além-fronteiras (ad gentes) e as "pessoas batizadas que, porém não vivem as exigências do batismo". 
 
Como terminou o Sínodo? Em clima de louvor a Deus, de gratidão e esperança, e ao mesmo tempo, de renovado empenho pela nova evangelização, conscientes de que temos  um longo caminho a percorrer para cumprir o mandato missionário de Jesus Cristo: Ide, fazei discípulos!  Há muito para se fazer pela nova evangelização! A oração e a reflexão devem continuar. A busca de respostas pastorais necessita continuar na Igreja local. O Sínodo ilumina e anima a ação evangelizadora, mas não dispensa a nossa tarefa de estabelecer os passos a serem dados na realidade em que vivemos.  As   58 "proposições" aprovadas pelo Sínodo começam a ser divulgadas. A  "Mensagem" dos Padres Sinodais tem sido publicada nas várias línguas, trazendo alento e estímulo. Aguardamos a Exortação Apostólica Pós-Sinodal que o Papa irá nos oferecer, recolhendo as contribuições da XIII Assembleia do Sínodo dos Bispos. O presente relato não substitui a leitura da "Mensagem" e das "Proposições" do Sínodo, bem como, a homilia do Santo Padre; antes, quer servir de estímulo para tanto, esperando que estejam logo disponíveis também em língua portuguesa. Nossa Senhora, Estrela da Evangelização, nos acompanhe com a sua intercessão materna e exemplo!
 
Por Dom Sergio da Rocha, Arcebispo de Brasília

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

A Palavra de Deus em nossos dias


RUBIO, Afonso Garcia; AMADO, Joel Portella. (Orgs) Espiritualidade Cristã em tempos de mudança: contribuições teológico-pastorais. In.:___. Abrindo a Bíblia: saborear a palavra de Deus nos dias de hoje. Petrópolis: Vozes, 2009. pp. 33-52.

Vivemos em tempos de mudanças acentuadas em que muitas comunidades cristãs vivem incertezas no pensar, no julgar, no sentir e mais ainda, no agir. Os níveis dessas incertezas quanto aos critérios fundamentais da fé cristã têm sofrido tão fortes abalos que se torna necessário recomeçar desde os primeiros passos a partir de Jesus Cristo, de sua palavra e da sua comunidade de fé.
Esta obra se apresenta como resultado de rica experiência de conversas sobre a vida à luz da fé em Jesus Cristo. Podemos perceber também que não é fruto de divagações meramente intelectuais, mas de muitos encontros de partilha das angústias que brotam da ação evangelizadora, colocando em comum o resultado de pesquisas para conviver e rezar. Escrita a várias mãos, em épocas de grandes mu­danças atuais tanto na civilização, quanto nas culturas e também nas Igrejas são profundas e radicais. Neste contexto histórico, o discernimento oferecido pela reflexão teológi­co-pastoral se faz ainda mais necessário.
O contato com a Palavra de Deus já é um diálogo que flui naturalmente entre Deus e o ser humano, isto é, pela sua própria iniciativa, Deus Comunica-se a Si e nos oferta a sua Salvação através de sua Palavra.
A Palavra é a presença atuante e salvadora de Deus para o seu povo. Pela Boa Notícia de Jesus comunicada a nós no momento da proclamação do Evangelho. Pois é o próprio Cristo que vem a nós e nos comunica a salvação pelos seus mistérios: “o evangelho que vos preguei e que recebestes, e no qual estais firmes. Por ele (Evangelho) sois salvos, se o estais guardando tal qual ele vos foi pregado por mim” (1 Cor 15, 1-2). Para que algo seja conservado, é necessário que seja importante. São Paulo é categórico ao afirmar a necessidade de se conservar a Palavra de Deus, mas não só, mas a sua observância na vida (prática: fé e vida –Lex orandi, Lex credendi), pois foi essa a maneira com a qual São Paulo pregou o Evangelho de Cristo.
Tal maravilhosa presença de Deus entre nós exige uma atitude de profundo recolhimento e escuta atenta ao ouvir a mensagem que o Senhor tem a nos dizer. A Palavra de Deus é transformadora DABAR, isto é, viva, eficaz, atuante, motivadora, que se cumpre e provoca em nosso coração sua ‘ação transformadora’ – “Como a chuva e a neve descem do céu e para lá não voltam, sem terem regado a terra, tornando-a fecunda e fazendo-a germinar, dando semente ao semeador e pão ao que come, tal ocorre com a palavra que sai da minha boca: ela não volta a mim sem efeito; sem ter cumprido o que eu quis realizado o objetivo de sua missão” (Is 55,10-11).
A Palavra de Deus é alimento força, e estímulo para todos aqueles que desejam segui-Lo, pois nos oferece alimento para renovar o ânimo abatido a fim de que possamos retomar a caminhada com coragem e determinação. Ela é a bússola que orienta o nosso barco (vida); sem ela caminhar torna-se mais penoso, haja vista que ela clareia a nossa vida, nos indica de maneira prática o caminho que devemos trilhar para encontrar o nosso, tesouro, a pedra preciosa, isto é, Jesus Cristo.
Tendo em vista, o real “alicerce cultural” da contemporaneidade, é in­dispensável o discernimento para o cristão saber se movimentar, com agilidade evangélica. É verdade, que nele, o indivíduo é fortemente valorizado. A subjetivi­dade é desenvolvida, acima de tudo. É nesta perspectiva que irrompe a va­lorização do sujeito, do indivíduo, da inter-relação e da intersubjetividade. Uma perspectiva em que a prioridade concedida ao su­jeito, ao indivíduo é aberta à responsabilidade social e ecológica.


Um mundo em que parece prevalecer uma cultura de morte. Os desafios para a evangelização e para a vi­vência da espiritualidade cristã são realmente gigantescos. Em meio a tão grandes desafios, o conteúdo básico da espiritualidade cristã para os dias atuais, é apresentado a fim de sustentar a caminhada.
Trata-se, em definitivo, de acolher a Palavra viva de Deus, com um coração aberto; de acolher, agradecidos, o amor in­condicional de Deus; de acolher o grande Dom que é o Espírito Santo... Acolher, receber, deixar-se tocar pela ternura deste Deus desconcertante e imprevisível, dado que é Amor.

Seja a Palavra de Deus, nossa guia e luz para trilharmos nosso caminho nesta terra com segurança e sabedoria.

Grande abraço a tod@s!
Ir. Thiago Cristino, 
Religioso pavoniano

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

O Superior geral


Caríssimos irmãos e leigos da Família pavoniana,

na proximidade do Ano da fé e nos passos iniciais do Ano mariano na Congregação, enquanto partilhamos as preocupações e as esperanças de toda humanidade, ressoa no nosso espírito a primeira palavra que o anjo Gabriel dirigiu a Maria no momento da anunciação: Alegra-te.


Alegra-te (Lc 1,28)


É esta saudação que Deus, por meio do seu mensageiro, dirige  a Maria. O que está para acontecer, o que está para suceder com ela, é motivo de grande alegria: para ela e para toda a casa de Jacó (1,33). Deus quer a alegria do ser humano, a alegria da humanidade. A sua ação traz sempre alegria. A alegria verdadeira para as pessoas está em Deus, vem de Deus, vem de estar disponível a sua vontade, de ser fiel a ele. Esta é a experiência de Maria.
O ser humano almeja a alegria, deseja a alegria.  Muitas vezes, porém, a vida reserva-lhe provas e sofrimentos, que são o oposto das suas aspirações mais profundas. São provas e sofrimentos que têm causas diversas: podem provir de doenças psicossomáticas ou morais, de seus atos maus e dos consequentes remorsos, de desgraças e lutos, de insucessos, de fadigas e privações, de inimizades, contrastes e incompreensões com os outros, de falta de trabalho e de perspectivas de futuro, de situações  de miséria e de empobrecimento. A lista poderia continuar.
O ser humano busca por todos os modos sair destas condições, com suas forças e com  a ajuda de alguém em quem possa confiar. E quando se recupera ou quando o horizonte não está obscurecido por estas provas, a sua tendência natural é a de buscar a alegria nas coisas deste mundo, na satisfação que pode lhe dar o gozar de tantos bens. Mas o prazer e a diversão não lhe são suficientes, não coincidem com a alegria.
O ser humano aspira por uma alegria verdadeira e profunda, que não lhe falte, que dure sempre. Foi Deus quem colocou no nosso coração este desejo, esta aspiração. E somente Deus pode saciar plenamente, neste mundo e na eternidade, o desejo de alegria presente em nós.


Mudarei o seu luto em alegria (Jr 31,13)


A história da salvação (como a palavra de Deus nos atesta), a história da Igreja e da humanidade, e a nossa própria experiência pessoal nos confirmam esta verdade. As provações e os sofrimentos da vida nos são permitidos por Deus para nos curar do egoísmo e do mal, para purificar as nossas aspirações, para que nos tornemos capazes do amor verdadeiro, para nos abrimos para um estilo de vida digno do ser humano e do nosso ser filhos de Deus. O próprio Jesus passou pelo sofrimento e pela morte na cruz, para viver e manifestar de modo grandioso o seu amor ao Pai e à humanidade; a ressurreição e a glorificação foram o resultado deste aniquilamento.
O Antigo e o Novo Testamento tratam muitas vezes do tema da alegria, nas suas expressões e nas suas fontes. Feliz é o homem que encontra alegria nos preceitos do Senhor (Sl 112/111, 1). Há maior alegria em dar do que em receber (At 20,35). E as citações podem ser muitas.
De interesse particular são os textos nos quais Deus manifesta a sua ação, capaz de transformar uma situação de sofrimento em uma condição de alegria. Como na passagem do profeta Jeremias: Mudarei seu luto em alegria, eu os consolarei e os farei felizes sem aflições (31,13). Na perspectiva da condição do seu mistério pascal, Jesus anuncia aos apóstolos: A vossa tristeza se transformará em alegria (Jo 16,21). Na reflexão cristã encontramos uma bela e profunda expressão no romance de Alessandro Manzoni, Os noivos, quando se afirma que Deus jamais atrapalha a alegria de seus filhos a não ser para lhes preparar uma alegria maior e mais segura (cap.VIII).
As bem-aventuranças evangélicas (Mt 5,1-12) representam a culminância do ensinamento bíblico sobre a alegria. Manifestam a própria experiência de Jesus e proclamam a alegria daqueles que, a seu exemplo, vivem os valores da pobreza de espírito, do choro, da mansidão, da misericórdia, da pureza de coração, trabalham pela justiça e pela paz e são perseguidos por causa da justiça e da fé nele.


Feliz aquela que acreditou (Lc 1,45)


E justamente na fé está a raiz da alegria de Maria, como proclama Izabel: Feliz aquela que acreditou na realização do que o Senhor falou. A alegria de Maria vem do Senhor e é reforçada por sua fé nele. Em Maria, há ligação íntima entre vida de fé e alegria. Maria é feliz porque acreditou.
Para nós, Família pavoniana, viver o Ano da fé e mariano significa intensificar a nossa fé em Deus, a exemplo e com o auxílio de Maria. E, ao mesmo tempo, experimentar sempre mais que é justamente na fé em Deus que está o fundamento da nossa alegria.
A nossa vida não está privada de tribulações e de dificuldades. A fidelidade a Deus e a nossa vocação, bem como o empenho cotidiano nos deveres que assumimos e que nos são confiados, exigem de nós dedicação, amor e espírito de sacrifício. A fé em Deus nos faz perceber e experimentar que não existe nenhuma situação em que somos abandonados por Deus. A nossa vida está nas suas mãos amorosas. Confiar, então, nele em cada momento de dificuldade e obedecer em tudo a sua palavra e a sua vontade torna-se para nós fonte de alegria autêntica. Como Jesus assegurou aos apóstolos: Se observardes os meus mandamentos permanecereis no meu amor… Vos disse estas coisas para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja plena  (Jo 15,10-11).
Daqui decorre para nós a exigência de testemunhar a alegria da nossa fé, de testemunhar com coerência e alegria a nossa vocação. Daqui nasce e se torna natural para nós, ao educar nossos adolescentes e nossos jovens (bem como todas as pessoas que nos são confiadas), fazer descobrir, por meio  do nosso exemplo e de nossas palavras, onde está a fonte da verdadeira alegria; descoberta que, depois, torna também  gratificantes as alegrias que se experimentam no sadio gozo dos bens do mundo. Este itinerário faz parte integrante de todo projeto educativo cristão e está contido claramente no nosso projeto educativo pavoniano.
Maria nos ajude neste caminho e neste compromisso. E cada vez que durante o dia nos dirigimos a ela com a oração da Ave-Maria, recordemo-nos de que fazemos nossas as palavras do anjo Gabriel e repetimos a ela a sua saudação: Alegra-te. Alegra-te, Maria, e faz com que também nós sintamos sempre alegria no Senhor e sejamos testemunhas, portadores e educadores desta alegria.


Tenham fé, amem Jesus e a nossa cara mãe Maria


Estas palavras, na boca do nosso Padre Fundador como último testamento aos seus filhos, enquanto em Saiano estava para subir a Deus, podem ser para nós o fio condutor deste Ano da fé e  mariano; e serão o  tema do III Encontro interprovincial da Família pavoniana, a realizar-se em 6 e 7 de julho de 2013, em Bréscia. Considero que representam bem, para nós, a síntese do que quer significar em particular este ano.
O início oficial do Ano da fé, como sabemos, será no dia 11 de outubro, no 50° aniversário da abertura do  Concílio Vaticano II. Nestes dias estará sendo realizado o Sínodo dos Bispos sobre A nova evangelização para a transmissão da fé cristã. Domingo, dia 21, o papa declarará santos 7 beatos, entre os quais João Piamarta que, em Bréscia, recebeu o testemunho do carisma de padre Pavoni. Partilhemos a alegria da Congregação religiosa fundada por ele, a Sagrada Família de Nazaré, tão próxima de nós pela origem, pela inspiração e pela missão educativa.
  

A agenda do mês de outubro prevê os seguintes acontecimentos:

3: assembleia dos religiosos das comunidades da Espanha, em Valladolid.
7: primeira profissão religiosa do noviço Pierre Yamb, em Saiano.
8-9: encontro dos superiores e vice-superiores das comunidades da Itália, em Lonigo.
12-15: retiro dos jovens religiosos, no Brasil.[1]
13: 1° Encontro dos benfeitores do APAS, na Via Crespi, em Milão.
       Reunião das equipes vocacionais das comunidades da Itália, em Bréscia.
20: convocação do Conselho das Federações dos ex-alunos pavonianos, em Monza.
No dia 12, viajarei para o Brasil, onde estarei até 8 de novembro, para a visita às comunidades da Província. [Em setembro pude visitar as comunidades da Eritrea].
Maria, causa da nossa alegria, acompanhe os nossos passos no seguimento fiel e alegre do Senhor Jesus.
E a todos cheguem as minhas saudações fraternas.
pe. Lorenzo Agosti
Tradate, 1° de outubro de 2012, memória de S. Teresa do Menino Jesus.


[1] O Retiro foi transferido para os dias 09-11 de novembro

Oração Vocacional Pavoniana

Oração Vocacional Pavoniana
Divino Mestre Jesus, ao anunciar o Reino do Pai escolheste discípulos e missionários dispostos a seguir-te em tudo; quiseste que ficassem contigo numa prolongada vivência do “espírito de família” a fim de prepará-los para serem tuas testemunhas e enviá-los a proclamar o Evangelho. Continua a falar ao coração de muitos e concede a quantos aceitaram teu chamado que, animados pelo teu Espírito, respondam com alegria e ofereçam sem reservas a própria vida em favor das crianças, dos surdos e dos jovens mais necessitados, a exemplo do beato Pe. Pavoni. Isto te pedimos confiantes pela intercessão de Maria Imaculada, Mãe e Rainha da nossa Congregação. Amém!

SERVIÇO DE ANIMAÇÃO VOCACIONAL - FMI - "Vem e Segue-Me" é Jesus que chama!

  • Aspirantado "Nossa Senhora do Bom Conselho": Rua Pe. Pavoni, 294 - Bairro Rosário . CEP 38701-002 Patos de Minas / MG . Tel.: (34) 3822.3890. Orientador dos Aspirantes – Pe. Célio Alex, FMI - Colaborador: Ir. Quelion Rosa, FMI.
  • Aspirantado "Pe. Antônio Federici": Q 21, Casas 71/73 . Setor Leste. CEP 72460-210 - Gama / DF . Telefax: (61) 3385.6786. Orientador dos Aspirantes - Ir. José Roberto, FMI.
  • Comunidade Religiosa "Nossa Senhora do Bom Conselho": SGAN Av. W5 909, Módulo "B" - Asa Norte. CEP 70790-090 - Brasília/DF. Tel.: (61) 3349.9944. Pastoral Vocacional: Ir. Thiago Cristino, FMI.
  • Comunidade Religiosa da Basílica de Santo Antônio: Av. Santo Antônio, 2.030 - Bairro Santo Antônio. CEP 29025-000 - Vitória/ES. Tel.: (27) 3223.3083 (Comunidade Religiosa Pavoniana) / (27) 3223.2160 / 3322.0703 (Basílica de Santo Antônio) . Reitor da Basílica: Pe. Roberto Camillato, FMI.
  • Comunidade Religiosa da Paróquia São Sebastião: Área Especial 02, praça 02 - Setor Leste. CEP 72460-000 - Gama/DF. Tel.: (61) 34841500 . Fax: (61) 3037.6678. Pároco: Pe. Natal Battezzi, FMI. Pastoral Vocacional: Pe. José Santos Xavier, FMI.
  • Juniorado "Ir. Miguel Pagani": Rua Dias Toledo, 99 - Bairro Vila Paris. CEP 30380-670 - Belo Horizonte / MG. Tel.: (31) 3296.2648. Orientador dos Junioristas - Pe. Claudinei Ramos Pereira, FMI. ***EPAV - Equipe Provincial de Animação Vocacional - Contatos: Ir. Antônio Carlos, Pe. Célio Alex e Pe. Claudinei Pereira, p/ e-mail: vocacional@pavonianos.org.br
  • Noviciado "Maria Imaculada": Rua Bento Gonçalves, 1375 - Bairro Centro. CEP 93001-970 - São Leopoldo / RS . Caixa Postal: 172. Tel.: (51) 3037.1087. Mestre de Noviços - Pe. Renzo Flório, FMI. Pastoral Vocacional: Ir. Johnson Farias e Ir. Bruno, FMI.
  • Seminário "Bom Pastor" (Aspirantado e Postulantado): Rua Monsenhor José Paulino, 371 - Bairro Centro. CEP 37550-000 - Pouso Alegre / MG . Caixa Postal: 217. Tel: (35) 3425.1196 . Orientador do Seminário - Ir. César Thiago do Carmo Alves, FMI.

Associação das Obras Pavonianas de Assistência: servindo as crianças, os surdos e os jovens!

  • Centro Comunitário "Ludovico Pavoni": Rua Barão de Castro Lima, 478 - Bairro: Real Parque - Morumbi. CEP 05685-040. Tel.: (11) 3758.4112 / 3758.9060.
  • Centro de Apoio e Integração dos Surdos (CAIS) - Rua Pe. Pavoni, 294 - Bairro Rosário . CEP 38701-002 Patos de Minas / MG . Tel.: (34) 3822.3890. Coordenador: Luís Vicente Caixeta
  • Centro de Formação Profissional: Av. Santo Antônio, 1746. CEP 29025-000 - Vitória/ES. Tel.: (27) 3233.9170. Telefax: (27) 3322.5174. Coordenadora: Sra. Rosilene, Leiga Associada da Família Pavoniana
  • Centro Educacional da Audição e Linguagem Ludovico Pavoni (CEAL-LP) SGAN Av. W5 909, Módulo "B" - Asa Norte. CEP 70790-090 - Brasília/DF. Tel.: (61) 3349.9944 . Diretor: Pe. José Rinaldi, FMI
  • Centro Medianeira: Rua Florêncio Câmara, 409 - Centro. CEP 93010-220 - São Leopoldo/RS. Caixa Postal: 172. Tel.: (51) 3037.2797 / 3589.6874. Diretor: Pe. Renzo Flório, FMI
  • Colégio São José: Praça Dom Otávio, 270 - Centro. CEP 37550-000 - Pouso Alegre/MG - Caixa Postal: 149. Tel.: (35) 3423.5588 / 3423.8603 / 34238562. Fax: (35) 3422.1054. Cursinho Positivo: (35) 3423. 5229. Diretor: Prof. Giovani, Leigo Associado da Família Pavoniana
  • Escola Gráfica Profissional "Delfim Moreira" Rua Monsenhor José Paulino, 371 - Bairro Centro. CEP 37550-000 - Pouso Alegre / MG . Caixa Postal: 217. Tel: (35) 3425.1196 . Diretor: Pe. Nelson Ned de Paula e Silva, FMI.
  • Obra Social "Ludovico Pavoni" - Quadra 21, Lotes 71/72 - Gama Leste/DF. CEP 72460-210. Tel.: (61) 3385.6786. Coordenador: Sra. Sueli
  • Obra Social "Ludovico Pavoni": Rua Monsenhor Umbelino, 424 - Centro. CEP 37110-000 - Elói Mendes/MG. Telefax: (35) 3264.1256 . Coordenadora: Sra. Andréia Mendes, Leiga Associada da Família Pavoniana.
  • Obra Social “Padre Agnaldo” e Pólo Educativo “Pe. Pavoni”: Rua Dias Toledo, 99 - Vila Paris. CEP 30380-670 – Belo Horizonte/MG. Tels.: (31) 3344.1800 - 3297.4962 - 0800.7270487 - Fax: (31) 3344.2373. Diretor: Pe. André Callegari, FMI.

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Sou fundador da Congregação Religiosa dos Filhos de Maria Imaculada, conhecida popularmente como RELIGIOSOS PAVONIANOS. Nasci na Itália no dia 11 de setembro de 1784 numa cidade chamada Bréscia. Senti o chamado de Deus para ir ao encontro das crianças e jovens que, por ocasião da guerra, ficaram órfãos, espalhados pelas ruas com fome, frio e sem ter o que fazer... e o pior, sem nenhuma perspectiva de futuro. Então decidi ajudá-los. Chamei-os para o meu Oratório (um lugar onde nos reuníamos para rezar e brincar) e depois ensinei-os a arte da marcenaria, serralheria, tipografia (fabricar livros), escultura, pintura... e muitas outras coisas. Graças a Deus tudo se encaminhou bem, pois Ele caminhava comigo, conforme prometera. Depois chamei colaboradores para dar continuidade àquilo que havia iniciado. Bem, como você pode perceber a minha história é bem longa... Se você também quer me ajudar entre em contato. Os meus amigos PAVONIANOS estarão de portas abertas para recebê-lo em nossa FAMÍLIA.