sexta-feira, 30 de novembro de 2012

O Superior geral


Carísimos imãos e leigos da Família pavoniana,

iniciamos hoje a novena da Imaculada, que nos prepara para celebrar com fruto a festa patronal da nossa Congregação. São dias intensos, dias de reflexão, de oração, de alegre espera para nos predispormos a renovar a nossa consagração religiosa ou o nosso compromisso em partilhar o  carisma pavoniano. O nosso coração é atravessado por sentimentos de gratidão e, ao mesmo tempo, de desejo de corresponder sempre melhor à vocação que acolhemos, olhando para Maria e contando com a sua intercessão.
Na oração da Ave-Maria nós a invocamos com as mesmas palavras do anjo: cheia de garça. É a identidade da Imaculada, sobre a qual, oportunamente, nos detemos nestes dias.


Cheia de graça (Lc 1,28)


O anjo Gabriel, antes de chamar Maria pelo nome, chama-a cheia de graça: “Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo”. Cheia de graça é o novo nome de Maria, é a sua própria identidade, é o fundamento da sua missão. Em vista da sua divina maternidade, Maria não somente foi concebida sem mancha de pecado, mas foi plenificada pela graça de Deus. Maria é toda santa. A sua santidade é fruto do dom de Deus e de uma contínua correspondência de sua parte ao amor de Deus. Também ela, criatura humana como nós, enfrentou as dificuldades da vida, cresceu na fé,  lutou contra as forças do mal.
A imagem da Imaculada representa-a com o pé que esmaga a cabeça da serpente, símbolo do demônio. Também é assim a estátua da Imaculada, venerada pelo Padre Fundador. É uma referência à passagem do Gênesis, onde Deus declara que porá inimizade (isto é, incompatibilidade e luta) entre a estirpe da serpente e a mulher com a sua descendência: “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a descendência dela: esta te esmagará a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gn 3,15). Maria Imaculata, cheia de graça, colabora com o Filho no combate contra o espírito do mal.
Maria Imaculada é o sinal da vitória de Deus contra o mal. É o sinal que a graça de Deus é mais forte do que o pecado. É o sinal que a redenção realizada pelo seu Filho,  tem a força de apagar o pecado e pode tornar o homem capaz de vencer o mal e de caminhar em santidade de vida.


Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim (Gl 2,20)


A graça que Maria recebeu desde o primeiro instante da sua existência, nós a recebemos no batismo. Desde aquele momento,  a Trindade tomou posse da nossa vida, uma posse que é para nós expressão de amor e fonte de liberdade. Desde então, a nossa vida deveria ser um caminho de contínua conversão, isto é, de luta interior contra as forças do mal, para manter e deixar crescer em nós a presença de Deus. Trata-se de um caminho que pode levar o cristão a repetir com são Paulo: “Já não sou eu que vivo, mas Cristo que vive em mim”.
A consciência da graça de Deus em nós, a consciência da presença de Deus em nós, representa um tesouro extraordinário para a nossa vida. Um tesouro escondido, a ser descoberto e para se deixar descobrir ou redescobrir. Tem-se a percepção de que este centro da nossa experiência  de fé esteja um pouco ou até mesmo muito obscurecido. Tem-se a impressão de que a dinâmica da fé tenha assumido um caráter de funcionalidade, tornando-se como que algo separado da interioridade da vida. Corre-se o risco de viver uma relação com Deus, alimentada, sim, pela escuta da sua palavra e também pela recepção dos sacramentos, mas como se Deus estivesse fora de nossa pessoa; não longe, mas fora.
A graça de Deus em nós, pelo contrário, nos diz que Deus está em nós, vive em nós. Deus está mais íntimo a nós, que nós mesmos (S. Agostinho). E, então, a nossa vida de fé não pode  deixar de ter no seu centro esta consciência e o consequente compromisso cotidiano de conservar em nós a graça, a amizade de Deus, lutando contra o pecado. Assim se vive o mandamento do amor; assim, com o auxílio de Deus, se põe em prática a sua palavra.
É importante que esta consciência apareça em nós de modo explícito e que seja percebida pelos adolescentes e jovens na nossa responsabilidade de educá-los na fé.  Estejamos cheios de graça: esta é a realidade mais profunda da nossa vida de fé, realidade para ser conservada e para fazer crescer em nós, sentindo-nos cheios de gratidão para com Deus, como Maria fez e nos ensina a fazer.


“Nele que nos escolheu... para sermos santos e imaculados no amor (Ef 1,4)


São Paulo nos revela que em Cristo “mediante o seu sangue, temos a redenção, o perdão das culpas,  segundo a riqueza da sua graça” (Ef 1,7). E assim, sempre em Cristo, o Pai nos escolheu… para sermos santos e imaculados no amor. Esta é a dinâmica da nossa vida de fé (da graça do perdão ao chamado à santidade), é o processo da nossa vocação.
Há um projeto de Deus sobre a nossa vida: um projeto que nós acolhemos e que consiste em responder à vocação recebida do Senhor e em viver em conformidade com ela.
Junto com a consciência da presença de Deus em nós, é também urgente e necessário, da nossa parte,  aprofundar e mostrar aos jovens que a vida é vocação: realizamos em plenitude a nossa vida, valorizamos ao máximo os nossos talentos, à medida que respondemos ao chamado de Deus, a ser descoberto à luz da fé e por meio das circunstâncias da vida.
Com estas convicções, nós religiosos nos dispomos a renovar, no dia 8 de dezembro, a nossa consagração a Deus por meio dos votos de castidade, pobreza e obediência; e vocês, leigos, se preparam para manifestar de novo o compromisso de se sentirem parte daquela espiritualidade e daquela missão, que têm no beato Ludovico Pavoni a sua origem e a sua referência.
Que a solenidade da Imaculada (este ano no 165° de fundação da Congregação) seja realmente a festa de toda a Família pavoniana, a festa de todos aqueles (adolescentes, jovens, colaboradores, voluntários, ex-alunos, fiéis, amigos…) que estão em contato com as nossas comunidades e que sentem a alegria de venerar junto conosco, religiosos e leigos, Maria Imaculada e o beato Ludovico Pavoni.


Daqui à Imaculada e rumo ao Natal do Senhor


Os próximos dias são ricos de eventos significativos para a nossa Congregação.
Sábado, 1.º de dezembro, será apresentado na Obra Pavoniana (Brescia) o livro de G. Grasselli: Nas pegadas de Ludovico Pavoni – No centenário da volta dos pavonianos a Bréscia. E domingo, dia 2, agradeceremos a Deus  por este centenário, com uma concelebração na igreja da Imaculada, presidida pelo bispo emérito, d. Bruno Foresti. Na mesma circunstância, terá lugar a despedida de pe. Raffaele Peroni que, no dia 4, partirá para as Filipinas junto comigo. No dia 8 de dezembro, de fato, lá será erigida juridicamente, na Diocese de Antipolo, a paróquia dedicada ao beato Ludovico Pavoni.
No dia 4 de dezembro, junto ao Tribunal Eclesiástico de S. Paulo, no Brasil, haverá a abertura oficial do Inquérito sobre a cura acontecida em 2009 por intercessão do beato Padre Fundador. Estará presente também o nosso Postulador, pe. Pietro Riva.
No dia 8 de dezembro, ir. Andom Abrehe Sium emitirá, em Asmara, a profissão perpétua; enquanto que, em Bogotá, o noviço colombiano, Andrés Mauricio Carreño Pinzon fará a primeira profissão. No mesmo dia, em Samambaia, será ordenado sacerdote o diácono Thiago Cristino, pelo Arcebispo de Brasília, Dom Sérgio da Rocha. Sempre na festa da Imaculada, no Brasil, emitirão a promessa de agregadas, na primiera missa presidida por pe. Thiago, duas leigas da Família pavoniana: Luiza Alves Mendes e Lídia Gava Wilhelm.  
No dia 16 de dezembro, entrarão no noviciado, em S. Leopoldo, três jovens brasileiros: Joel Eliakim Ferreira, Marcos Batista de Morais e Michael Rosa da Silva.
No final do ano, serão propostas duas experiências: para os jovens espanhóis, a participação, em Roma, no encontro europeu de Taizé; e para os jovens italianos, um retiro espiritual na nova casa de Animação vocacional, a Cappuccina de Lonigo.

“Tenham fé, amem a Jesus e a nossa cara mãe Maria”são palavras do Padre Fundador que nos acompanham neste Ano da fé e Ano mariano.
Padre Pavoni e Maria Imaculada nos ajudem a realizar o que nos pede o apóstolo Pedro: Irmãos, procurai consolidar a vossa vocação e eleição, pois agindo deste modo, jamais tropeçareis (2 Pd 1,10). Uno-me a este convite: sejam os votos para viver autenticamente a festa da Imaculada e para nos prepararmos dignamente para o Natal do Senhor.
Rezemos uns pelos outros. “Graça e paz sejam concedidas em abundância a todos nós”  (2 Pd 1,2).
Boa festa da Imaculada e Bom Natal do Senhor!

pe. Lorenzo Agosti

Tradate, 29 de novembro de 2012, início da novena da Imaculada.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012


Os hindus celebram, no dia 13 de novembro, a Festa de Deepavali, que é uma celebração religiosa conhecida também como o festival das luzes. Durante o Deepavali as pessoas estreiam roupas novas, dividem doces e lançam fogos de artifício. Este festival celebra, entre outras histórias, a destruição de Narakasura por Sri Krishna, o que converte o Deepavali num evento religioso que simboliza a destruição das forças do mal.
Como de costume, todos os anos as Comissões Episcopais Pastorais para o Diálogo Inter-religioso das Conferências Episcopais de todo o mundo divulgam uma mensagem, escrita pelo presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso, parabenizando os hindus pela festividade.
Leia abaixo a íntegra da mensagem para a Festa de Deepavali 2012:
Mensagem do Conselho Pontifício para o diálogo inter-religioso para a Festa de Deepavali 2012
Mensagem para a Festa de Deepavali – 2012
Caros amigos Hindus,
O Pontifício Conselho para o diálogo inter-religioso envia as maiores saudações por ocasião das celebrações anuais da festa hindu: “Deepavali”. Que a amizade e a fraternidade estejam cada vez mais presentes nas vossas famílias e nas vossas comunidades.
Neste momento da história da Humanidade, quando tantas forças negativas tentam destruir as legitimas aspirações, em várias regiões do mundo, para a coexistência da paz, gostaríamos de usar esta querida tradição para partilhar convosco uma reflexão sobre a responsabilidade que os Hindus, Cristãos e outros têm em fazer todo o possível para formar todas as pessoas, especialmente as jovens gerações, como artífices da paz.
A paz é mais do que a ausência da guerra, mais ainda do que um tratado que assegure uma vida tranquila; mas sim, será completa e intacta, quando for a implantação da harmonia (cf. BENTO XVI, Ecclesia in Medio Oriente, 9) e fruto da caridade. Pais, professores, anciãos, religiosos e líderes políticos, artífices da paz, aqueles que trabalham no mundo das comunicações e todos os que se empenham de coração sincero na defesa da paz são chamados a educar as novas gerações, como são também chamados a fazer crescer, do mesmo modo, a integridade.
Formar e educar os homens e as mulheres mais jovens em pessoas de paz e construtores da paz é uma prioridade coletiva e um compromisso de toda a ação comum. Para que a paz seja autêntica e durável, deverá ser alicerçada nos pilares da verdade, da justiça , do amor e da liberdade. (cf. João XXIII, Pacem in terris, 35), e todos os homens e mulheres jovens precisam de aprender, acima de tudo, a agir honestamente e justamente no amor e na liberdade. Para além disso, em toda a educação para a paz, as diferenças culturais devem ser tratadas como uma riqueza mais do que uma ameaça ou perigo.
A família é a primeira escola de paz e os pais são os primeiros educadores para a paz. Pelo seu exemplo e ensinamento, eles têm o privilégio único de educar os filhos aos valores que são essenciais para uma vivência de paz: a verdade mútua, o respeito, a compreensão, o ouvir, o partilhar, o cuidar e o perdoar. Nas escolas, colégios e universidades, onde os jovens vão crescendo, na relatividade, estudando e trabalhando com outras formas diferentes de religião e de cultura, na sua formação, os seus professores e seus colaboradores têm a nobre tarefa de assegurar uma educação que respeite e celebre a dignidade inata de todos os seres humanos e promover a amizade, a justiça, a paz e a cooperação para o desenvolvimento integral da pessoa. Tendo como alicerces da educação, os valores espirituais e morais, tornar-se-ão para eles um imperativo ético como também uma precaução para os estudantes contra ideologias que originam a discórdia e a divisão.
Enquanto os estados e os líderes individuais nos campos sociais, políticos e culturais, em geral, têm funções e responsabilidades importantes a desempenhar no reforço da educação dos jovens, os líderes religiosos em particular, em razão da sua vocação para serem líderes espirituais e morais, devem continuar a inspirar as gerações mais jovens a trilhar o caminho da paz e a tornarem-se mensageiros da paz. Como todos os meios de comunicação determinam em muito a forma como as pessoas pensam, sentem e agem, as pessoas envolvidas nesta área devem, na medida do possível, contribuir para a promoção de pensamentos e palavras de paz. Na verdade, os próprios jovens devem viver à altura dos ideais que estabeleceram para outros, usando a sua liberdade com responsabilidade e na promoção de relações cordiais para uma cultura de paz.
Evidentemente, a totalidade que transmite paz irá moldar um mundo mais fraterno e um “novo tipo de fraternidade” entre as pessoas, no qual “um sentido partilhado da grandeza de cada pessoa” irá prevalecer (cf. Bento XVI, Jornada Apostólica no Líbano, Encontro com o Governo, Instituições da República, Corpo Diplomático, Líderes Religiosos e Representantes do Mundo da Cultura, 15 de Setembro de 2012).
Que todos nós procuremos, sempre e em todo o lugar, aderir aos imperativos morais e religiosos que inspiram os jovens que se esforçam por se tornarem artífices da paz.
Desejamos a todos um abençoado Deepavali!
Pontifício Conselho para a o Diálogo Inter-religioso
Fonte e foto: íntegra  da CNBB

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Opinião
Não poderia deixar de manifestar minha sugestão de Filme-documentário (que está disponível no youtube) e de leitura da Carta Encíclica do Bem- amado João Paulo II "Ut unum sint" de 25/05/95).
O Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos apresenta uma produção audiovisual do Centro Televisivo Vaticano (CTV) em comemoração aos 40 anos de iniciativas concretas sobre o Ecumenismo – Jubileu do ano 2000 –, relatando os processos históricos mais significativos que tomaram forma durante os cinco Pontificados até os nossos dias, para se atingir esse fim.
Os líderes máximos das grandes Igrejas abrem a porta do ecumenismo, juntamente com o nosso querido Papa João Paulo II. Tal iniciativa ecumênica teve ponto de partida no Pontificado do querido “Papa Bom”, quando conclamou o Concílio Ecumênico do Vaticano II (11/11/1962): é o primeiro encontro depois de séculos de cismas. Daí para frente a Igreja sempre caminhou com olhos fixos num caminho progressivo rumo ao diálogo entre tantos irmãos e irmãs em Cristo.
Sem dúvida alguma, um dos maiores propósitos era o de dar uma visibilidade maior sobre os vários pensamentos de todos os membros dessas Igrejas, a fim de traçar pontos que lhes fossem comuns, haja vista que estavam unidos pela oração comum e sustentados pela força do encontro que fosse capaz de superar as hostilidades e divisões e incompreensões entre os cristãos.
Um dos Documentos do Vaticano II que mais expressam essa vontade de proximidade e comunhão de discípulos missionário do mesmo Jesus é a Unitatis Redintegratio que exorta: a não desprezar os irmãos separados, mas acolhê-los; a reestabelecer a unidade entre todos os Cristãos; a reconhecer oficialmente o valor e a eficácia do diálogo ecumênico e interreligioso, quando enfatiza a comunhão com os não-cristãos, como força curativa da reconciliação; a deixar de lado as suspeitas e unirem-se na fé.
Ao longo destes 40 anos nossos Papas tomaram a iniciativa primeira de saírem do seu redil e ir ao encontro dos outros líderes (Ortodoxos, Luteranos, Anglicanos, Metodistas, Evangélicos, ...), assumindo tal missão como sendo parte integrante do seu Ministério Petrino, i. é, de ser sinal visível de unidade entre todos os Cristãos das diversas confissões.
Das várias iniciativas concretas e históricas, queremos ressaltar algumas que tomaram uma grande proporção na vida e na promoção da integração dos cristãos em todo o mundo:
·      Inúmeras vistas aos líderes religiosos das Igrejas Cristãs;
·      Extraordinário encontro dos líderes máximos e representantes de todas as grandes religiões em Assis para se rezar uma grande oração pela paz mundial, cujos compromissos estão fundamentados na justiça, na vida e no amor;
·      Criação e participação no Conselho Mundial das Igrejas em Genébra;
·      Conservação de lugares sagrados, na Terra Santa, que são comuns a todos os Cristãos, como é o caso do Santo Sepulcro (Anástasis), local onde Jesus foi sepultado e Ressuscitou depois de sua Paixão e Morte.
·      Um gesto específico, simples, porém, majestoso em seu contexto, foi a entrega do Ícone de Nossa Senhora de Kasan à Igreja Ortodoxa, para veneração de todo o povo russo.
Esses e tantos outros passos foram os sinais do Espírito do Ressuscitado que vivifica sua Igreja e a faz a sempre nova e que inspira, fortalece e orienta o coração de todos os Cristãos para o arrependimento pelas inúmeras consequências dos pecados causadas pela divisão.
                 "Ut unum sint" é um grito de dor pelas controvérsias e discórdias, mas também um clamor para que todos os Cristãos se disponham a procuram sempre mais aquilo que nos une e menos aquilo que nos divide. Afinal, Cristo nos envia juntos, para caminharmos juntos e juntos trabalharmos na construção do seu Reino através do diálogo, da reconciliação e da paz.

Em Cristo Jesus,
Ir. Thiago Cristino , FMI

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Pe. Estêvão Fogliata, FMI: Centelha de Deus!


Por Pe. Lorenzo Agosti, FMI 
Superior geral dos Pavonianos

...Aprendam de mim, porque sou manso e humilde de coração (Mt 11,29).

Podemos dizer que esta expressão de Jesus se tornou o projeto de vida do pe. Estevão Fogliata, falecido no Gama aos 04 de novembro de 2012, com 91 anos de idade.

Estevão (Stefano) nasceu aos 21 de agosto de 1921 na cidade de Chiari, pertencente à província de Bréscia, na Itália. Era o último de sete irmãos, entre os quais um religioso Franciscano, falecido no ano de 1996. Seu pai era sacristão da igreja matriz. Durante a segunda guerra mundial Estevão alistado como radiotelegrafista serviu na Itália e na Grécia e, depois do armistício de 08 de setembro do ano de 1943 da Itália com as Forças Aliadas, foi preso pelos alemães e em seguida enviado em um campo de concentração na Alemanha, onde passou a trabalhar em uma fábrica de produtos bélicos. Terminada a guerra voltou para a Itália onde primeiro trabalhou na Prefeitura, depois em uma empresa de empréstimos e seguros.

Quando soube da possibilidade de tornar-se presbítero como vocacionado adulto, percebeu que podia realizar o seu antigo desejo de ser missionário e em 1951 pediu e obteve a licença do pe. Antônio Villa, na época Superior Geral, para entrar no nosso Seminário de Tradate. O pároco de Chiari na  carta de acompanhamento dizia: Fico feliz de poder declarar que o jovem Fogliata Estevão de trinta anos, filho de Pedro, pertencente a uma ótima família católica, vocacionado para esta Congregação, sempre foi de conduta exemplar em todos os sentidos e,  mesmo tendo já alcançado um bom emprego, deixa o cargo de confiança que ocupa para seguir a vocação religiosa.

Apesar das dificuldades que enfrentou nos estudos, a sua força de vontade e o seu espírito de fé permitiram que alcançasse o desejado. Na avaliação para a admissão á primeira Profissão religiosa, realizada aos 08 de setembro de 1956, está escrito: ... demonstra grande esforço e perseverança nos estudos, amor ao trabalho, resistência ao cansaço, espirito de humildade e de obediência. Terminados os três anos fez a sua profissão perpétua. Logo depois, aos 18 de outubro de 1959 foi ordenado presbítero em Chiari pelo Mons. Guilherme Bosetti, Bispo auxiliar de Bréscia, também ele natural da mesma cidade.

Em dezembro, no dia da festa da Imaculada do mesmo ano encontrava-se já no Brasil,  em Rio Bananal, no interior do Estado do Espírito Santo. Aqui durante 23 anos (a exceção de algumas interrupções quando atuou na nossa paróquia de Vitória-ES) desenvolveu a sua missão pastoral naquele extenso território confiado à nossa Congregação. Daquele período ele mesmo deixou escrito nas suas recordações: Durante mais de vinte anos percorri a pé, a cavalo, com o carro aquela vasta região, ministrando os sacramentos em mais de 70 comunidades, superando vários perigos. Uma vez, atravessando uma pinguela, o cavalo escorregou e em um piscar de olhos cavalo e cavaleiro estavam tomando banho no rio. Não esqueço os sustos nas três vezes que, devido às chuvas derrapei e me encontrei com o carro fora da pista. No ano de 1982 foi enviado para Gama-DF, voltou em Vitória de 1985 a 1987 e depois permaneceu sempre aqui, a exceção do 2º semestre de 1990 até o setembro de 1992 quando ficou em São Leopoldo – RS.

Transcorreram assim praticamente 25 dos seus últimos anos no Gama, como vigário paroquial da nossa Paróquia de São Sebastião. Nesta paróquia, - escrevia o mesmo  pe. Estevão no ano de 1984, na ocasião do 25º aniversário da sua Ordenação presbiteral -  temos uma área chamada de Invasão, onde estão reunidos os mais pobres que se encontram de verdade na miséria. Até que o Senhor quiser – concluía – fico feliz em colocar as poucas energias que ainda tenho a serviço da Igreja e da Congregação.

Assim era e assim viveu padre Estevão.

Pe. José Rossi, na época Superior geral, na homilia que preparou para o 25º aniversário da ordenação sacerdotal dele, celebrado na igreja matriz da sua amada cidade de Chiari, disse: ... deste imenso Brasil, pe. Estevão não conhece os lugares turísticos mais renomados, nem a participação aos eventos mais badalados, nem as expressões de uma riqueza ostentada de poucos. Conhece, sim, a pobreza, quase sempre decorosa, mesmo se, às vezes humilhada pela miséria e pelas injustiças, conhece o coração bondoso daquela gente humilde; conhece a paciência da espera, a preocupação para o amanhã da sua gente, pelo fato que agora entre os que com ele e pelos quais ele vive ninguém mais é estranho, mas todos irmãos que amados, sabem corresponder com gratidão.

Padre Estevão nunca ocupou papeis de autoridade; sempre se dedicou a colaborar no ministério pastoral e administrativo; como vigário paroquial sempre foi solicito para atender as Confissões e a Celebração eucarística. Nunca se assinalou com iniciativas particulares, nem com grandes realizações. Foi o homem fiel ao compromisso cotidiano, da rotina, com uma dedicação constante ao que constituía o coração da sua identidade de consagrado e de presbítero.

O Diácono Ribamar do Gama, na ocasião do seu 45º aniversario de ordenação sacerdotal, assim o descreveu: Homem simples e de poucas palavras, no entanto, tem profundas raízes de espiritualidade e compromisso com a Igreja. Dedica-se com zelo à missão a que Deus o destinou. Ao carisma de confessor ele une a profunda vida de oração. Durante todo o tempo que está na paróquia São Sebastião, sempre se manteve sereno e recatado, fazendo o bem de forma humilde e discreta.

Padre Estevão sempre foi de poucas exigências. Nunca estava preocupado com a sua pessoa. Queria somente estar sempre a disposição de quem precisasse. Com a sua disponibilidade e com a sua simplicidade testemunhou e transmitiu a graça do Senhor a inúmeras pessoas que encontraram nele um ministro digno e um instrumento eficaz da sua misericórdia.

Os fiéis o procuravam, participavam à sua celebração eucarística, mesmo se nos últimos tempos não conseguiam entender mais as suas palavras, porque percebiam nele uma particular presença do Senhor, porque o achavam uma pessoa santa.

Nos 53 anos que vivenciou a comunhão na nossa Província pavoniana e se dedicou ao serviço da Igreja do Brasil, pe. Estevão se caracterizou pela simplicidade de vida, pela serenidade de coração, pelo espírito de serviço e por uma dedicação apaixonada ao povo que sempre o procurou e o amou, enxergando nele um verdadeiro homem de Deus e um autêntico discípulo do Bem Aventurado Ludovico Pavoni. Até o fim marcou sua presença, fiel, em particular, ao Sacramento da Reconciliação.

No dia 28 de outubro, domingo, uma semana antes de falecer, mesmo sendo já debilitado, devido também a uma queda sofrida dias antes, celebrou a santa Missa e atendeu durante várias horas às confissões.

Uma multidão de fiéis participou segunda feira, cinco de novembro, do seu funeral, presidido pelo Arcebispo de Brasília, Dom Sérgio. Seu corpo retirado da Igreja Matriz de São Sebastião pelas mãos de ilustres Militares do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal, deposto em seu caminhão e cortejado pelas ruas da cidade e por inúmeros fiéis, seus filhos espirituais, até o Cemitério local. 

Também em Chiari, quinta feira, dia oito de novembro, foi celebrada a Eucaristia em sua memória com a participação dos religiosos pavonianos da comunidade de Bréscia.  Aí ainda vive sua irmã mais velha, Fortunata, de 99 anos, rodeada de filhos e netos.
A Congregação expressa profunda gratidão por aquilo que  pe. Estevão fez, mas em particular pelo  que ele foi: um fiel e exemplar seguidor do nosso bem aventurado padre Fundador, Ludovico Pavoni.

Agora, unido a Cristo Jesus, Seu e Nosso Senhor e Redentor, interceda por cada um de nós, em especial sua família religiosos - dos Pavonianos - e por todos os seus filhos e filhas. 

sábado, 3 de novembro de 2012

O Superior geral



Caríssimos irmãos e leigos da Família pavoniana,

no evangelho de Lucas lemos que, enquanto Izabel esperava o nascimento do filho João, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma virgem noiva de um homem de nome José e que a virgem se chamava Maria. Gostaria de me deter, nesta circunstância, sobre a pronúncia do nome de Maria. Na oração da Ave-Maria, depois de tê-la saudado com um convite à alegria, nós nos dirigimos a Maria,  invocando-a com o seu nome.

O nome da virgem era Maria (Lc 1,27)

Também o anjo Gabriel, retomando a sua mensagem, dirige-se a Maria, chamando-a pelo nome:  “Não temas, Maria, porque encontraste graça junto de Deus” (1,30). Por meio do seu anjo, Deus intervém, num momento preciso da história, e envolve Maria na realização do plano de salvação que tinha no coração para a humanidade. Maria é chamada pelo nome.
O nome expressa a identidade da pessoa, a sua unicidade; expressa também, no contexto bíblico, a sua missão, o que uma pessoa é chamada por Deus a realizar.
Deus quer necessitar do homem para realizar seus projetos. E pede ao homem a sua disponibilidade e colaboração; mas não se impõe. Respeita a sua liberdade. Respeita a sua dignidade pessoal, aquela dignidade que ele mesmo deu ao homem, chamando-o à vida.
Na narrativa da anunciação, nós percebemos este modo de agir de Deus. Maria é chamada pelo nome. Ela não é um número diante de Deus, não é uma pessoa qualquer entre os milhões de seres vivos. É justamente ela, com a sua especificidade e a sua história. Deus pousou seu olhar sobre ela; e agora dirige-se pessoalmente a ela e lhe pede aceitar a sua proposta: colocar-se à disposição do seu projeto de redenção da humanidade.  
Maria, ao sentir-se chamada por nome e ao escutar o anúncio do anjo, experimenta ser amada por Deus e escolhida por Ele para uma missão que lhe é confiada pessoalmente. E comprende que a sua liberdade realiza-se plenamente na disponibilidade ao que o Senhor lhe pede em favor da humanidade. Intui que liberdade e obediência se conjugam em vista de um bem superior, que ultrapassa os seus projetos pessoais e o horizonte de Nazaré. A sua aceitação e a sua disponibilidade manifestam a adesão livre e consciente ao projeto de um Deus que, interpelando-a pelo nome, manifesta-lhe que a quer bem e que, por meio dela, quer bem e quer o bem da humanidade.

Chamei-te pelo nome (Is 43,1 e 45,3-4)

Esta expressão, que aparece em algumas passagens do livro de Isaías, com referência tanto ao povo de Israel quanto a uma pessoa, manifesta de modo evidente a atitude e o agir de Deus em relação a nós, seja em nível pessoal, seja comunitário.  
Cada um de nós é chamado pessoalmente por Deus, é amado por Deus. Para cada um de nós Deus tem um projeto. Cada um de nós é importante diante dele. Nenhum de nós é inútil ou existe por acaso; nenhum de nós é insignificante nos planos de Deus. Desde o momento em que fomos chamados à vida, desde o momento que recebemos um nome, Deus nos envolve no seu projeto de amor, que diz respeito a cada homem e a toda a humanidade, no decorrer de toda a sua história. Descobrir, acolher e realizar o projeto de Deus é para cada homem e para cada comunidade o máximo de realização, por que é nesta perspectiva que se conciliam realmente a liberdade do homem e a vontade de Deus.
O homem pode responder ou não, aceitar ou não. Mas a sua resposta não é indiferente nem para ele nem pela influência que pode ter sobre os outros. E a aceitação é para o homem a felicidade de quem põe a sua confiança no Senhor. Como bem se depreende no salmo 40: Aqui estou – como está escrito no livro – para fazer a tua vontade. Meu Deus, eu quero ter a tua lei dentro de minhas entranhas. (8-9). Naturalmente a correspondência ao projeto de Deus exige um processo de discernimento e se verifica, sim, na resposta ao seu chamado e nas escolhas fundamentais da vida, mas se realiza, depois, também na concretização do cotidiano.
E isto vale para cada um de nós e, ao memso tempo, também para cada comunidade. Porque há um projeto de Deus que nos toca também comunitariamente. Como lemos nas esplêndidas expressões dirigidas por Deus ao povo de Israel: Não temas, porque eu te resgatei, te chamei pelo nome: tu me pertences; porque és precioso aos meus olhos, porque és digno de estima e eu te amo. Não temas, por que eu estou contigo. Vós sois as minhas testemunhas (Is 43,1.4.5.10). 

Dar a cada um o alimento que lhe convém (pe. Ludovico Pavoni)

Se nós fazemos experiência deste amor da parte de Deus, se nos sentimos chamados pelo nome, podemos por nossa vez comunicar e ajudar quem está perto de nós, perceber esta descoberta e, em particular, os adolescentes e jovens que nos são confiados. Nenhum irmão é um número junto a nós, nenhum jovem que nos é confiado permanece anônimo para nós. Junto às dinâmicas comunitárias que dizem respeito à vida fraterna e também à obra educativa, as relações pessoais são ainda mais importantes. O clima de família, tão recomendado pelo Padre Fundador e preciosa herança (RV 6) na história da Congregação, implica chamar-se pelo nome, que manifesta respeito, amor e estima a cada pessoa. Todo irmão nos é caro como a própria vida nos lembra a nossa Regra (RV 132). Todo jovem a nós confiado, lembra-nos o Padre Fundador, deve ser guardado como um  tesouro precioso e santo e deve ser amado como a pupila dos próprios olhos (CP 257).
Cada um é precioso, sem exceção de ninguém. Um aspecto fundamental do nosso sistema educativo é a atenção e o cuidado pessoal devidos a cada jovem. Se a nossa história nos legou uma modalidade de estruturas sempre distantes dos grandes números, é também por esta exigência. A educação é eficaz e atinge os seus objetivos somente se chega ao coração de cada jovem, depois de ter criado com ele uma relação pessoal empática e respeitosa. É essencial deixar que os jovens percebam que são queridos pessoalmente. Nas Constituições, padre Pavoni dá as seguintes indicações ao diretor espiritual: Usará com eles modos afáveis, mas sempre com dignidade e respeito; procurando tornar-se santamente benquisto... Chamará de vez em quando um ou outro para ter com ele alguma conversa particular, dando a cada um aquele alimento que mais lhe convém. (CP 251). São indicações válidas para cada educador, válidas também hoje, para uma obra educativa autêntica e integral. Isto significa, em campo educativo, conhecer e chamar pelo nome.
Maria, chamada pelo nome por Deus, interceda por nós para que possamos experimentar e fazer experimentar o amor que Deus tem para cada um de seus filhos; e para que desta experiência nasça uma adesão amorosa e fiel ao seu projeto.

Na agenda de novembro: encaminhamento da investigação sobre a cura acontecida em São Paulo

No dia 5 de novembro, está marcado o encontro com o arcebispo de São Paulo (Brasil), card. Odilo Pedro Scherer, para a apresentação oficial do pedido de encaminhamento do processo diocesano sobre a surpreendente cura do pai do nosso irmão Diomar, acontecida em julho de 2009, que consideramos ter sido obtida pela intercessão do beato Ludovico Pavoni. Alegremo-nos, esperemos e rezemos.
Nos primeiros quatro dias do mês, estão previstos diversos encontros em Belo Horizonte (Brasil): administradores, superiores, todos os religiosos, coordenação da Família pavoniana.
Em Valladolid (Espanha), de 16 a 18 haverá aulas para os animadores dos grupos Saiano; e de 23 a 25, as jornadas de outono dos animadores da Família pavoniana.
De 21 a 23, participarei, em Roma, da Assembleia dos superiores gerais, que tratará dos temas Evangelizemos (Sínodo 2012) e testemunhemos (crise econômica e implicações para nós consagrados).
Já iniciamos o Ano da fé e prosseguimos com a celebração do Ano mariano. Nesta luz confiemos o caminho do mês de novembro à intercessão  de Maria, que, sábado, 17, invocaremos como Mãe  da Divina Providência.
A todos cheguem minhas saudações em nome do Senhor.

pe. Lorenzo Agosti
Belo Horizonte, 31 de outubro de 2012.  

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Mensagem final do Sínodo dos Bispos no Vaticano e impressões de Dom Sergio da Rocha



Momentos finais do Sínodo dos Bispos sobre a Nova Evangelização, que se encerra no sábado, 27/10, no Vaticano. O penúltimo dia foi de intenso trabalho para os padres sinodais, na presença do Santo Padre. Pela manhã, os participantes aprovaram a Mensagem do Sínodo dos Bispos para o Povo de Deus, na conclusão da 13ª Assembleia Geral. O texto foi apresentado ao público na Sala de Imprensa da Santa Sé, em coletiva de imprensa.

Participaram da coletiva o Presidente da Comissão para a Mensagem, Card. Giuseppe Betori, o Secretário Especial, Dom Pierre Marie Carré, o Diretor da Sala de Imprensa, Pe. Federico Lombardi, e mais dois membros da Comissão.

No texto, divido em 14 pontos, os padres sinodais afirmam que conduzir os homens e as mulheres do nosso tempo a Jesus é uma urgência que diz respeito a todas as regiões do mundo, de antiga e recente evangelização. Não se trata de recomeçar do zero, mas de inserir-se num longo caminho de proclamação do Evangelho que, desde os primeiros séculos da era cristã até hoje, percorreu a História e edificou comunidades de fiéis em todas as partes do mundo, fruto da dedicação de missionários e de mártires.

Caminho que começa com o encontro pessoal com Jesus Cristo e com a escuta das Escrituras. “Para evangelizar o mundo, a Igreja deve, antes de tudo, colocar-se à escuta da Palavra”, escrevem os Padres sinodais, ou seja, o convite a evangelizar se traduz num apelo à conversão, a começar por nós mesmos.

Os Bispos apontam como lugar natural da primeira evangelização a família, que desempenha um papel fundamental para a transmissão da fé. Diante das crises pelas quais passa essa célula fundamental da sociedade, com inúmeros laços matrimoniais que se desfazem, os Padres Sinodais se dirigem diretamente às famílias de todo o mundo, para dizer que o amor do Senhor não abandona ninguém, que também a Igreja as ama e é casa acolhedora para todos.

Os jovens também são destinatários da Mensagem do Sínodo, definidos “presente e futuro da humanidade e da Igreja”. A nova evangelização encontra nos jovens um campo difícil, mas promissor, como demonstram as Jornadas Mundiais da Juventude.

Os horizontes da nova evangelização são vastos tanto quanto o mundo, afirma o Sínodo, portanto é fundamental o diálogo em vários setores: com a cultura, a educação, as comunicações sociais, a ciência e a economia. Fundamental é o diálogo inter-religioso que contribua para a paz, rejeita o fundamentalismo e denuncia a violência contra os fiéis, grave violação dos Direitos Humanos.

Na última parte, a Mensagem se dirige à Igreja em cada região do mundo: às Igrejas no Oriente, faz votos de que possa praticar a fé em condições de paz e de liberdade religiosa; à Igreja na África pede que desenvolva a evangelização no encontro com as antigas e novas culturas, pedindo aos governos que acabem com conflitos e violências.

Os cristãos na América do Norte, que vivem numa cultura com muitas expressões distantes do Evangelho, devem priorizar a conversão e estarem abertos ao acolhimento de imigrantes e refugiados.

Os Padres Sinodais se dirigem à América Latina com sentimento de gratidão. “Impressiona de modo especial como no decorrer dos séculos tenha se desenvolvido formas de religiosidade popular, de serviço da caridade e de diálogo com as culturas. Agora, diante de muitos desafios do presente, em primeiro lugar a pobreza e a violência, a Igreja na América Latina e no Caribe é exortada a viver num estado permanente de missão, anunciando o Evangelho com esperança e alegria, formando comunidades de verdadeiros discípulos missionários de Jesus Cristo, mostrando no empenho de seus filhos como o Evangelho pode ser fonte de uma nova sociedade justa e fraterna. Também o pluralismo religioso interroga as Igrejas da região e exige um renovado anúncio do Evangelho.”

Já a Igreja na Ásia, mesmo constituindo uma minoria, muitas vezes às margens da sociedade e perseguida, é encorajada e exortada à firmeza da fé. A Europa, marcada por uma secularização agressiva, é chamada a enfrentar dificuldades no presente e, diante delas, os fieis não devem se abater, mas enfrentá-las como um desafio. À Oceania, por fim, se pede que continue pregando o Evangelho.

A Mensagem se conclui fazendo votos de que Maria, Estrela da nova evangelização, ilumine o caminho e faça florescer o deserto.


A seguir.... as impressões de Dom Sergio da Rocha, arcebispo de Brasília e um dos Padres Sinodais.


É difícil resumir a riqueza da experiência vivida e das reflexões propostas na XIII Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos. O tema deste Sínodo, de feliz escolha do Papa Bento XVI, pela sua amplitude e complexidade, já dificulta qualquer tentativa de síntese. Por isso, neste terceiro relato, após o término da Assembleia Sinodal, procuro apenas partilhar alguns aspectos da experiência vivida e dos temas abordados, sem a pretensão de um resumo. Dentre tantos outros aspectos, destaco os seguintes:


1. O início e a conclusão do Sínodo com a Eucaristia presidida pelo Papa e concelebrada pelos Padres Sinodais constituem a moldura principal na qual quer se inserir, não apenas a Assembleia Sinodal, mas toda a nova evangelização. A Eucaristia deverá ser sempre ponto de partida e de chegada para a ação evangelizadora. Em diversos momentos, ao se falar dos sujeitos da nova evangelização, foi enfatizada a ação do Espírito Santo e a necessidade da graça, assim como, a santidade dos evangelizadores, destacada por Bento XVI na abertura e na celebração das canonizações ocorrida, a propósito, durante o Sínodo.   
 
2. A presença assídua do Papa Bento XVI, presidindo a Assembleia Sinodal, foi bastante apreciada por todos, destacando-se a sua sabedoria, simplicidade e paciente atenção aos muitos pronunciamentos.     
 
3. O Sínodo constitui um precioso instrumento de comunhão eclesial e de colegialidade episcopal, através do diálogo e da convivência fraterna, da reflexão conjunta em plenário e em grupos, da partilha de experiências pastorais, das alegrias e dores da Igreja nos cinco continentes. As cinco línguas oficiais do Sínodo se completavam com muitas outras faladas pelos participantes, representando todas as conferências episcopais  e, portanto, trazendo os diferentes contextos sociais e culturais vividos pela Igreja nos cinco continentes.  Na "Mensagem", os Padres Sinodais se dirigiram a cada continente, valorizando a realidade de cada um. A catolicidade da Igreja foi intensamente manifestada! 
 
4. A comunhão eclesial e a corresponsabilidade pastoral se expressaram também através da participação de presbíteros, diáconos, religiosos(as), leigos e leigas, muitos dos quais puderam falar à Assembleia e outros, colaboraram como peritos. A nova evangelização necessita de todos para acontecer. Por isso, nas proposições aprovadas, destaca-se o papel indispensável das diversas vocações e ministérios na Igreja e a necessidade de formação dos evangelizadores.
 
5. O tema da nova evangelização não excluiu as dimensões do diálogo ecumênico e inter-religioso; ao contrário, exigiu a  sua consideração atenta e reafirmou a sua necessidade. A abertura ecumênica foi simbolizada, de modo especial, pela presença contínua dos "delegados fraternos", isto é, dos representantes de outras Igrejas cristãs, que tiveram ocasião de dirigir a palavra durante a Assembleia Sinodal e de participar das celebrações, conforme as disposições da Igreja.  
 
6. A contribuição dos Padres Sinodais da América Latina foi relevante. O Documento de Aparecida foi uma das principais fontes da reflexão oferecida pelos bispos latino-americanos e caribenhos. Temas centrais de Aparecida encontraram acolhida ou confirmação nas proposições e na mensagem do Sínodo: o encontro com Jesus Cristo, a conversão pastoral, a Igreja em estado permanente de missão, a formação, a piedade popular, os pobres, a juventude, o laicato...  A convivência fraterna entre os bispos da América Latina e Caribe foi intensificada pelas celebrações festivas nos Colégios Pio Latino e Mexicano. 
 
7. O Jubileu de abertura do Concílio Vaticano II, os 20 anos do Catecismo da Igreja Católica e o Ano da Fé favoreceram o desenvolvimento do tema geral. A "Mensagem" explicita tal contexto e há proposições dedicadas especialmente ao Concílio e ao Catecismo. Documentos do Vaticano II iluminaram a reflexão de muitos Padres Sinodais, em plenário e nos grupos. Documentos do Magistério pós-conciliar também serviram de fonte, especialmente, pelo seu teor, a Evangelii Nuntiandi, de Paulo VI, a Catechesi Tradendae, de João Paulo II e a recente Verbum Domini. 
 
8. A Palavra de Deus recebeu grande atenção ao longo do Sínodo.  A acolhida recebida pela Verbum Domini, última exortação apostólica pós-sinodal, foi longamente considerada numa das sessões. No início de cada dia, durante a oração da Liturgia das Horas, a Palavra proclamada foi muito bem refletida com a ajuda de alguns Padres Sinodais, sendo no primeiro dia, o próprio Santo Padre quem desenvolveu uma bela reflexão. O texto da Samaritana serviu de inspiração para a Mensagem final. Embora, algumas proposições do Sínodo reflitam mais claramente a dimensão bíblica, a centralidade da Palavra de Deus na nova evangelização exige atenção sempre maior.
 
9. Os temas abordados foram muitos, conforme se pode comprovar pelo grande número de proposições aprovadas e pela longa Mensagem conclusiva. Refletem a relevância, a amplitude e a complexidade do tema geral: "Nova Evangelização para a transmissão da fé cristã". É difícil elencá-los, de modo justo. Dentre eles, podemos citar: a catequese, os sacramentos da iniciação cristã, o sacramento da penitência, a família, os jovens, a liturgia, a santidade, a piedade popular,  a Igreja Particular, a paróquia, as comunidades, o clero, a vida consagrada, os leigos, os movimentos eclesiais, a opção pelos pobres, os migrantes, os enfermos, a política, a educação, o ecumenismo, a inculturação, os cenários urbanos, as ciências, o serviço da caridade, os meios de comunicação, os direitos humanos e a liberdade religiosa. Dentre os novos temas ou temas que receberam nova acentuação estão: o reconhecimento do "ministério" de catequista; a ordem dos sacramentos da iniciação cristã em perspectiva pastoral; a "via da beleza" como caminho de evangelização; o  "átrio ou pátio dos gentios", retomando e especificando a questão dos "novos areópagos" como espaços de evangelização; a "conversão pastoral" segundo o espírito missionário de Aparecida; o papel dos teólogos na nova evangelização.
 
10. Por fim, pode-se destacar aquilo que desde o início esteve no centro dos escritos e debates deste Sínodo: o que é a "nova evangelização"? em que sentido, a evangelização proposta quer ser "nova"? No início da XIII Assembleia Sinodal, o  Instrumentum laboris, em preparação ao Sínodo, já abordava a questão fazendo uma proposta ampla de compreensão. Na bela e sábia homilia da missa de encerramento do Sínodo, à luz da passagem da cura do cego Bartimeu, o Papa retomou o assunto, mostrando o caminho a seguir. É vasta a tarefa proposta, pois a nova evangelização deve ser assumida por todos, em comunhão na Igreja, com novo ardor e "criatividade pastoral", tendo como âmbitos próprios a pastoral ordinariamente voltada para os católicos que participam da Igreja,  a missão além-fronteiras (ad gentes) e as "pessoas batizadas que, porém não vivem as exigências do batismo". 
 
Como terminou o Sínodo? Em clima de louvor a Deus, de gratidão e esperança, e ao mesmo tempo, de renovado empenho pela nova evangelização, conscientes de que temos  um longo caminho a percorrer para cumprir o mandato missionário de Jesus Cristo: Ide, fazei discípulos!  Há muito para se fazer pela nova evangelização! A oração e a reflexão devem continuar. A busca de respostas pastorais necessita continuar na Igreja local. O Sínodo ilumina e anima a ação evangelizadora, mas não dispensa a nossa tarefa de estabelecer os passos a serem dados na realidade em que vivemos.  As   58 "proposições" aprovadas pelo Sínodo começam a ser divulgadas. A  "Mensagem" dos Padres Sinodais tem sido publicada nas várias línguas, trazendo alento e estímulo. Aguardamos a Exortação Apostólica Pós-Sinodal que o Papa irá nos oferecer, recolhendo as contribuições da XIII Assembleia do Sínodo dos Bispos. O presente relato não substitui a leitura da "Mensagem" e das "Proposições" do Sínodo, bem como, a homilia do Santo Padre; antes, quer servir de estímulo para tanto, esperando que estejam logo disponíveis também em língua portuguesa. Nossa Senhora, Estrela da Evangelização, nos acompanhe com a sua intercessão materna e exemplo!
 
Por Dom Sergio da Rocha, Arcebispo de Brasília

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

A Palavra de Deus em nossos dias


RUBIO, Afonso Garcia; AMADO, Joel Portella. (Orgs) Espiritualidade Cristã em tempos de mudança: contribuições teológico-pastorais. In.:___. Abrindo a Bíblia: saborear a palavra de Deus nos dias de hoje. Petrópolis: Vozes, 2009. pp. 33-52.

Vivemos em tempos de mudanças acentuadas em que muitas comunidades cristãs vivem incertezas no pensar, no julgar, no sentir e mais ainda, no agir. Os níveis dessas incertezas quanto aos critérios fundamentais da fé cristã têm sofrido tão fortes abalos que se torna necessário recomeçar desde os primeiros passos a partir de Jesus Cristo, de sua palavra e da sua comunidade de fé.
Esta obra se apresenta como resultado de rica experiência de conversas sobre a vida à luz da fé em Jesus Cristo. Podemos perceber também que não é fruto de divagações meramente intelectuais, mas de muitos encontros de partilha das angústias que brotam da ação evangelizadora, colocando em comum o resultado de pesquisas para conviver e rezar. Escrita a várias mãos, em épocas de grandes mu­danças atuais tanto na civilização, quanto nas culturas e também nas Igrejas são profundas e radicais. Neste contexto histórico, o discernimento oferecido pela reflexão teológi­co-pastoral se faz ainda mais necessário.
O contato com a Palavra de Deus já é um diálogo que flui naturalmente entre Deus e o ser humano, isto é, pela sua própria iniciativa, Deus Comunica-se a Si e nos oferta a sua Salvação através de sua Palavra.
A Palavra é a presença atuante e salvadora de Deus para o seu povo. Pela Boa Notícia de Jesus comunicada a nós no momento da proclamação do Evangelho. Pois é o próprio Cristo que vem a nós e nos comunica a salvação pelos seus mistérios: “o evangelho que vos preguei e que recebestes, e no qual estais firmes. Por ele (Evangelho) sois salvos, se o estais guardando tal qual ele vos foi pregado por mim” (1 Cor 15, 1-2). Para que algo seja conservado, é necessário que seja importante. São Paulo é categórico ao afirmar a necessidade de se conservar a Palavra de Deus, mas não só, mas a sua observância na vida (prática: fé e vida –Lex orandi, Lex credendi), pois foi essa a maneira com a qual São Paulo pregou o Evangelho de Cristo.
Tal maravilhosa presença de Deus entre nós exige uma atitude de profundo recolhimento e escuta atenta ao ouvir a mensagem que o Senhor tem a nos dizer. A Palavra de Deus é transformadora DABAR, isto é, viva, eficaz, atuante, motivadora, que se cumpre e provoca em nosso coração sua ‘ação transformadora’ – “Como a chuva e a neve descem do céu e para lá não voltam, sem terem regado a terra, tornando-a fecunda e fazendo-a germinar, dando semente ao semeador e pão ao que come, tal ocorre com a palavra que sai da minha boca: ela não volta a mim sem efeito; sem ter cumprido o que eu quis realizado o objetivo de sua missão” (Is 55,10-11).
A Palavra de Deus é alimento força, e estímulo para todos aqueles que desejam segui-Lo, pois nos oferece alimento para renovar o ânimo abatido a fim de que possamos retomar a caminhada com coragem e determinação. Ela é a bússola que orienta o nosso barco (vida); sem ela caminhar torna-se mais penoso, haja vista que ela clareia a nossa vida, nos indica de maneira prática o caminho que devemos trilhar para encontrar o nosso, tesouro, a pedra preciosa, isto é, Jesus Cristo.
Tendo em vista, o real “alicerce cultural” da contemporaneidade, é in­dispensável o discernimento para o cristão saber se movimentar, com agilidade evangélica. É verdade, que nele, o indivíduo é fortemente valorizado. A subjetivi­dade é desenvolvida, acima de tudo. É nesta perspectiva que irrompe a va­lorização do sujeito, do indivíduo, da inter-relação e da intersubjetividade. Uma perspectiva em que a prioridade concedida ao su­jeito, ao indivíduo é aberta à responsabilidade social e ecológica.


Um mundo em que parece prevalecer uma cultura de morte. Os desafios para a evangelização e para a vi­vência da espiritualidade cristã são realmente gigantescos. Em meio a tão grandes desafios, o conteúdo básico da espiritualidade cristã para os dias atuais, é apresentado a fim de sustentar a caminhada.
Trata-se, em definitivo, de acolher a Palavra viva de Deus, com um coração aberto; de acolher, agradecidos, o amor in­condicional de Deus; de acolher o grande Dom que é o Espírito Santo... Acolher, receber, deixar-se tocar pela ternura deste Deus desconcertante e imprevisível, dado que é Amor.

Seja a Palavra de Deus, nossa guia e luz para trilharmos nosso caminho nesta terra com segurança e sabedoria.

Grande abraço a tod@s!
Ir. Thiago Cristino, 
Religioso pavoniano

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

O Superior geral


Caríssimos irmãos e leigos da Família pavoniana,

na proximidade do Ano da fé e nos passos iniciais do Ano mariano na Congregação, enquanto partilhamos as preocupações e as esperanças de toda humanidade, ressoa no nosso espírito a primeira palavra que o anjo Gabriel dirigiu a Maria no momento da anunciação: Alegra-te.


Alegra-te (Lc 1,28)


É esta saudação que Deus, por meio do seu mensageiro, dirige  a Maria. O que está para acontecer, o que está para suceder com ela, é motivo de grande alegria: para ela e para toda a casa de Jacó (1,33). Deus quer a alegria do ser humano, a alegria da humanidade. A sua ação traz sempre alegria. A alegria verdadeira para as pessoas está em Deus, vem de Deus, vem de estar disponível a sua vontade, de ser fiel a ele. Esta é a experiência de Maria.
O ser humano almeja a alegria, deseja a alegria.  Muitas vezes, porém, a vida reserva-lhe provas e sofrimentos, que são o oposto das suas aspirações mais profundas. São provas e sofrimentos que têm causas diversas: podem provir de doenças psicossomáticas ou morais, de seus atos maus e dos consequentes remorsos, de desgraças e lutos, de insucessos, de fadigas e privações, de inimizades, contrastes e incompreensões com os outros, de falta de trabalho e de perspectivas de futuro, de situações  de miséria e de empobrecimento. A lista poderia continuar.
O ser humano busca por todos os modos sair destas condições, com suas forças e com  a ajuda de alguém em quem possa confiar. E quando se recupera ou quando o horizonte não está obscurecido por estas provas, a sua tendência natural é a de buscar a alegria nas coisas deste mundo, na satisfação que pode lhe dar o gozar de tantos bens. Mas o prazer e a diversão não lhe são suficientes, não coincidem com a alegria.
O ser humano aspira por uma alegria verdadeira e profunda, que não lhe falte, que dure sempre. Foi Deus quem colocou no nosso coração este desejo, esta aspiração. E somente Deus pode saciar plenamente, neste mundo e na eternidade, o desejo de alegria presente em nós.


Mudarei o seu luto em alegria (Jr 31,13)


A história da salvação (como a palavra de Deus nos atesta), a história da Igreja e da humanidade, e a nossa própria experiência pessoal nos confirmam esta verdade. As provações e os sofrimentos da vida nos são permitidos por Deus para nos curar do egoísmo e do mal, para purificar as nossas aspirações, para que nos tornemos capazes do amor verdadeiro, para nos abrimos para um estilo de vida digno do ser humano e do nosso ser filhos de Deus. O próprio Jesus passou pelo sofrimento e pela morte na cruz, para viver e manifestar de modo grandioso o seu amor ao Pai e à humanidade; a ressurreição e a glorificação foram o resultado deste aniquilamento.
O Antigo e o Novo Testamento tratam muitas vezes do tema da alegria, nas suas expressões e nas suas fontes. Feliz é o homem que encontra alegria nos preceitos do Senhor (Sl 112/111, 1). Há maior alegria em dar do que em receber (At 20,35). E as citações podem ser muitas.
De interesse particular são os textos nos quais Deus manifesta a sua ação, capaz de transformar uma situação de sofrimento em uma condição de alegria. Como na passagem do profeta Jeremias: Mudarei seu luto em alegria, eu os consolarei e os farei felizes sem aflições (31,13). Na perspectiva da condição do seu mistério pascal, Jesus anuncia aos apóstolos: A vossa tristeza se transformará em alegria (Jo 16,21). Na reflexão cristã encontramos uma bela e profunda expressão no romance de Alessandro Manzoni, Os noivos, quando se afirma que Deus jamais atrapalha a alegria de seus filhos a não ser para lhes preparar uma alegria maior e mais segura (cap.VIII).
As bem-aventuranças evangélicas (Mt 5,1-12) representam a culminância do ensinamento bíblico sobre a alegria. Manifestam a própria experiência de Jesus e proclamam a alegria daqueles que, a seu exemplo, vivem os valores da pobreza de espírito, do choro, da mansidão, da misericórdia, da pureza de coração, trabalham pela justiça e pela paz e são perseguidos por causa da justiça e da fé nele.


Feliz aquela que acreditou (Lc 1,45)


E justamente na fé está a raiz da alegria de Maria, como proclama Izabel: Feliz aquela que acreditou na realização do que o Senhor falou. A alegria de Maria vem do Senhor e é reforçada por sua fé nele. Em Maria, há ligação íntima entre vida de fé e alegria. Maria é feliz porque acreditou.
Para nós, Família pavoniana, viver o Ano da fé e mariano significa intensificar a nossa fé em Deus, a exemplo e com o auxílio de Maria. E, ao mesmo tempo, experimentar sempre mais que é justamente na fé em Deus que está o fundamento da nossa alegria.
A nossa vida não está privada de tribulações e de dificuldades. A fidelidade a Deus e a nossa vocação, bem como o empenho cotidiano nos deveres que assumimos e que nos são confiados, exigem de nós dedicação, amor e espírito de sacrifício. A fé em Deus nos faz perceber e experimentar que não existe nenhuma situação em que somos abandonados por Deus. A nossa vida está nas suas mãos amorosas. Confiar, então, nele em cada momento de dificuldade e obedecer em tudo a sua palavra e a sua vontade torna-se para nós fonte de alegria autêntica. Como Jesus assegurou aos apóstolos: Se observardes os meus mandamentos permanecereis no meu amor… Vos disse estas coisas para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja plena  (Jo 15,10-11).
Daqui decorre para nós a exigência de testemunhar a alegria da nossa fé, de testemunhar com coerência e alegria a nossa vocação. Daqui nasce e se torna natural para nós, ao educar nossos adolescentes e nossos jovens (bem como todas as pessoas que nos são confiadas), fazer descobrir, por meio  do nosso exemplo e de nossas palavras, onde está a fonte da verdadeira alegria; descoberta que, depois, torna também  gratificantes as alegrias que se experimentam no sadio gozo dos bens do mundo. Este itinerário faz parte integrante de todo projeto educativo cristão e está contido claramente no nosso projeto educativo pavoniano.
Maria nos ajude neste caminho e neste compromisso. E cada vez que durante o dia nos dirigimos a ela com a oração da Ave-Maria, recordemo-nos de que fazemos nossas as palavras do anjo Gabriel e repetimos a ela a sua saudação: Alegra-te. Alegra-te, Maria, e faz com que também nós sintamos sempre alegria no Senhor e sejamos testemunhas, portadores e educadores desta alegria.


Tenham fé, amem Jesus e a nossa cara mãe Maria


Estas palavras, na boca do nosso Padre Fundador como último testamento aos seus filhos, enquanto em Saiano estava para subir a Deus, podem ser para nós o fio condutor deste Ano da fé e  mariano; e serão o  tema do III Encontro interprovincial da Família pavoniana, a realizar-se em 6 e 7 de julho de 2013, em Bréscia. Considero que representam bem, para nós, a síntese do que quer significar em particular este ano.
O início oficial do Ano da fé, como sabemos, será no dia 11 de outubro, no 50° aniversário da abertura do  Concílio Vaticano II. Nestes dias estará sendo realizado o Sínodo dos Bispos sobre A nova evangelização para a transmissão da fé cristã. Domingo, dia 21, o papa declarará santos 7 beatos, entre os quais João Piamarta que, em Bréscia, recebeu o testemunho do carisma de padre Pavoni. Partilhemos a alegria da Congregação religiosa fundada por ele, a Sagrada Família de Nazaré, tão próxima de nós pela origem, pela inspiração e pela missão educativa.
  

A agenda do mês de outubro prevê os seguintes acontecimentos:

3: assembleia dos religiosos das comunidades da Espanha, em Valladolid.
7: primeira profissão religiosa do noviço Pierre Yamb, em Saiano.
8-9: encontro dos superiores e vice-superiores das comunidades da Itália, em Lonigo.
12-15: retiro dos jovens religiosos, no Brasil.[1]
13: 1° Encontro dos benfeitores do APAS, na Via Crespi, em Milão.
       Reunião das equipes vocacionais das comunidades da Itália, em Bréscia.
20: convocação do Conselho das Federações dos ex-alunos pavonianos, em Monza.
No dia 12, viajarei para o Brasil, onde estarei até 8 de novembro, para a visita às comunidades da Província. [Em setembro pude visitar as comunidades da Eritrea].
Maria, causa da nossa alegria, acompanhe os nossos passos no seguimento fiel e alegre do Senhor Jesus.
E a todos cheguem as minhas saudações fraternas.
pe. Lorenzo Agosti
Tradate, 1° de outubro de 2012, memória de S. Teresa do Menino Jesus.


[1] O Retiro foi transferido para os dias 09-11 de novembro

Oração Vocacional Pavoniana

Oração Vocacional Pavoniana
Divino Mestre Jesus, ao anunciar o Reino do Pai escolheste discípulos e missionários dispostos a seguir-te em tudo; quiseste que ficassem contigo numa prolongada vivência do “espírito de família” a fim de prepará-los para serem tuas testemunhas e enviá-los a proclamar o Evangelho. Continua a falar ao coração de muitos e concede a quantos aceitaram teu chamado que, animados pelo teu Espírito, respondam com alegria e ofereçam sem reservas a própria vida em favor das crianças, dos surdos e dos jovens mais necessitados, a exemplo do beato Pe. Pavoni. Isto te pedimos confiantes pela intercessão de Maria Imaculada, Mãe e Rainha da nossa Congregação. Amém!

SERVIÇO DE ANIMAÇÃO VOCACIONAL - FMI - "Vem e Segue-Me" é Jesus que chama!

  • Aspirantado "Nossa Senhora do Bom Conselho": Rua Pe. Pavoni, 294 - Bairro Rosário . CEP 38701-002 Patos de Minas / MG . Tel.: (34) 3822.3890. Orientador dos Aspirantes – Pe. Célio Alex, FMI - Colaborador: Ir. Quelion Rosa, FMI.
  • Aspirantado "Pe. Antônio Federici": Q 21, Casas 71/73 . Setor Leste. CEP 72460-210 - Gama / DF . Telefax: (61) 3385.6786. Orientador dos Aspirantes - Ir. José Roberto, FMI.
  • Comunidade Religiosa "Nossa Senhora do Bom Conselho": SGAN Av. W5 909, Módulo "B" - Asa Norte. CEP 70790-090 - Brasília/DF. Tel.: (61) 3349.9944. Pastoral Vocacional: Ir. Thiago Cristino, FMI.
  • Comunidade Religiosa da Basílica de Santo Antônio: Av. Santo Antônio, 2.030 - Bairro Santo Antônio. CEP 29025-000 - Vitória/ES. Tel.: (27) 3223.3083 (Comunidade Religiosa Pavoniana) / (27) 3223.2160 / 3322.0703 (Basílica de Santo Antônio) . Reitor da Basílica: Pe. Roberto Camillato, FMI.
  • Comunidade Religiosa da Paróquia São Sebastião: Área Especial 02, praça 02 - Setor Leste. CEP 72460-000 - Gama/DF. Tel.: (61) 34841500 . Fax: (61) 3037.6678. Pároco: Pe. Natal Battezzi, FMI. Pastoral Vocacional: Pe. José Santos Xavier, FMI.
  • Juniorado "Ir. Miguel Pagani": Rua Dias Toledo, 99 - Bairro Vila Paris. CEP 30380-670 - Belo Horizonte / MG. Tel.: (31) 3296.2648. Orientador dos Junioristas - Pe. Claudinei Ramos Pereira, FMI. ***EPAV - Equipe Provincial de Animação Vocacional - Contatos: Ir. Antônio Carlos, Pe. Célio Alex e Pe. Claudinei Pereira, p/ e-mail: vocacional@pavonianos.org.br
  • Noviciado "Maria Imaculada": Rua Bento Gonçalves, 1375 - Bairro Centro. CEP 93001-970 - São Leopoldo / RS . Caixa Postal: 172. Tel.: (51) 3037.1087. Mestre de Noviços - Pe. Renzo Flório, FMI. Pastoral Vocacional: Ir. Johnson Farias e Ir. Bruno, FMI.
  • Seminário "Bom Pastor" (Aspirantado e Postulantado): Rua Monsenhor José Paulino, 371 - Bairro Centro. CEP 37550-000 - Pouso Alegre / MG . Caixa Postal: 217. Tel: (35) 3425.1196 . Orientador do Seminário - Ir. César Thiago do Carmo Alves, FMI.

Associação das Obras Pavonianas de Assistência: servindo as crianças, os surdos e os jovens!

  • Centro Comunitário "Ludovico Pavoni": Rua Barão de Castro Lima, 478 - Bairro: Real Parque - Morumbi. CEP 05685-040. Tel.: (11) 3758.4112 / 3758.9060.
  • Centro de Apoio e Integração dos Surdos (CAIS) - Rua Pe. Pavoni, 294 - Bairro Rosário . CEP 38701-002 Patos de Minas / MG . Tel.: (34) 3822.3890. Coordenador: Luís Vicente Caixeta
  • Centro de Formação Profissional: Av. Santo Antônio, 1746. CEP 29025-000 - Vitória/ES. Tel.: (27) 3233.9170. Telefax: (27) 3322.5174. Coordenadora: Sra. Rosilene, Leiga Associada da Família Pavoniana
  • Centro Educacional da Audição e Linguagem Ludovico Pavoni (CEAL-LP) SGAN Av. W5 909, Módulo "B" - Asa Norte. CEP 70790-090 - Brasília/DF. Tel.: (61) 3349.9944 . Diretor: Pe. José Rinaldi, FMI
  • Centro Medianeira: Rua Florêncio Câmara, 409 - Centro. CEP 93010-220 - São Leopoldo/RS. Caixa Postal: 172. Tel.: (51) 3037.2797 / 3589.6874. Diretor: Pe. Renzo Flório, FMI
  • Colégio São José: Praça Dom Otávio, 270 - Centro. CEP 37550-000 - Pouso Alegre/MG - Caixa Postal: 149. Tel.: (35) 3423.5588 / 3423.8603 / 34238562. Fax: (35) 3422.1054. Cursinho Positivo: (35) 3423. 5229. Diretor: Prof. Giovani, Leigo Associado da Família Pavoniana
  • Escola Gráfica Profissional "Delfim Moreira" Rua Monsenhor José Paulino, 371 - Bairro Centro. CEP 37550-000 - Pouso Alegre / MG . Caixa Postal: 217. Tel: (35) 3425.1196 . Diretor: Pe. Nelson Ned de Paula e Silva, FMI.
  • Obra Social "Ludovico Pavoni" - Quadra 21, Lotes 71/72 - Gama Leste/DF. CEP 72460-210. Tel.: (61) 3385.6786. Coordenador: Sra. Sueli
  • Obra Social "Ludovico Pavoni": Rua Monsenhor Umbelino, 424 - Centro. CEP 37110-000 - Elói Mendes/MG. Telefax: (35) 3264.1256 . Coordenadora: Sra. Andréia Mendes, Leiga Associada da Família Pavoniana.
  • Obra Social “Padre Agnaldo” e Pólo Educativo “Pe. Pavoni”: Rua Dias Toledo, 99 - Vila Paris. CEP 30380-670 – Belo Horizonte/MG. Tels.: (31) 3344.1800 - 3297.4962 - 0800.7270487 - Fax: (31) 3344.2373. Diretor: Pe. André Callegari, FMI.

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Sou fundador da Congregação Religiosa dos Filhos de Maria Imaculada, conhecida popularmente como RELIGIOSOS PAVONIANOS. Nasci na Itália no dia 11 de setembro de 1784 numa cidade chamada Bréscia. Senti o chamado de Deus para ir ao encontro das crianças e jovens que, por ocasião da guerra, ficaram órfãos, espalhados pelas ruas com fome, frio e sem ter o que fazer... e o pior, sem nenhuma perspectiva de futuro. Então decidi ajudá-los. Chamei-os para o meu Oratório (um lugar onde nos reuníamos para rezar e brincar) e depois ensinei-os a arte da marcenaria, serralheria, tipografia (fabricar livros), escultura, pintura... e muitas outras coisas. Graças a Deus tudo se encaminhou bem, pois Ele caminhava comigo, conforme prometera. Depois chamei colaboradores para dar continuidade àquilo que havia iniciado. Bem, como você pode perceber a minha história é bem longa... Se você também quer me ajudar entre em contato. Os meus amigos PAVONIANOS estarão de portas abertas para recebê-lo em nossa FAMÍLIA.