sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

HOMILIA DO SANTO PADRE BENTO XVI - NATAL DO SENHOR!!!



Segue abaixo uma bela homilia do papa Bento XVI proferida na noite do dia 24 de dezembro de 2005. A liturgia deste ano nos propõe as mesmas leituras daquele.
Um SANTO e VENTUROSO NATAL do SENHOR!!!

Basílica Vaticana

Sábado, 24 de Dezembro de 2005



  «O Senhor disse-Me: “Tu és meu filho, Eu hoje Te gerei”». Com estas palavras do Salmo segundo, a Igreja dá início à Santa Missa da vigília de Natal, na qual celebramos o nascimento do nosso Redentor Jesus Cristo no estábulo de Belém. Outrora, este Salmo pertencia ao ritual da coroação dos reis de Judá. O povo de Israel, por causa da sua eleição, sentia-se de modo particular filho de Deus, adoptado por Deus. Uma vez que o rei era a personificação daquele povo, a sua entronização era vivida como um acto solene de adopção por parte de Deus, no qual o rei ficava, de certo modo, envolvido no próprio mistério de Deus. Na noite de Belém, estas palavras, que de facto eram mais a expressão duma esperança que realidade presente, ganharam um sentido novo e inesperado. O Menino no presépio é verdadeiramente o Filho de Deus. Deus não é perene solidão, mas um círculo de amor no recíproco dar-se e um dar-se sem cessar. Ele é Pai, Filho e Espírito Santo.

Mais ainda: em Jesus Cristo, o Filho de Deus, o próprio Deus Se fez homem. É a Ele que o Pai diz: «Tu és meu filho». O hoje eterno de Deus desceu ao hoje efémero do mundo e arrasta o nosso hoje passageiro para o hoje perene de Deus. Deus é tão grande que Se pode fazer pequeno. Deus é tão poderoso que Se pode fazer inerme e vir ter connosco como menino indefeso, para que O possamos amar. Deus é tão bom que renuncia ao seu esplendor divino e desce ao estábulo para que O possamos encontrar e, assim, a sua bondade chegue também a nós, se nos comunique e continue a agir por nosso intermédio. O Natal é isto: «Tu és meu Filho, Eu hoje Te gerei». Deus tornou-Se um de nós, para que nós pudéssemos viver com Ele, tornarmo-nos semelhantes a Ele. Como próprio sinal, escolheu o Menino no presépio: Deus é assim. Deste modo, aprendemos a conhecê-Lo. E em todo o menino brilha algo da luz daquele hoje, da proximidade de Deus que devemos amar e à qual nos devemos submeter – em todo o menino, mesmo na criança ainda não nascida.

Ouçamos uma segunda palavra da liturgia desta Noite santa, tomada agora do Livro do profeta Isaías: «Para os que habitavam na terra da escuridão, uma luz começou a brilhar» (9, 1). A palavra «luz» permeia toda a liturgia desta Santa Missa. Aparece um novo aceno no texto da carta de São Paulo a Tito: «Manifestou-se a graça» (2, 11). A palavra «manifestou-se» diz, em língua grega e neste contexto, a mesma coisa que o hebraico exprime com as palavras «uma luz brilhou»: a «manifestação» – a «epifania» – é a irrupção da luz divina no mundo cheio de escuridão e de problemas insolúveis. Por fim, o Evangelho narra-nos que apareceu a glória de Deus aos pastores e «cercou-os de luz» (Lc 2, 9). Onde aparece a glória de Deus, aí irradia a luz pelo mundo. «Deus é luz e n’Ele não há trevas», diz-nos São João (1 Jo 1, 5). A luz é fonte de vida.

Mas luz significa sobretudo conhecimento, significa verdade em contraposição com a escuridão da mentira e da ignorância. Deste modo, a luz faz-nos viver, indica-nos a estrada. Além disso, enquanto gera calor, a luz significa também amor. Onde há amor, levanta-se uma luz no mundo; onde há ódio, o mundo permanece na escuridão. É verdade, no estábulo de Belém, apareceu a grande luz que o mundo espera. Naquele Menino deitado na manjedoura, Deus mostra a sua glória – a glória do amor, em que Ele mesmo Se entrega em dom e Se despoja de toda a grandeza para nos conduzir pelo caminho do amor. A luz de Belém nunca mais se apagou. Ao longo de todos os séculos, envolveu homens e mulheres, «cercou-os de luz». Onde despontou a fé naquele Menino, aí desabrochou também a caridade – a bondade para com todos, a carinhosa atenção pelos débeis e os doentes, a graça do perdão. A partir de Belém, um rasto de luz, de amor, de verdade atravessa os séculos. Se olharmos os Santos – desde Paulo e Agostinho até São Francisco e São Domingos, desde Francisco Xavier e Teresa de Ávila até à Irmã Teresa de Calcutá – vemos esta corrente de bondade, este caminho de luz que se inflama, sempre de novo, no mistério de Belém, naquele Deus que Se fez Menino. Contra a violência deste mundo, Deus opõe, naquele Menino, a sua bondade e chama-nos a seguir o Menino.

Juntamente com a árvore de Natal, os nossos amigos austríacos trouxeram-nos também uma pequena chama que tinham aceso em Belém, para nos dizer: o verdadeiro mistério do Natal é o esplendor interior que irradia deste Menino. Deixemos que se comunique a nós esse esplendor interior, que acenda no nosso coração a chama da bondade de Deus; todos nós levemos, com o nosso amor, a luz ao mundo! Não deixemos que esta chama luminosa se apague por causa das correntes frias do nosso tempo! Guardemo-la fielmente e demo-la aos outros! Nesta noite, em que voltamos o nosso olhar para Belém, queremos também rezar de modo especial pelo lugar do nascimento do nosso Redentor e pelos homens que lá vivem e sofrem. Queremos rezar pela paz na Terra Santa: Olhai, Senhor, este ângulo da terra que, como pátria vossa, tanto amais! Fazei que resplandeça lá a vossa luz! Fazei que lá chegue a paz!

Com o termo «paz», chegamos à terceira palavra-mestra da liturgia desta Noite santa. Ao Menino que anuncia, Isaías chama-Lhe «Príncipe da paz». A propósito do seu reino, diz-se: «A paz não terá fim». No Evangelho, é anunciado aos pastores: «Glória a Deus nas alturas e paz na terra…». Outrora lia-se: «…aos homens de boa vontade»; na nova tradução, diz-se: «…aos homens que Ele ama». Que significa esta mudança? Deixou de ter valor a boa vontade? Ponhamos melhor a questão: Quais são os homens que Deus ama e porque é que os ama? Porventura Deus é parcial? Porventura ama apenas certas pessoas, deixando as outras entregues a si mesmas? O Evangelho responde a estas perguntas, mostrando-nos algumas pessoas concretas amadas por Deus. Há pessoas individuais – Maria, José, Isabel, Zacarias, Simeão, Ana, etc. Mas há também dois grupos de pessoas: os pastores e os sábios do Oriente, os chamados reis magos. Nesta noite, detenhamo-nos nos pastores. Que espécie de homens são eles? No seu ambiente, os pastores eram desprezados; eram considerados pouco sérios e, em tribunal, não eram admitidos como testemunhas. Mas, quem eram na realidade? Certamente não eram grandes santos, se por este termo entendemos pessoas de virtudes heróicas. Eram almas simples. O Evangelho evidencia uma característica que mais tarde, nas palavras de Jesus, havia de ter um papel importante: eram pessoas vigilantes. Isto vale primariamente em sentido exterior: de noite vigiavam, perto das suas ovelhas. Mas vale também num sentido mais profundo: estavam disponíveis à palavra de Deus. A sua vida não estava fechada em si mesma; o seu coração estava aberto. De certo modo, no mais fundo de si mesmos, estavam à espera d’Ele.

A sua vigilância era disponibilidade – disponibilidade para ouvirem, disponibilidade para se porem caminho. Estavam à espera da luz que lhes indicasse o caminho. E isto é o que interessa a Deus. Ele ama a todos, porque todos são criaturas suas. Mas, algumas pessoas têm a sua alma fechada; o seu amor não encontra qualquer acesso a eles. Pensam que não têm necessidade de Deus; não O querem. Outros, que moralmente talvez sejam igualmente miseráveis e pecadores, pelo menos sofrem com isso. Estes esperam Deus. Sabem que têm necessidade da sua bondade, embora não tenham uma ideia precisa dela. No seu íntimo, aberto à expectativa, a luz de Deus pode entrar, e com ela a sua paz. Deus procura pessoas que levem e comuniquem a sua paz. Peçamos-Lhe para fazer com que não encontre fechado o nosso coração. Esforcemo-nos por nos tornarmos capazes de ser portadores activos da sua paz – precisamente no nosso tempo.

Além disso, a palavra paz assumiu entre os cristãos um significado de todo especial: tornou-se um nome para designar a Eucaristia. Nesta, está presente a paz de Cristo. Através de todos os lugares onde se celebra a Eucaristia, estende-se uma rede de paz sobre o mundo inteiro. As comunidades reunidas à volta da Eucaristia constituem um reino da paz largo como o mundo. Quando celebramos a Eucaristia, encontramo-nos em Belém, na «casa do pão». Cristo dá-Se a nós, e assim nos dá a sua paz. Dá-no-la para que levemos a luz da paz no nosso íntimo e a comuniquemos aos outros; para que nos tornemos obreiros de paz e contribuamos assim para a paz no mundo. Por isso, suplicamos: Senhor, realizai a vossa promessa! Fazei que, onde houver discórdia, nasça a paz! Fazei que desponte o amor, onde reinar o ódio! Fazei que surja a luz, onde dominarem as trevas! Fazei que nos tornemos portadores da vossa paz! Amém.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

A Solenidade da Imaculada de 1847


Original italiano – da p. Roberto Cantù, FMI – Archivista generale dei Pavoniani.
Original italiano – por pe. Roberto Cantù, FMI – Arquivista geral dos Pavonianos

Breve cronaca dell’
IMMACOLATA 1847
in san Barnaba a Brescia


1847, mercoledi, solennità dell'Immacolata Concezione. I sacerdoti don Rodolfo Amus, Vicedirettore e don Giuseppe Baldini, Prefetto hanno già celebrato la santa messa in San Barnaba, mentre il Direttore canonico don Lodovico Pavoni sta scrivendo la formula del giuramento e il testo della professione religiosa.

Alle ore 8 e mezzo , l'Imperial Regio Delegato Carlo Breinl di Wallerstern, con l'Aggiunto di Delegazione conte Giuseppe Piccioni come relatore e monsignor Ferdinando Luchi Vicario si portano alla basilica di San Barnaba.

Qui, sulla soglia, li attendono il canonico Pavoni in cappa magna con la croce d'oro e, a lato, i suoi sette "figli": i sacerdoti don Rodolfo Amus e don Giuseppe Baldini, i chierici Bartolomeo Salvadori  e Domenico Guccini in veste talare nera e poi Vincenzo Tonelli, Giovanni Passorini e Angelo Montreseur: tutti di Brescia.

Assistono anche le due prime “dignità” del Capitolo canonicale e amicissimi del Pavoni: l'arciprete del Duomo, il canonico don Faustino Giovita Pinzoni e il teologo canonico don Luigi Bianchini professore di dogmatica in Seminario, che hanno accompagnato il vicario Luchi. Alcuni chierici del Seminario (tra cui il futuro vescovo di Brescia, Giacomo Corna Pellegrini) servono all’altare.

In un sala superiore al primo piano dell’Istituto, monsignor Luchi riceve, come rappresentante la Congregazione, la donazione dei beni del canonico Pavoni, per l’erezione della stessa.
Quindi il Vicario scende nella basilica di San Barnaba meravigliosamente addobbata e stipata per ogni dove dagli alunni dell'Istituto dai più piccoli ai più grandi, dai sordomuti attenti a quanto succede, dagli ex alunni alcuni già padri di famiglia venuti dalla provincia, dagli amici nobili e gente comune, dalla vicinia di S. Barnaba, dagli amici sacerdoti.

Preso posto le autorità a lato del presbiterio, mons. Luchi rivestito del piviale intona il Veni Creator ripreso dal coro degli alunni dirimpetto all’organo. Concluso il canto dell’inno, si siede e riceve dal Pavoni il dispaccio di Governo del 3 gennaio 1847 che notifica la Sovrana Risoluzione del 9 dicembre 1846 che approva civilmente la nuova Congregazione Religiosa; a sua volta il Vicario gli consegna il Decreto ecclesiastico di formale Istituzione Canonica della stessa, in data 11 agosto 1847.

Questi due documenti vengono letti pubblicamente dal diacono assistente con l’annuncio della formale erezione della Congregazione e delle facoltà al Pavoni di reggere come superiore la Congregazione.

Conclusa la lettura, vien chiesta la benedizione degli otto futuri religiosi e delle vesti nere che devono indossare; quindi si ritirano nella laterale cappella di San Nicola.
Qui il Pavoni depone le sue insegne canonicali e veste la "povera lana" nera di Figlio di Maria assieme a don Rodolfo Amus, don Giuseppe Baldini, i chierici Salvadori e Guccini, i fratelli laici Tonelli, Passorini e Montreseur.

Quindi, tra i mormorii di meraviglia e commozione degli astanti rientra in chiesa e sale al presbiterio il piccolo gruppo preceduto dal loro "padre" Pavoni; egli si pone davanti al vicario e pronuncia la formula da lui scritta della sua professione e il giuramento di Superiore Generale della nuova Congregazione; consegna quindi i documenti a Mons. Luchi che impartisce la benedizione ai nuovi Religiosi. Quindi il Vicario torna alla sede, depone il piviale e indossata la pianeta da inizio alla Messa Solenne.

Giunti alla Comunione, inginocchiati davanti al nuovo Superiore Generale, don Amus e Giovanni Passorini fanno ad alta voce la professione perpetua, mentre il chierico Salvadori, il chierico Guccini e il laico Tonelli quella temporanea (di tre anni) e quindi consegnano il relativo scritto firmato.

Alla fine della S. Messa, indossato di nuovo il piviale, mons. Luchi intona il Te Deum di ringraziamento che viene proseguito da tutta l’assemblea con l’accompagnamento dell'organo.

Finita la cerimonia i protagonisti si portano in una sala del piano superiore dell' ex convento, che dà verso l'ortaglia Balucanti, dove viene letto l'atto di donazione che il Pavoni fa alla neonata Congregazione; quindi si stende per mano del notaio Giuseppe Rossa l'Istromento di fondazione; i testimoni dell’atto sono: il Cavalier Clemente Di Rosa e don Siro Ronchi che appongono la loro firma, dopo quelle di Breinl Cav. di Wallerstern I. R. Delegato Provinciale, del Vicario Generale Capitolare Canonico Ferdinando Luchi, del Superiore Generale prete Lodovico Pavoni, del Conte Piccioni Aggiunto Referente, dei sacerdoti Giovanni Agostino Rodolfo Amus e Giuseppe Baldini, dei chierici Salvadori Bartolomeo e Guccini Domenico e di Vincenzo Tonelli.

Subito dopo la solenne cerimonia, il nuovo superiore generale scende in basilica e celebra solennemente la santa messa, attorniato dai suoi nuovi confratelli.


Breve cronologia da (Festa da)
IMACULADA 1847
em São Barnabé, Bréscia


1847, quarta-feira, solenidade da Imaculada Conceição. Os sacerdotes: pe. Rodolfo Amus, vice-diretor e pe. José Bandini, prefeito (assistente dos alunos), já celebraram a missa (na Igreja) em São Barnabé, enquanto o Diretor Cônego, pe. Ludovico Pavoni está escrevendo a fórmula do juramento e o texto da profissão religiosa.

Às 08:30h, dirigiram-se para a Basílica de São Barnabé o Delegado imperial, Carlos Breinl de Wallerstern com o Adjunto da Delegação, Conde José Piccioni, bem como o relator e Monsenhor Fernando Luchi.


Aqui, no limiar, o Cônego Pavoni os espera com a capa magna, com a cruz de ouro e, ao lado, os seus setes ‘filhos’: os sacerdotes: pe. Rodolfo Amus e pe. José Baldini, os clérigos Bartolomeu Salvadori e Domingos Guccini vestidos com a batina preta e ainda Vicente Tonelli, João Passorini e Ângelo Montreseur: todos de Bréscia.

Assistem também as duas primeiras autoridades do Capítulo dos Cônegos, amicíssimos do Pavoni: o Reitor da Catedral, o Cônego pe. Faustino Giovita Pinzoni e o teólogo Cônego pe. Luís Bianchini professor de Dogmática no Seminário, que acompanhavam o  Monsenhor Luchi. Alguns clérigos do Seminário (entre os quais o futuro Bispo de Bréscia, Tiago Corna Pellegrini) servem ao altar.

Numa sala superior do primeiro andar do Instituto, Monsenhor Luchi recebe, como representando a Congregação, a doação dos bens do Cônego Pavoni, para fundar a mesma.
Depois o Monsenhor desce na Basílica de São Barnabé maravilhosamente ornada e toda tomada de alunos do Instituto dos menores aos maiores; de surdos, atentos ao que se sucede; de ex-alunos dos quais alguns já como pais de família provenientes da região; de amigos nobres e pessoas comuns, vizinhas à Igreja de São Barnabé e de amigos sacerdotes.

Depois que as autoridades tomaram seu lugar ao lado do presbitério, Mons. Luchi revestido do véu pluvial entoa o hino “Veni Creator” acompanhado pelo Coro dos alunos de frente ao órgão. Terminado o canto, senta-se e recebe do Pavoni a Carta do Governo de 03/01/1847 que comunica sob Decreto de 09/ 12/1846 que aprova civilmente a Nova Congregação Religiosa; por sua vez o Monsenhor lhe entrega o Decreto eclesiástico oficial de Instituição Canônica da mesma, na data de 11/08/1847.

Esses dois documentos são lidos publicamente pelo diácono assistente com o anúncio oficial da Instituição da Congregação e das faculdades ao pe. Pavoni de reger como Superior (geral) da Congregação.

Concluída a leitura, vem o pedido da bênção por parte dos oito futuros religiosos e das batinas pretas que devem vestir; então se retiraram pelo altar lateral dedicado a São Nicolas. Aqui o pe. Pavoni retira as insígnias de Cônego e veste a ‘pobre batina de lã’ preta dos Filhos de Maria juntamente com pe. Rodolfo Amus, pe. José Baldini, os clérigos Salvadori e Guccini, os irmãos leigos Tonelli, Passorini e Montreseur.

Então, entre os murmúrios de maravilha e a comoção dos presentes, o pequeno grupo volta à Igreja e sobe ao presbitério à frente deles o ‘pai’ Pavoni; ele se põe diante do Monsenhor e pronuncia a fórmula de profissão por ele escrita e o juramento de Superior geral da nova Congregação; entrega então os documentos a Mons. Luchi dá a bênção aos novos religiosos. Então o Monsenhor volta à cátedra, retira o véu pluvial e veste a casula para dar início à Missa Solene.


No momento da comunhão, de joelhos diante do novo Superior geral, pe. Amus e ir. João Passorini fazem em alta voz a profissão perpétua, enquanto os clérigos Salvadori e Guccini e o irmão leigo Tonelli a profissão temporária (de três anos) e então entregam o documento escrito e assinado.

Ao final da Santa Missa, novamente vestido com o véu pluvial, Mons. Luchi entoa o “Te Deum” de agradecimento, juntamente com toda Assembleia, acompanhados pelo órgão.


Terminada a cerimônia os protagonistas vão para uma sala no piso superior do ex-convento, que dá visão à horta da família Balucanti, onde é lido o ato de doação que o Pavoni faz à nova Congregação; então o tabelião José Rossa lavra à mão o Instrumento de fundação; as testemunhas do ato são: o cavalheiro Clemente Di Rosa e pe. Siro Ronchi, que assinam, e depois deles, Breinl Cav. di Wallerstern I. R. Delegado Provincial, o Vigário geral Capitolar Cônego Ferdinando Luchi, do Superior geral pe. Ludovico Pavoni, do Conde Piccioni Aggiunto Referente, dos sacerdotes João Agostinho Rodolfo Amus e José Baldini, dos clérigos Bartolomeu Salvadori e Domingos Guccini e do irmão Vicente Tonelli.


Logo depois à Solene cerimônia, o novo Superior geral desce à Basílica  e celebra solenemente a Santa Missa, circundado pelos seus novos confrades.


Adaptação, revisão e tradução: Ir. Rino Questa e Ir. Thiago Cristino, religiosos pavonianos.

sábado, 3 de dezembro de 2011

O Superior geral


Imagem de Maria Imaculada
venerada pelo Pe. Pavoni.

Caríssimos irmãos e leigos da Família pavoniana,
estamos nos preparando para celebrar a solenidade da Imaculada, que acontece nos primeiros passos de um ano que queremos caracterizar como “Ano da missão educativa pavoniana”.
Sabemos o lugar especial que Maria ocupou na vida e na obra do Padre Fundador. Gostaria, então, de refletir com vocês sobre a ligação da figura de Maria com nossa missão apostólica e educativa. Pode ser um modo para nos dispormos a celebrar com fruto esta festa anual, que sentimos particularmente querida e nossa.

“Maria … guardava todas estas coisas, meditando em seu coração” (Lc 2, 19 e 51)

Duas vezes, no evangelho de são Lucas, encontramos esta expressão com referência a Maria. A primeira vez em Belém, depois do nascimento de Jesus e da visita dos pastores. A segunda vez em Nazaré, depois do episódio do desaparecimento e do re-encontro de Jesus, com doze anos, no templo de Jerusalém.
Tendo presente a essencialidade que distingue os evangelhos, esta dupla lembrança acentua um elemento de consistente relevância na relação entre Maria e Jesus. Maria, como mãe de Jesus, é apresentada com uma atitude meditativa a respeito dos acontecimentos sobre seu Filho. Maria guarda e medita sobre os acontecimentos que se desenrolam em torno de Jesus e dos quais Jesus é protagonista.
O seu papel materno é marcado por esta atitude meditativa. Uma atitude que, desde o início, marca o seu caminho e que a leva a ser plenamente disponível ao projeto de Deus.
No mistério da concepção de Jesus, Maria põe em segundo plano os seus projetos pessoais e se submete á vontade de Deus, intuindo estar envolvida por um desígnio mais amplo, que começa a se manifestar no que acontece depois do nascimento de Jesus em Belém. A visita dos pastores, que referem a visão e a mensagem dos anjos, abre uma luz sobre a identidade e sobre a missão daquele Filho que deu à luz.
Uma missão que, depois dos anos da infância, vem confirmada por ele, embora sempre misteriosamente, no momento do seu re-encontro entre os doutores, no templo: “Não sabíeis que devo me ocupar das coisas do meu Pai?”. (Lc 2, 49). Diante desta resposta, Maria continua a refletir no seu coração. E continua, deste jeito, a estar junto de Jesus como mãe e educadora, perseverando numa dupla atitude: a disponibilidade plena ao projeto de Deus sobre ela e a disponibilidade para favorecer o projeto de Deus sobre o próprio filho Jesus.

“Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1, 38 b)

Penso que também nós, religiosos e leigos pavonianos, somos chamados a assumir, como fundamentais, estas mesmas atitudes de Maria, seja a respeito da nossa vocação pessoal, seja a respeito da nossa missão apostólica e educativa.
- Antes de tudo, a atitude meditativa. Frequentemente corremos o risco de permanecer na superfície da realidade e de julgar os acontecimentos e as pessoas com critérios somente humanos ou até mesmo mundanos. Arriscamos escutar a palavra de Deus de modo pouco aprofundado e apressado, sem que penetre no nosso íntimo e plasme a nossa mentalidade e o nosso estilo de vida.A escuta da Palavra exige ser feita num clima de recolhimento e de oração. Assim, guiados pela Palavra, conseguimos ler os acontecimentos da humanidade e da nossa vida de maneira correta e sabemos perceber a presença e a ação de Deus no mundo e em cada pessoa.
- Uma verdadeira escuta leva-nos a perceber a vontade de Deus sobre nós, a acolher e a realizar o seu projeto, à imitação da disponibilidade e da fidelidade de Maria. Isto significa e comporta viver de modo autêntico a nossa vocação, seja ela leiga ou religiosa. Também é pedido a cada um de nós, todo dia, repetir de coração a Deus, não somente com palavras, mas com a coerência de vida, a resposta de Maria a Deus, por meio do anjo: “Faça-se em mim segundo a tua palavra”.
- A disponibilidade ao projeto de Deus é o cume da vocação do cristão, aliás, do ser humano. E é esta a meta de um autêntico processo educativo: ajudar cada jovem a descobrir e a realizar o projeto que Deus tem sobre ele. Assim Maria fez com Jesus. Assim cada educador é chamado a fazer com todos que lhe são confiados. Os meios são múltiplos, as possibilidades são várias, ligadas aos talentos que Deus concede a cada um. As vocações são diversas e complementares, mas a meta é única: colocar a própria vida a serviço dos irmãos, guiados pelo amor de Deus. Assim, a vida se realiza em plenitude. Cada ação educativa (em nível humano, cultural/profissional e cristão) deve favorecer a obtenção deste ideal.

O dia da Imaculada: aderir e colaborar como Maria ao projeto de Deus

O que significa para nós religiosos renovar os votos de castidade, pobreza e obediência no dia da Imaculada? O que significa para vocês leigos renovar neste mesmo dia a promessa de partilhar o carisma pavoniano? Significa nos colocarmos na atitude de Maria; significa renovar o dom e o compromisso de aderir e de colaborar fielmente com o projeto de Deus sobre nós e favorecer a realização do projeto de Deus sobre cada jovem nosso.
É um dom e um compromisso que nos toca pessoalmente e também como Família pavoniana. Há um projeto de Deus que nos une, religiosos e leigos, para realizar na Igreja o testemunho de um carisma espiritual e de uma missão apostólica e educativa, que padre Pavoni iniciou por inspiração divina.
Enquanto reafirmamos a nossa adesão pessoal ao desígnio de Deus, procuremos intensificar também a unidade entre nós, o apoio recíproco, a colaboração com todo o coração pela causa comum. Esta causa não é somente nossa ou não é tanto nossa; é a causa de Deus, é a causa de quantos são confiados a nossas instituições. À luz da palavra de Deus e à exemplo de Maria, superemos todo preconceito em relação ao outro, todo motivo de contradição, de dissabor, de lamento. O Senhor nos pede que sejamos unidos, se quisermos que o nosso testemunho tenha credibilidade e que o nosso serviço seja eficaz; e isto é certamente também o desejo de Maria e do nosso Padre Fundador. A unidade que experimentamos no dia da Imaculada seja uma unidade que continua, dia após dia, em todo o resto do ano.

Agenda de dezembro, da Imaculada ao Natal do Senhor

No dia 8 de dezembro, nos sentiremos unidos, de modo especial, aos jovens religiosos que renovarão a profissão e aos que recordam em 2011 um significativo aniversário da profissão religiosa: 25° (pe. Giorgio Grigioni e pe. Luca Reina), 50° (ir. Franco Caresia, pe. Damiano Fogliata, pe. Aurélio Gallina, pe. Pietro Lombardi e pe. Cesare Moreschi), 60° (pe. Agostino Galavotti, pe. Luciano Pleuteri, pe. Giuseppe Regazzoni e pe. Giuseppe Rossi), 65° (pe. Silvio Menghini, pe. Mario Parolini e pe. Lino Tagliabue).
Naquele dia emitirá a profissão perpétua, em Milão, ir. Pierre Michel Towada Towada que, depois, domingo, dia 11, será ordenado diácono por d. Erminio De Scalzi, vigário episcopal de Milão.
No mesmo domingo, dia 11, farão a primeira profissão religiosa, em S. Leopoldo, no Brasil, os noviços Carlos, Ivan e Joimar.  No dia 7, entrarão para o noviciado, em Villavicencio, dois jovens colombianos: Andrés Mauricio Carreño Pinzón e Javier Hernán Marcelo Padilla.
Sábado, dia 10, na nossa igreja de Bréscia, será conferido o mandato missionário a pe. Flavio Paoli e a ir. Pierre Michel Towada Towada, que no mês de janeiro darão início à presença da Congregação em Burkina Faso, com uma obra em favor dos jovens surdos, situada em Saaba, nas vizinhanças da capital Ouagadougou.
Segunda-feira, dia 19, em Tradate, haverá uma reunião do Conselho geral.

Estamos no Advento, a caminho do Natal do Senhor.
Vivamos este tempo, em união com a Virgem Maria, cultivando em nós os mesmos sentimentos de Cristo Jesus, como nos convida o apóstolo Paulo.  Irmãos, “completem a minha alegria: tenham uma só aspiração, um só amor, uma só alma e um só pensamento. Não façam nada por competição e por desejo de receber elogios, mas por humildade, cada um considerando os outros superiores a si mesmo. Que cada um procure, não o próprio interesse, mas o interesse dos outros” (Fl 2, 2-4).
É o meu desejo e a minha esperança em vista do Natal do Senhor.

pe. Lorenzo Agosti
 Tradate, 1° de dezembro de 2011, 3° dia da novena da Imaculada. 


Para mais informações sobre a Imaculada do Pavoni, visite o link:

http://pavonianos.blogspot.com/2008/10/imaculada-do-pavoni-obra-do-escultor.html

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Mensagem de Natal

Saudações Pavonianas!

(Viva Jesus Viva Maria) - V.J.V.M.

Atendendo a pedidos, postamos dois cartões virtuais de Natal... Em breve postaremos outros. Aguardem!




sábado, 19 de novembro de 2011

Escatologia moderna: na morte a alma não se separa do corpo


BLANK, Renold J. Escatologia da pessoa: vida, morte e ressurreição. In.:___Na morte a alma não se separa do corpo. São Paulo: Paulus, pp. 75-113.

O presente texto trás à tona questionamentos e respostas a um tema não pouco polêmico relacionado à escatologia cristã. O método tradicional e o mais vigente é posto em cheque quando comparado ao método antropológico bíblico (em si muito antigo, mas repensado a partir da década de 70).
A esses dois métodos são postos alguns problemas até então não resolvidos – ou pelo menos que ainda causam muitos outros impasses –, a saber: como se dá a ressurreição do corpo? Há separação entre a alma e o corpo? O purgatório existe? Para tanto far-se-á uma análise do processo histórico com suas causas e consequências, até chegar aos nossos dias com a posição atual da Teologia católica que encontra sustentação no Magistério da Igreja.

1.    Esquema Antropológico dualista-binário (influência helênica, sem nexo bíblico, fruto do orfismo – Platão – séc. VII a.C.)

De acordo com o modelo tradicional na morte, a alma (imortal) se separa do corpo (mortal) e entra numa dimensão nova ETERNIDADE. Ali, há um Juízo (particular) e conforme o resultado deste juízo a alma ou entra diretamente no inferno (tormento) ou depois de ter passado certo ‘tempo’ no PURGATÓRIO, entra no céu (felicidade). Desse modo ela ‘aguarda’ a chegada do JUÍZO FINAL (FINAL DOS TEMPOS - ressurreição do corpo).
A morte nesta perspectiva atinge somente o corpo, pois para os cristãos a vida continua depois da morte. Enterramos, portanto, o cadáver, comumente chamado de ‘corpo’, isto é, aquilo que podemos tocar e ver. Mas como compreender esta verdade, quando se está diante da verdade inegável do cadáver? A resposta que temos é um recurso a um modelo antropológico dualista-binário: separação de uma alma (espiritual - essência do homem), que na morte, se separa do corpo (matéria). Tal modelo parece explicar a fé numa vida após a morte de maneira satisfatória.
Algumas conseqüências, a partir das reflexões críticas, foram inevitáveis.
a)   A Teologia redescobriu a antiga antropologia bíblica;
b)   Efeitos nefastos e desastrosos em termos de uma espiritualização: desprezo cada vez maior pelo homem material e concreto e por suas condições de vida histórica. Além de ter aberto caminho para pensamentos e doutrinas reencarnacionistas.

2.    Esquema Antropológico bíblico (influência semítica, com embasamento bíblico)

Contrariamente ao pensamento dual-helenístico, para seus maiores representantes desde Santo Tomás de Aquino, passando por Jean Vernette e Ernest Haag, além de Karl Rahner, Joseph Ratzinger (atual Papa Bento XVI) e, sobretudo pelo teólogo alemão Gisbert Greshake, o ser humano é uma única substância indivisível, onde a alma é a forma do corpo. Como a substância não pode ser separada ou dividida sem que deixe de ser, tal pensamento dá ênfase da concepção bíblica do homem.
A Bíblia (Ecle 3,19-20; Mt 10,28 dentre outros textos) apresenta um modelo não dualista do homem: “o homem é uma unidade que não pode ser dividida em dois princípios, isto é, corpo e alma. Consequentemente não é possível que, na morte, uma alma se separe do corpo” (BLANK, 2000, p. 81).
A alma nunca se separa do corpo, porque ela forma com ele uma unidade indivisível da pessoa humana única e substancial. Esta pessoa entra numa dimensão atemporal, chamada eternidade. Numa dimensão sem tempo não se pode aguardar nada. A alma não tem tempo de separar do corpo. O ‘momento da morte’ e o ‘momento do Final dos Tempos’ coincidem na ‘eternidade’ no qual necessariamente acontece a ressurreição do corpo. A morte não significa uma aniquilação, mas uma profunda transformação de todo o seu ser. Agente transformador é Deus. Ele mantém e preserva a identidade total e global daquilo que esta pessoa é, em todas as suas dimensões, de modo que o homem alcança a sua plena identidade pessoal (cf. BLANK, 2000, pp. 108-110).
A base desta concepção está na conscientização de que a alma não pode ser compreendida em termos de uma substância separada do corpo, mas como princípio integrativo (de modo que nunca ela pode ser separada do corpo). O homem é um todo: “contra a tendência platonizante na Teologia, deve-se compreender o ser humano dentro da perspectiva da história de Deus com o mundo (uma história que envolve Corpos concretos)” (BLANK, 2000, p. 86).

Conclusão

O modelo tradicional apresenta ainda outros problemas que devem ser superados: a) leva-nos a questionar se uma alma sem corpo poderia ser plenamente feliz (=salvação). Dentro do enfoque tradicionalista e dualista, afirmando-se que a alma, fica mais feliz sem o corpo, porque o seu verdadeiro ser é o ser espiritual; b) a ideia de que a alma, sozinha, poderia aguardar na eternidade a ressurreição do corpo entra em contradição à lógica daquilo que significa ‘Eternidade”. Para Rahner intervalo – ‘espera’ – entre Juízo final e o particular não poder ser compreendido com uma continuação do tempo. Para Deus nosso tempo não existe.
Pelo fato de não haver nele sustentação à fé cristã na ressurreição a rejeição é inevitável.

Apreciação

O autor parece não esclarecer como se escapa da contradição do ‘cadáver’ ao sustentar a ressurreição do corpo. Todavia, o modelo bíblico é o que mais e melhor responde os problemas acerca da escatologia, bem como favorece uma teologia do corpo, assumido por Cristo e por isso mesmo é bom. 

Por: Ir. Thiago Cristino, fmi
Estudante de Teologia
Escatologia moderna - estudo em construção 

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Mariologia social no Documento de Puebla


Por: Ir. Thiago Cristino, FMI
Estudante de Teologia  - ISB - Brasília



1.    Considerações iniciais:
Pela primeira vez a Igreja da América Latina na III CELAM (Puebla) expôs uma Mariologia ‘contextual’. O bloco mariológico está situado, sobretudo, nas seções 282-303, e forma um dos documentos regionais mais significativos do Magistério regional com respaldo positivo (receptio) da Igreja de Roma e outras Igrejas regionais, por isso faz autoridade em nível ‘Católica’.
Possui um princípio axial - método de confronto: Maria-Sociedade (foco social). Tal Magistério recente vem colaborar para enriquecer essa reflexão, haja vista que existem poucos documentos que enfocam especificamente o tema: a Marialis Cultus – MC – texto maior em termos de sociomariologia - de Paulo VI e cartas, encíclicas e homilias de João Paulo II.
Depois de 25 anos o Documento de Puebla (DP) ainda não foi superado. A sociomariologia em Puebla, como no Vaticano II é posta no quadro da eclesiologia, sob quatro eixos estruturantes: Maria e a cultura da Latino-americana, Maria e a Evangelização, Maria e a Mulher na América Latina e Maria e a libertação social do continente.
A concentração deste estudo será neste último tema, pois perpassa a ótica geral do trabalho. Além disso, objetiva-se destacar os elementos significativos dessa Mariologia social, ainda que estejam em estado germinativo, bem como articulá-los com os outros eixos.

2.    Maria: Mulher libertadora (DP, 297 e 333)

Este é o ponto mais pertinente: a imagem da Virgem é aqui derivada do Magnificat (cf. Lc 1,46-55), ‘espelho da alma de Maria’. Ponto culminante da espiritualidade dos anawim (os pobres de IAHWEH) e do profetismo da Primeira aliança. Assim o documento assume a linguagem soft de João Paulo II em detrimento da hard de Paulo VI com a MC: “Maria aparece precisamente como uma pessoa que intercede, e não, como na citação anterior, como mestra que instrui ou modelo que inspira” (BOFF, 2006, p. 101).

De Maria, que, em seu canto do Magníficat, proclama que a salvação de Deus tem muito mais a ver com a justiça para com os pobres, ‘parte também o compromisso autêntico com os outros homens, nossos irmãos, especialmente pelos mais pobres e necessitados e pela necessária transformação da sociedade” (DP, 1144)

Novidade:
- a proximidade de Maria com o tema da ‘transformação social’;
- a figura da Virgem se carrega de força propulsiva em ordem à ação política;
- ‘a poderosa intercessão de Maria permitirá superar as estruturas do pecado na vida pessoal e social’ (JPII).

3.    Maria: Mulher (pessoa) livre e ativa (DP, 293)

Tema fundamental, pois toca a liberdade da pessoa humana, premissa básica para qualquer trabalho social e condição de toda ação sociolibertadora. O texto retoma a crítica da MC, 37 em relação à imagem da Virgem ‘passiva’ e ‘alienada’, ao invés disso, o DP esboça uma imagem ‘ativa’ e ‘dinâmica’, enquanto ‘cooperadora ativa’ da Redenção. Desse modo, Maria torna-se, na linguagem de Puebla, ‘a grande protagonista da história’, entendida em dois planos.




PLANO SOBRENATURAL


História Salvífica


Salvação objetiva: através do Fiat (livre). O ‘SIM’ tornou possível a encarnação do Verbo e conseqüentemente a Redenção em Cristo.


Salvação subjetiva: através da sua intercessão materna, pois ‘Ela, gloriosa no céu, atua na terra’ (DP, 288)




PLANO NATURAL



História humana

- é personagem central na carreira histórica do Messias, seu Filho;
- é figura popularíssima seja porque seu exemplo impulsiona pessoas e coletividades a ‘fazer história’ ou ainda através de suas aparições.
- é ‘intercessora poderosa’ que muda o curso da História e ‘supera as estruturas do pecado’ (com suas aparições desenvolvimento).

4.    Maria: Mulher pobre e forte (DP, 302 – retoma MC 37, §2)

O DP não foi mais longe neste tema tão importante para a tradição Cristã e relevante para a América Latina e seu contexto de pobreza inumana. Havia, sim, um documento de trabalho enfocando a identificação com os pobres e de suas lutas com a pessoa de Maria, mas não foi aceito. ‘Assim – dizia o documento – os fieis da América Latina se identificam com ela em seu sofrimento e pobreza e em suas lutas contra as injustiças - n. 567’ (BOFF, 2006, p.103).

5.    Maria: Mulher da Encarnação (DP, 299, 301 e 303)

Esta ideia, embora em estado germinal, é bastante fecunda em relação ao problema social, quando reza: “Deus se fez carne por meio de Maria, começou a fazer parte de um povo... Sem Maria desencarna-se o Evangelho, desfigura-se e transforma-se em ideologia, em racionalismo espiritualista” (BOFF, 2006, p.104).

6.    Maria: Figura constitutiva da identidade da AL

O DP ressalta que a devoção a Maria além de ‘elemento qualificador e intrínseco do culto cristão’ (DP, 56), pertence à ‘identidade própria’ dos povos da AL (DP, 283). Tanto o é, que um católico só deixará de sê-lo no dia em que deixar de ser mariano. Por isso mesmo os Bispos da AL dão a ela títulos historicamente verdadeiros e pastoralmente estimulantes. Não obstante, no rosto mestiço da Morenita, contemplamos o ‘rosto materno e misericordioso’ do Pai e de Cristo (DP, 282).
Assim, Maria está intimamente ligada não somente à história desses povos, mas também à sua cultura e construção política. (Pensa-se aqui nos diversos títulos, frutos das aparições).

7.    Sentido antropológico e social dos dogmas marianos (DP, 298, 330, 333-334).
 (O DP oferece uma reflexão mais ampla na parte V)

O DP oferece sugestões originais para uma releitura antropológica e social dos dogmas marianos da Imaculada Conceição e da Assunção ao céu.

ASPCETO ANTROPOLÓGICO
(DO HOMEM E DO MUNDO)
Dimensão Protológica
(arché / primeira)
Dimensão Escatológica
(telos / última)
Imaculada Conceição

‘Rosto do novo homem’ que habita os céus e contempla a face de Deus.
Nossa Senhora da Glória (Assunção)

‘Manifestação e sentido do corpo’ e até da ‘criação material’ que desse modo começa a ter parte no corpo ressuscitado de Cristo.
ASPCETO SOCIOLÓGICO
(significação sociológica implicada nessa Antropologia)

Tanto o ícone da Imaculada como o da Assunta evocam e inspiram o respeito pela DIGNIDADE da Pessoa Humana e despertam para uma iniciativa histórica.
“MATER DEI”
*Perspectiva eclesiológica*

Igreja: ‘família de Deus’ (DP, 238-249)
Maria: mãe de família (DP, 285, 291, 295)
VIRGINDADE
Ainda é vago. Mas o DP (294) olha para esta realidade como sendo ‘fecundidade’ e ‘serviço’.

8.    Maria: A Mulher por excelência (DP 299) – A questão de gênero (FEMININO) é original em Puebla.
Os bispos declaram: “Maria é mulher! Ela é, como tal, expressão máxima da dignidade das filhas de Eva, enquanto o Criador as elevou, na Mãe de Deus, a ‘dimensões inimagináveis’. Maria é uma garantia para a grandeza da mulher” (DP, 299).
Assim, Maria e seu Filho são imagens ideais da mulher e do homem respectivamente, levam a promover a igualdade fundamental de ambos os sexos e ao mesmo tempo sua ‘diversidade’ (DP, 334). Ela é modelo de feminilidade, enquanto mostra a forma específica[1] do ser mulher.

9.    Excurso: Maria, ‘mulher síntese’ segundo Puebla?

MARIOLOGIA

No Magistério Universal: Marialis cultus, 37; Libertatis conscientiae, 97-98 e a Redemptoris mater, 37
No Documento de Puebla



Maria é colocada como sendo capaz de integrar em si mesma os aspectos da libertação cristã: soteriológica e ética-social, escatológica e histórica.


- Omite a ideia de Maria como ‘modelo inacabado’ de cristão;
- Entrevê um análogo papel sintetizador  da figura de Maria, operando em outros planos, como no da Cultura e da História em geral (encontro entre fé e história – evento guadalupano); ou no plano da Espiritualidade, segundo o qual Maria ensina a ‘conjugar’ contemplação adorante e ação evangelizadora (cf. DP, 294).

10.    Considerações finais

O Magistério pastoral, e seus diversos planos, oferece inegavelmente uma surpreendente riqueza de elementos em favor de uma Mariologia social, mesmo se são mais indicados do que desenvolvidos, por estarem ainda em estados germinais. Todavia, acresce e fomenta reflexões para que tais questões sejam sempre mais aprofundadas.

11.    Bibliografia básica

BOFF, Clodovis. Mariologia social: O significado da Virgem Maria para a sociedade. In.:___Mariologia social no Documento de Puebla. São Paulo: Paulus, 2006. pp. 99-109.



[1] Vocação de ser alma, dedicação que espiritualiza a carne e encarna o espírito.


Oração Vocacional Pavoniana

Oração Vocacional Pavoniana
Divino Mestre Jesus, ao anunciar o Reino do Pai escolheste discípulos e missionários dispostos a seguir-te em tudo; quiseste que ficassem contigo numa prolongada vivência do “espírito de família” a fim de prepará-los para serem tuas testemunhas e enviá-los a proclamar o Evangelho. Continua a falar ao coração de muitos e concede a quantos aceitaram teu chamado que, animados pelo teu Espírito, respondam com alegria e ofereçam sem reservas a própria vida em favor das crianças, dos surdos e dos jovens mais necessitados, a exemplo do beato Pe. Pavoni. Isto te pedimos confiantes pela intercessão de Maria Imaculada, Mãe e Rainha da nossa Congregação. Amém!

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Sou fundador da Congregação Religiosa dos Filhos de Maria Imaculada, conhecida popularmente como RELIGIOSOS PAVONIANOS. Nasci na Itália no dia 11 de setembro de 1784 numa cidade chamada Bréscia. Senti o chamado de Deus para ir ao encontro das crianças e jovens que, por ocasião da guerra, ficaram órfãos, espalhados pelas ruas com fome, frio e sem ter o que fazer... e o pior, sem nenhuma perspectiva de futuro. Então decidi ajudá-los. Chamei-os para o meu Oratório (um lugar onde nos reuníamos para rezar e brincar) e depois ensinei-os a arte da marcenaria, serralheria, tipografia (fabricar livros), escultura, pintura... e muitas outras coisas. Graças a Deus tudo se encaminhou bem, pois Ele caminhava comigo, conforme prometera. Depois chamei colaboradores para dar continuidade àquilo que havia iniciado. Bem, como você pode perceber a minha história é bem longa... Se você também quer me ajudar entre em contato. Os meus amigos PAVONIANOS estarão de portas abertas para recebê-lo em nossa FAMÍLIA.