terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Ordenações diaconais e presbiteral: «Com Cristo, ao serviço da Igreja e do mundo»


Abaixo segue uma homilia de † Dom Antônio Carrilho, Bispo do Funchal (Portugal) acerca das Ordenações Diaconais e Presbiteral em sua diocese.

É uma reflexão para as ordenações que serão realizadas pela imposição das mãos e oração consecratória de sua Excelência Revma Dom Sergio da Rocha, Arcebispo Metropolitano de Brasília, na Paróquia de São Sebastião, Gama/DF, que está sob os cuidados pastorais dos Religiosos Pavonianos, no dia 28 de janeiro de 2012 às 18h.

Será ordenado Presbítero Ir. Célio Alex Araújo Pereira e Diáconos os Irmãos César Thiago do Carmo Alves, José Roberto de Oliveira Filho e Thiago Cristino, todos religiosos Filhos de Maria Imaculada - Pavonianos.

Sua presença amiga e orante é de suma importância para motivar e sustentar este nosso ministérios que de coração alargado assumiremos em nossas vidas.
Um grande e fraterno abraço!
Ir. Thiago Cristino, FMI


A autoridade como serviço

Celebra o calendário da Igreja universal, neste dia 25 de Julho, a festa de S. Tiago Maior, irmão de S. João Evangelista. A liturgia da Palavra introduz-nos na dinâmica do seguimento de Cristo, o Filho de Deus, que veio para servir e dar a vida pela salvação do mundo (cf. Mt 20,29).
Na 2ª Carta aos Coríntios (4,7-15), que escutamos na primeira leitura, S. Paulo evoca a graça e a sublimidade do ministério, com os seus paradoxos, que nos desarmam, pela grandeza da missão e dos sofrimentos inerentes à mesma. A fragilidade dos discípulos de Jesus é enaltecida, para que melhor se depreenda que transportam em "vasos de barro o tesouro do ministério" (2Cor 4,7).

À semelhança do ardente Apóstolo da Palavra e conscientes da grandeza da missão e da fragilidade humana, os sacerdotes e os diáconos aceitam alegremente o desafio da aventura evangélica. Eles devem testemunhar com a sua vida a Beleza do Rosto de Cristo e da Igreja. Na fidelidade a Cristo e em profunda comunhão eclesial, empenhem-se, por isso, como recomenda S. Paulo a Timóteo, por "reavivar o dom de Deus" que cada um recebeu (cf. 2Tm 1,6), com um coração indiviso, uma verdadeira caridade e solicitude pastoral para com todos.
O relato do Evangelho de Mateus (20, 20-28), há pouco proclamado, de grande densidade teológica, situa-se no contexto do último anúncio da Paixão de Jesus, já na iminência da Sua Páscoa. Ao pedido ambicioso de Salomé, mãe de Tiago e João, de honras, poder e domínio, Jesus aponta aos apóstolos o autêntico caminho do seguimento: beber o cálice até ao fim, como Ele (cf. Mt 20,22). Participar neste cálice significa permanecer humildemente fiel, identificado totalmente com Jesus.

O Mestre adverte claramente sobre os perigos de uma autoridade entendida como instrumento de glória e de poder. A Sua mensagem sobre a autoridade como serviço é absolutamente nova e revolucionária. O Filho de Deus encarnou, em plenitude, os gestos do autêntico serviço e autoridade, ao entregar voluntariamente a própria vida à morte para salvar a humanidade. Também o sacerdote e o diácono, através do Sacramento da Ordem e iluminados pela sabedoria da Cruz até à oferta da vida, testemunham o serviço da verdadeira autoridade de Cristo na comunidade eclesial.

Seduzidos e apaixonados por Cristo

A iniciativa do Ano Jubilar Sacerdotal, na continuidade do Ano Paulino, sob o tema "Fidelidade de Cristo, fidelidade do Sacerdote", tem como objetivo "reforçar em todo o Povo de Deus a consciência do dom imenso, que representa o ministério ordenado para quem o recebe, para toda a Igreja e para o mundo".

Como Bispo desta comunidade diocesana e primeiro responsável pelo dinamismo vocacional, lembro a todos, especialmente aos pais e aos sacerdotes, que sensibilizem e rezem, em família e na paróquia, pelas vocações sacerdotais e religiosas, e pelo nosso Seminário, que é o "coração da Diocese". Não podemos esquecer, porém, que a melhor proposta vocacional é o testemunho feliz da própria vida, de quem vive seduzido e apaixonado por Cristo.

Uma caridade pastoral autêntica e dinâmica nasce da intimidade com o Senhor. Na vasta seara do mundo, o sacerdote e o diácono permanecem com Cristo, em assídua e vigilante escuta. Por fidelidade à missão que lhes foi confiada, são convidados a responder aos desafios do nosso tempo, na atenção e escuta das necessidades e aspirações mais fundas de todos os homens e mulheres, no serviço privilegiado aos mais pobres e a quem mais precisa de ajuda, aos que têm sede e fome de justiça, de paz e de amor. "A Igreja não pode descuidar o serviço da caridade, tal como não pode negligenciar os sacramentos nem a Palavra" - escreveu Bento XVI, na sua primeira Encíclica (Deus caritas est, 22).

Dom por excelência

Dentro de momentos, no secular gesto apostólico da imposição das mãos, o Espírito Santo unge os seus escolhidos e habilita-os para o ministério diaconal e sacerdotal. A celebração é a memória viva e atual da presença e riqueza inesgotável do Espírito Santo na vida da Igreja, no hoje da história.

Os diáconos, colaboradores dos bispos e dos presbíteros, recebem o primeiro grau do Sacramento da Ordem e são ministros ordenados para o serviço da Igreja. Como recorda o Concílio Vaticano II, "A graça sacramental dá-lhes a força necessária para servirem o povo de Deus na ‘diaconia' da Liturgia, da Palavra e da Caridade, em comunhão com o Bispo e o seu presbitério" (Lumen Gentium, 29). Sob a autoridade do Bispo, os diáconos administram o Batismo, assistem e abençoam o matrimônio, levam o viático aos moribundos e presidem às exéquias.

O presbítero, configurado com Cristo Bom Pastor e cooperador do Bispo, é chamado a seguir, testemunhar e reviver a própria caridade pastoral do Mestre. Ser padre é ser outro Cristo! Lembra-nos, também, o Concílio: "Como ministros das coisas sagradas, é sobretudo no sacrifício da Missa, que os presbíteros, de um modo especial fazem as vezes de Cristo..." (Presbyterorum Ordinis, 13).

Santo Cura d'Ars, a força do testemunho

Caros sacerdotes, diáconos e seminaristas, a grande referência do Ano Sacerdotal é, como sabeis, o Santo Cura d'Ars. Este humilde sacerdote francês não fez milagres extraordinários. Viveu com paixão e heroísmo o seu sacerdócio, humildemente, com simplicidade e alegria.
De realçar o seu singular amor a Cristo, à Igreja e à Santíssima Virgem; obediência e comunhão com o seu Bispo; fraternidade sacerdotal, amor e doação à comunidade eclesial, até ao limite das suas forças. Virtudes estas, sempre tão atuais, que fazem do Santo Cura d'Ars o modelo inspirador de sacerdotes, diáconos e seminaristas.

"O sacerdócio é o amor do Coração de Jesus", dizia, com inefável ternura, o Santo Cura d'Ars. E foi na contemplação assídua do Coração Eucarístico de Cristo, que o P. João Maria Vianney encontrou o Livro vivo de eterna Sabedoria e Amor, para o dinamismo da sua ação pastoral como sacerdote.

Servir com alegria e generosidade

Caros ordinandos: neste momento, dirijo-me particularmente a vós! Convosco dou graças a Deus, pelo ministério que hoje vos é confiado e vos coloca, com Cristo, ao serviço da Igreja e do mundo. Felicito-vos pela generosidade e alegria do "sim" da entrega da vossa vida, desejando que seja compensado, pelos tempos fora, pela paz e felicidade, que sempre brota da intimidade com Deus, no serviço do Seu Reino! 

Sei que é esta a vossa convicção profunda e, por isso, me é grato recordar algumas mensagens e sentimentos de entusiasmo, esperança e alegria, que já vós próprios expressastes, em diversos momentos, e gosto de partilhar com toda a nossa família eclesial:
"Tenho a firme consciência de que o caminho vocacional percorrido, até à Ordenação sacerdotal, e o que espero percorrer, não foi nem será um percurso individual. Nesta caminhada, passaram muitos colegas, superiores, familiares, benfeitores, amigos e muitas outras pessoas que nem o nome conheço. A todos o meu obrigado" (José Rosário).

"Estar dentro da Igreja permite-nos ver as maravilhas que Deus continua a fazer em favor do Seu Povo. Peço-lhe humildemente que complete a obra que em mim iniciou, para benefício da Sua Igreja" (Hugo Gomes).

"Fui aprendendo a conhecer, a amar e a servir a Igreja, com o testemunho de vários sacerdotes, que são para mim exemplos felizes de serviço e entrega. A todos agradeço e peço a sua oração, para que seja fiel ao dom que o Senhor me entregará na ordenação" (Ricardo Freitas).

"Louvado seja o Senhor Jesus Cristo, minha fortaleza, por tudo o que tem realizado em mim, e Sua mãe Maria Santíssima que sempre me tem acompanhado com sua ternura maternal" (Luís Miguel).

Caros amigos: que a Senhora do Cenáculo e o Santo Cura d'Ars vos acompanhem e ensinem a viver, em fidelidade criativa, os ministérios de presbítero e diáconos, que agora ides receber!




http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?id=74366


"Agora me chamas, Senhor, pela imposição das mãos de teu pontífice para servir aos teus discípulos. Não sei porque razão me escolheste; só tu sabes.
Torna, Senhor, mais leve os pesos dos meus pecados, porque te ofendi tão gravemente. purifica minha inteligência e meu coração. Sê para mim como uma lâmpada bem luminosa que me conduz pelo caminho reto.
Dá-me palavra fácil e concede-me uma linguagem clara e fluente, mediante a língua do fogo do teu Espírito, a fim de que tua presença sempre me assista.
Sê meu Pastor e apascenta comigo, Senhor, para que meu coração não se incline nem para direita nem para a esquerda; que o teu Espírito bom me conduza pelo caminho reto e as minhas obras se realizem segundo tua vontade, até a última delas". 
(São João Damasceno, século VIII).

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

O Presbítero e a Vida Comum


Por: Pe. Juan José Armendáriz Lerga 
Reitor e docente do Seminário Missionário Arquidiocesano Redemptoris Mater de Brasília.

Discorre a respeito da comunhão eclesial como elemento basilar da espiritualidade do presbítero, em especial o sacerdote diocesano, apresentando sua gênese teológica e seus aspectos práticos no modus vivendi do ministro ordenado. Para isso analisa os principais documentos magisteriais pós-Concílio Vaticano II, em especial os emanados dos dicastérios, os do pontificado de Papa João Paulo II e de algumas conferências episcopais, além da legislação canônica em vigor.

1 Um Novo Estilo de Vida Pastoral

A formação presbiteral na contemporaneidade tem sido vislumbrada pela Igreja como um dos elementos basilares na Nova Evangelização. Trata-se, evidentemente, de um fenômeno complexo que envolve uma gama variada de questões. A própria natureza do ministério ordenado exige, por parte das Igrejas locais, o estabelecimento de um programa formativo que contemple, além de uma sólida formação acadêmica, uma educação espiritual adequada e alicerçada no fomento ao espírito de comunhão e solidariedade eclesial. Em síntese, todo o ciclo formativo dos seminaristas e dos novos presbíteros deve ser amalgamado a partir destes dois aspectos que, de forma conjunta, permitam à Igreja atuar com ousadia frente às novas realidades sociais que se descortinam, exigindo, portanto, uma nova práxis por parte dos seus pastores. É nesse sentido que João Paulo II afirma:

Hoje, de modo particular, a prioritária tarefa pastoral da nova evangelização, que diz respeito a todo o Povo de Deus e postula um novo ardor, novos métodos e nova expressão para o anúncio e o testemunho do Evangelho, exige sacerdotes radical e integralmente imersos no mistério de Cristo e capazes de realizar um novo estilo de vida pastoral [1].

Aparece, pois, como desejo de João Paulo II  e da Igreja, bem como resposta ao desafio da nova evangelização, um “novo estilo de vida”. Abordou-se com profusão a identidade do sacerdote diocesano, e às vezes, com certo complexo de inferioridade frente à identidade do sacerdote religioso que, frente ao carisma de seu instituto, aparenta ser detentor de um estilo de vida bem definido em suas Constituições e Regras de Vida.
Porém, os documentos da Igreja são claros e precisos a respeito da espiritualidade do sacerdote diocesano. Vamos nos deter, somente, em um aspecto, a saber: a vida em comum do presbítero diocesano.

2 A Comunhão: Exigência da Verdadeira Identidade Sacerdotal

O Diretório para o ministério e a vida do presbítero, em sua introdução, aponta a comunhão como elemento norteador da missão presbiteral:

Assim, por exemplo, pretendeu-se esclarecer que a verdadeira identidade sacerdotal, como o Divino Mestre a quis e a Igreja viveu sempre, não é conciliável com aquelas tendências democraticistas que quereriam esvaziar ou anular a realidade do sacerdócio ministerial. Deu-se particular ênfase ao tema específico da comunhão, exigência que hoje se sente dum modo particular dada a sua incidência na vida do sacerdote [2].

Seria necessário e muito útil entrar nos aspectos teológicos da dimensão eclesiológica do presbítero, porém vamos nos centrar, sobretudo, nos aspectos práticos e concretos. Os números 12 e seguintes do Diretório em questão desenvolvem esta dimensão de comunhão com idéias verdadeiramente enriquecedoras: “Para esta comunhão com Cristo Esposo, também o sacerdócio ministerial é constituído -como Cristo, com Cristo e em Cristo- naquele mistério de amor salvífico de que o matrimônio entre cristãos é uma participação”[3].
Esta comunhão, como ensina mais adiante o documento da Congregação para o Clero, contempla, por sua própria natureza, a presença e a ação da Hierarquia eclesiástica. Para não confundi-la com o chamado “democraticismo” onde tudo ficaria reduzido a uma espécie de associação de clérigos na qual as relações mútuas se configurariam dentro de uma perspectiva sindical com reivindicações e interesses de partido, totalmente alheios à comunhão eclesial.
Os padres conciliares são categóricos em atribuir valor primordial aos aspectos comunitários da missão presbiteral: “Nenhum presbítero pode por isso, isolada e como que individualmente, cumprir de maneira satisfatória a sua missão, mas há de unir suas forças às de outros Presbíteros, sob a direção dos chefes da Igreja” [4]. Os presbíteros, segundo o mesmo documento, estão unidos entre si pela íntima fraternidade sacramental. É de suma transcendência, portanto, que todos eles, independentemente de serem diocesanos ou religiosos, ajudem-se mutuamente, cooperando, assim, com a verdade. Cada um está unido com os demais membros do presbitério por vínculos de caridade apostólica, de ministério e de fraternidade[5]. Cada um, portanto, se une assim, com seus irmãos pelo vínculo da caridade, da oração e da total colaboração, e desta forma se manifesta a unidade com que Cristo quis que fossem consumados para que o mundo conheça que o Filho foi enviado pelo Pai.
O Código de Direito Canônico, em seu cânon 275, parágrafo 1º, inclui, entre as obrigações e direitos dos clérigos, o espírito de comunhão: “Os clérigos, por trabalharem juntos para o mesmo objetivo, a saber, para a construção do Corpo de Cristo, estejam unidos entre si pelo vínculo da fraternidade e da oração e se prestem mútua ajuda, de acordo com as prescrições do direito particular” [6].
A constituição dogmática Lumen Gentium, nesta mesma direção, insiste: “Em virtude da comum ordenação sacra e missão, todos os presbíteros estão unidos entre si por íntima fraternidade, que espontânea e livremente se manifesta no mútuo auxílio, tanto espiritual como material, tanto pastoral como pessoal, em reuniões e comunhão de vida, trabalho e caridade” [7].
  

3 Questões Práticas


A fim de se evitar que o aspecto comunitário da vida presbiteral se restringisse a um elemento meramente teórico, o Concílio Vaticano II se ocupou em descer a detalhes concretos de amor, carinho e cooperação, indicando, assim, posturas a serem cultivadas para o estabelecimento de um ambiente fecundo de comunhão: os jovens presbíteros devem ser ajudados pelos de idade avançada nas primeiras iniciativas e trabalhos do ministério, hoje sempre tão árduos devido ao ambiente, tantas vezes hostil ao cristianismo e à Igreja. Antigamente as crises do presbítero chegavam após vários anos de atividade pastoral. Hoje em dia, a experiência confirma que tais confrontos se principiam já nos primeiros meses de ministério. Por isso, os presbíteros anciãos devem se esforçar por compreender a mentalidade dos jovens e tratar de ajudá-los, apoiando suas iniciativas. Os jovens, por sua vez, são estimulados a respeitar a experiência dos mais velhos, pedindo-lhes conselho e colaborando alegremente com eles. O Concílio supramencionado exorta também à prática da hospitalidade, da beneficência e da assistência mútua, evidenciado, deste modo, a carinhosa preocupação da Igreja pelos presbíteros enfermos e aflitos, pelos que estão demasiadamente sobrecarregados pela atividade pastoral, pelo que vivem em solidão aterradora, inclusive os desterrados e perseguidos, situação não incomum à época atual, em que o “abaixo assinado” no seio da paróquia tornou-se prática corriqueira, convertendo o padre em objeto descartável, freqüentemente condenado por ondas de críticas e murmurações de toda sorte, inclusive, calúnias sérias e graves que, em certos casos, tem o aval dos seus próprios companheiros.
O texto conciliar recomenda, ainda, que os presbíteros se reúnam “com gosto e prazer” para descansar. E finaliza, reafirmando a importância de se estabelecer outras medidas práticas que fomentem a comunhão e o auxílio mútuo entre os membros do colégio presbiteral:

Além disso, para os Presbíteros encontrarem mútuo auxílio no cultivo da vida espiritual e intelectual, para melhorarem a cooperação no ministério, para se livrarem dos perigos de solidão que acaso surgirem, incentive-se entre eles alguma vida comunitária e alguma sociedade de vida que, no entanto, pode revestir-se de muitas formas, segundo as necessidades diversas, pessoais e pastorais, como seja a coabitação, onde possível, ou a mesa comum, ou ao menos reuniões freqüentes e periódicas. Merecem alta estima e diligente promoção as associações que, com estatutos reconhecidos pela autoridade competente, por um plano acertado e convenientemente experimentado de vida, numa assistência fraterna, estimulam a santidade dos sacerdotes dentro do exercício do ministério, num esforço de assim servir a toda a Ordem dos Presbíteros. Afinal, por motivo da mesma comunhão no sacerdócio, saibam-se os Presbíteros especialmente obrigados para com os que se encontram em alguma dificuldade. Em tempo lhes prestem apoio, mesmo se for o caso de admoestá-los discretamente. Aos que, porém se transviaram em algum ponto, acompanhem-nos sempre com fraterna caridade e alma grande, multipliquem em favor deles ardentes súplicas a Deus e se lhes revelem continuamente como sendo de fato irmãos e amigos  [8].

Dentro deste contexto, o Diretório supramencionado dedica várias páginas para discorrer a respeito do assunto. O item “Comunhão sacerdotal” aborda a comunhão como realidade trinitária, cristológica, eclesial, dissociada da perspectiva hierárquica da Igreja, da obediência ao Papa e aos ordinários, da celebração eucarística e da atividade ministerial em seu conjunto: “Tal adesão, para além de ser expressão de maturidade, contribui para a edificação daquela unidade na comunhão que é indispensável para a obra de evangelização[9].

4 Elementos de Espiritualidade do Presbítero Diocesano


Os aspectos que caracterizam a espiritualidade do sacerdote diocesano são a fraternidade sacerdotal e a agregação ao presbitério, em obediência ao Bispo, com o qual se pede “um relacionamento franco, vivo e filial, assinalado por uma confiança sincera, por uma amizade cordial, por um verdadeiro esforço de conformidade e convergência ideal e programática no espírito duma inteligente capacidade de iniciativa e de coragem pastoral” [10].
O sacerdote não pode atuar sozinho. De fato, todo múnus sacerdotal nasce da comunhão, o que torna, portanto, imperativo, sua pertença ao presbitério, “tornando-se irmão de todos aqueles que o constituem[11]. Tal dispositivo é endereçado a todos os presbíteros, sem exceção, inclusive aos sacerdotes membros de institutos de vida consagrada ou de sociedades de vida apostólica, bem como os que se encontram a serviço de qualquer movimento ou realidade eclesial devidamente aprovada. Por sua vez, o bispo deve respeitar “o estilo de vida exigido pela agregação ao Movimento e esteja disposto, de acordo com as normas do direito, a permitir que o presbítero possa prestar o seu serviço em outras igrejas, se isto faz parte do carisma do mesmo Movimento” [12].
O Diretório para o ministério e a vida do presbítero apresenta esta comunhão sacerdotal como o lugar privilegiado para encontrar os meios específicos de santificação e evangelização e a ajuda necessária para superar as limitações e fraquezas próprias da natureza humana que hoje particularmente se deixam notar.
Somos cônscios, de modo especial os formadores de seminários – pela própria experiência e pelos anos de serviço – das dificuldades que o presbítero se defronta em relação à sociedade hodierna: rejeição em muitos ambientes, excessiva afetividade e familiaridade em outros, não poucas vezes manifestadas em um claro “assédio sexual” por parte de muitas mulheres. Acrescenta-se, ainda, os perigos dos modernos meios de comunicação social, tais como Internet, televisão, celular, anúncios publicitários, etc.
Neste contexto pouco favorável, a comunhão efetiva se apresenta como elemento potencializador da graça divina. Por isso, devem-se fazer “todos os esforços para evitar viver o sacerdócio de um modo isolado e subjetivista e para favorecer a comunhão fraterna dando e recebendo – de sacerdote a sacerdote – o calor da amizade, da assistência cordial, do acolhimento, da correção fraterna, muito consciente de que a graça da Ordem […] se concretiza nas mais variadas formas de ajuda recíproca, não só espirituais, mas também materiais” [13]. Nesse mesmo sentido, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil vislumbra a comunhão eclesial como conseqüência direta da intimidade com Cristo:

É necessário renovar continuamente as motivações da vida comunitária. Ela tem como raiz a própria natureza da vocação eclesial e presbiteral… Tem como fundamento a própria comunhão com Cristo e como experiência básica aquela assídua intimidade com Ele que faz do futuro apóstolo de hoje um discípulo semelhante aos primeiros Apóstolos… Tem como perspectiva dois aspectos essenciais da vida do presbítero: a comunhão com seu Bispo e presbitério e a convivência com o povo… [14]

Em outra ocasião a mesma conferência enfatiza o caráter gratuito da comunhão, proveniente de Deus e que, nem por isso, nega a necessidade de se propiciar por meio de instrumentos eficazes seu estabelecimento pleno: “A fraternidade presbiteral nasce do Sacramento da Ordem […]. A vida em presbitério é, sem dúvida, um dom de Deus, que merece sério cultivo por parte de todos” [15].
  

5 Vida Comum do Presbítero


Depois de dedicar o número 28 à amizade sacerdotal, “fonte de serenidade e de alegria no exercício do ministério”[16], o Diretório se ocupa em dar um aspecto utilitário às proposições, adotando-as, portanto, à práxis eclesial:

Uma manifestação desta comunhão é também a “vida comum” desde sempre apoiada pela Igreja, recentemente recomendada pelos documentos do Concílio Vaticano II e do Magistério sucessivo, positivamente aplicada em não poucas dioceses.
Entre as suas diversas formas (casa comum, comunidade de mesa, etc.) deve considerar-se como mais excelente o participar comunitariamente na oração litúrgica […].
É de desejar que os párocos estejam dispostos a apoiar a vida comum na casa paroquial com os seus coadjutores, estimulando-os efetivamente como seus colaboradores e participantes da solicitude pastoral; por seu lado os coadjutores para construir a comunhão sacerdotal devem reconhecer e respeitar a autoridade do pároco [17].

Efetivamente as possibilidades de fomento à comunhão são múltiplas, sem o risco de reproduzir modelos regulares de vida religiosa já estabelecidos no seio da Igreja. Deve-se, prioritariamente, adotar mecanismos objetivos que conduzam os presbíteros à uma experiência comunitária. É evidente que muitos dos ministros ordenados não tem sido efetivamente educados para isso, o que causa certo desconforto frente à esta dura realidade. Tal diagnóstico, contudo, pode servir como força motriz na adoção de mecanismos práticos que solucionem a questão. O cerne do problema a ser dirimido é construir uma nova concepção de padre, o que exige, evidentemente, romper com um arquétipo estabelecido há séculos. De fato, o que se espera é a substituição do modelo de sacerdote “líder” – detentor de todos os carismas em sua pessoa – ao presbítero “cabeça” de um corpo que, dentro da perspectiva teológica de São Paulo, compartilha como todo o Povo de Deus carismas e responsabilidades, deixando para si, fundamentalmente, o serviço da Palavra e da Oração.



[1][1] JOÃO PAULO II. Exortação apostólica pós-sinodal pastores dabo vobis: sobre a formação dos sacerdotes nas circunstâncias atuais. São Paulo: Loyola, 1992. p. 45.
[2] IGREJA CATÓLICA. CONGREGAÇÃO PARA O CLERO. Diretório para o ministério e a vida do presbítero. São Paulo: Loyola, 1994. p. 9, grifo nosso.
[3] Ibid., p. 17.
[4] IGREJA CATÓLICA. Presbyterorum ordinis. In: ______. Compêndio do Vaticano II: constituições; decretos; declarações. 4. ed. Petrópolis: Vozes, 1968. p. 452-455.
[5] JOÃO PAULO II. Exortação apostólica pós-sinodal pastores dabo vobis: sobre a formação dos sacerdotes nas circunstâncias atuais. São Paulo: Loyola, 1992. p. 42.
[6] IGREJA CATÓLICA. Das obrigações e direitos dos clérigos. In:______. Código de direito canônico. 2. ed. São Paulo: Loyola, 1987. p. 125.
[7] IGREJA CATÓLICA. Lumen gentium. In: ______. Compêndio do Vaticano II: constituições; decretos; declarações. 4. ed. Petrópolis: Vozes, 1968. p. 73-75.
[8] IGREJA CATÓLICA. Presbyterorum ordinis. In: ______. Compêndio do Vaticano II: constituições; decretos; declarações. 4. ed. Petrópolis: Vozes, 1968. p. 455-457.
[9] IGREJA CATÓLICA. CONGREGAÇÃO PARA O CLERO. Diretório para o ministério e a vida do presbítero. São Paulo: Loyola, 1994. p. 26-27.
[11] Ibid., p. 28.
[12] Ibid., p. 29.

[13] IGREJA CATÓLICA. CONGREGAÇÃO PARA O CLERO. Diretório para o ministério e a vida do presbítero. São Paulo: Loyola, 1994. p. 29-30.
[14] CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL. Formação dos presbíteros na Igreja do Brasil: diretrizes básicas. São Paulo: Paulinas, 1995. p. 12-13.
[15] IGREJA CATÓLICA. CONGREGAÇÃO PARA O CLERO. op. cit., p. 18.
[16] Ibid., p. 30.
[17] Ibid., p. 30-31.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Ex-arcebispo de Brasília, Dom João Braz de Aviz é eleito Cardeal pelo Papa Bento XVI


O arcebispo de Brasília de 2004 à 2010, Dom João Braz de Aviz, foi o único brasileiro e latino-americano escolhido pelo Papa Bento XVI para ser cardeal. O Papa anunciou na manhã desta sexta-feira (6/1) que criará 22 novos membros para o Colégio Cardinalício no dia 18 de fevereiro. Na lista dos escolhidos estão 16 da Europa, quatro das Américas e dois da Ásia. Os novos cardeais são de diversas partes do mundo e realizam vários ministérios a serviço da Santa Sé ou em contato direto com os fiéis.

Dom João Braz atualmente é prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica. Ele foi nomeado bispo auxiliar da Arquidiocese de Vitória do Espírito Santo por João Paulo II em 1994 e já ocupou os cargos de bispo de Ponta Grossa (PR) arcebispo de Arquidiocese de Maringá (PR).

A partir de fevereiro, Dom João passará a integrar o grupo de cardeais brasileiros que é atualmente composto por Dom Eugênio Sales, Dom Paulo Evaristo Arns, Dom José Falcão, Dom Serafim Fernandes Araújo, Dom Claudio Hummes, Dom Geraldo Majella Agnelo, Dom Eusébio Sheid, Dom Odilo Pedro Sherer e Dom Raymundo Damasceno Assis.

Antes de rezar a oração do Angelus com os fiéis, o Santo Padre explicou que "Os cardeais têm como dever ajudar o Sucessor do Apóstolo Pedro no desenvolvimento de seu Ministério de confirmar os fiéis na fé e ser princípio e fundamento da unidade e da comunhão na Igreja".

Dom João Braz de Aviz


Desde 4 de janeiro de 2011 Dom João de Aviz é o prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada. O arcebispo, que durante muito tempo esteve à frente da Arquidiocese de Brasília, foi o único brasileiro e latino-americano escolhido pelo Papa desta vez.
A partir de fevereiro, Dom João passará a integrar o grupo de cardeais brasileiros, que hoje é composto por Dom Eugênio Sales, Dom Paulo Evaristo Arns, Dom José Falcão, Dom Serafim Fernandes Araújo, Dom Claudio Hummes, Dom Geraldo Majella Agnelo, Dom Eusébio Sheid, Dom Odilo Pedro Sherer e Dom Raymundo Damasceno Assis.
Em 1994, Dom João Braz foi nomeado pelo Papa João Paulo II como bispo auxiliar da Arquidiocese de Vitória do Espírito Santo. Na ocasião ele adotou como seu lema episcopal Todos sejam um (Jo 17,21).
Posteriormente ele foi nomeado bispo de Ponta Grossa, no Paraná; depois foi arcebispo de Arquidiocese de Maringá, também no Paraná, e por fim, foi nomeado arcebispo de Brasília. Nesse cargo ele permaneceu de 2004 até o fim de 2010. Nessa ocasião foi indicado e assumiu o cargo de prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada.

Outros novos Cardeais


Além de Dom João, serão também cardeais: Dom Fernando Filoni, prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos; Dom Manuel Monteiro de Castro, Penitenciário-Mór; Dom Santos Abril y Castelló, arcipreste da Basílica Papal de Santa Maria Maior; Dom Antonio Maria Veglió, presidente do Pontifício Conselho da Pastoral para Migrantes e Itinerantes; Dom Giuseppe Bertello, presidente da Pontifícia Comissão para o Estado da Cidade do Vaticano e Presidente do Governo do mesmo Estado; Dom Francesco Coccopalmerio, presidente do Pontifício Conselho para os Textos Legislativos; Dom Edwin Frederik O'Brien, Pró-Grão Mestre da Ordem Equestre do Santo Sepulcro de Jerusalém; Dom Domenico Calcagno, presidente da Administração do Patrimônio da Sé Apostólica; Giuseppe Versaldi, presidente da Prefeitura dos Assuntos Econômicos da Santa Sé; Sua Beatitude George Alencherry, arcebispo-mór de Ernakulam Angamaly dos Sírios-malabarenses (Índia); Dom Thomas Christopher Collins, arcebispo de Toronto (Canadá); Dom Dominik Duke, arcebispo de Praga (República Checa); Dom Willem Jacobus Eijk, arcebispo de Utrecht (Países Baixos); Dom Giuseppe Betori, arcebispo de Florença (Itália); Dom Timothy Michael Dolan, arcebispo de Nova Iorque; Dom Rainer Maria Woelki, arcebispo de Berlim (República Federal da Alemanha); Dom John Tong Hon, bispo de Hong Kong (República Popular Chinesa).
O Papa também decidiu elevar à dignidade cardinalícia outros 4 eclesiásticos que se distinguiram por seu compromisso a serviço da Igreja: Sua Beatitude Lucian Muresan, Dom Muresan, Dom Julien Ries, Pe. Prosper Gregh e Pe. Karl Becker. (JSG)

Fontes:

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

O Superior geral


Caríssimos irmãos e leigos da Família pavoniana,

acolhemos o novo ano de 2012 como dom de Deus. Invocamos sobre o novo ano, para toda a humanidade, que está atravessando uma difícil crise, a bênção de Deus, como pedimos no salmo: «O Senhor se recorda de nós e nos abençoa...Abençoa aqueles que o temem, os pequenos e grandes… Abençoados sejais do Senhor, do Senhor que criou céu e terra!» (Sl 113 B).
Invocamos uma bênção especial para a nossa Congregação, para todas as nossas necessidades e, em particular, para o êxito do tema que nos propomos evidenciar: «Ano da missão educativa pavoniana». A inspiração nos vem do bicentenário do oratório fundado em Bréscia por padre Ludovico Pavoni em 1812; a escolha nos é solicitada pela importância e pela urgência hoje do tema educativo, tema que é o coração do nosso carisma.
Lemos no evangelho de Lucas: «[Jesus] desceu com eles [Maria e José] para Nazaré e lhes era obediente… E Jesus crescia em sabedoria, idade e graça diante de Deus e dos homens» (Lc 2, 51-52).

“Jesus crescia em sabedoria, idade e graça” (Lc 2, 52)

Esta anotação do evangelista Lucas, que  fotografa o crescimento de Jesus em Nazaré, representa também o ideal de crescimento para cada adolescente e cada jovem nosso. As três dimensões lembradas no evangelho sintetizam as dimensões essenciais da maturação da pessoa. (As seis dimensões às quais acenei na carta de outubro[1] podem ser resumidas nestas três).
Todo educador, a partir dos pais, deveria ter presente este ideal, cuidar para que este ideal seja acolhido e aceito pelo jovem em formação, e agir para que ele caminhe para este ideal com liberdade e responsabilidade. É o ideal de uma educação integral. E estamos convencidos de que somente a educação integral é verdadeira educação.
# O crescimento em idade compreende todas as atenções relativas à alimentação, à saúde, à educação física e ao esporte, até a maturidade psicológica e afetiva. Em geral são as atenções que prevalecem nos adultos- educadores em relação aos jovens. Digo em geral, porque também neste âmbito nem todos os aspectos são igualmente valorizados e existem muitas diferenças em nível mundial.
# O crescimento em sabedoria não se refere somente à formação intelectual, com as aquisições culturais e profissionais oferecidas pela escola e pelos vários meios de comunicação; também deste ponto de vista que, em geral, é uma outra das principais preocupações dos adultos-educadores, as disparidades em nível mundial são consistentes. O crescimento em sabedoria implica também e, sobretudo, no amadurecimento da pessoa nas virtudes humanas, na capacidade de leitura crítica e empática da realidade, na consciência moral e nas escolhas coerentes que daí derivam, na abertura e na responsabilidade e solidariedade no campo social. Trata-se de valores fundamentais para a vida da pessoa e para sua contribuição para o bem comum.
# O crescimento em graça, enfim, representa a abertura à dimensão transcendental da vida, a abertura para Deus. É a culminância da educação; é isto que dá sentido e solidez ao processo educativo. Educar à fé, abrir à amizade com o Senhor Jesus, fazer acolher a vida como vocação, iniciar à oração, à escuta e à prática da Palavra de Deus, à vida litúrgica e sacramental, à participação na vida da comunidade cristã, da Igreja: é isto que caracteriza a vida segundo o evangelho, é a tipicidade da educação cristã.  É o que a Igreja sempre propôs em dois mil anos, é o que o nosso Fundador, junto a tantos outros santos educadores, realizou e nos ensinou a realizar ao longo da história da Congregação.
Hoje também, é o ideal de uma formação integral que somos chamados a procurar realizar na nossa missão educativa.

“ … em Nazaré” (Lc 2, 51)

Nazaré é o lugar da formação de Jesus, é o lugar do seu crescimento “diante de Deus e dos homens” (Lc 2, 52). Na casa de Maria e de José, na participação na vida da aldeia da Galileia, no decorrer cotidiano do tempo: alí e assim “Jesus crescia em sabedoria, idade e graça”.
O que representa Nazaré para nós, para a nossa missão educativa de hoje?
Nazaré não é somente referência para cada família. Nazaré é também o oratório, é a casa de acolhida, é a escola, é a oficina profissional, é o centro de agregação juvenil, é o pensionato juvenil … é todo lugar onde nós encontramos e reunimos os adolescentes e jovens.
Cabe a nós recriar, nestes lugares educativos, o clima de Nazaré. É um ideal e é um desafio que, partindo do evangelho, nos são entregues como herança pelo Padre Fundador. É um ideal e é um desafio que, carregados de uma especial atualidade, nos são repropostos com insistência pelo papa Bento XVI. Como aconteceu na sua mensagem para o hodierno Dia Mundial da Paz, fundamentado justamente numa perspectiva educativa: “Educar os jovens para a justiça e para a paz”.
É uma mensagem para ser lida e meditada por inteiro. Acentuo algumas passagens dela, partindo de uma afirmação que se sintoniza bem com nossa reflexão: “Que todo ambiente educativo possa ser lugar de abertura ao transcendente e aos outros”. Antes ainda lê-se: “A educação é a aventura mais fascinante e difícil da vida… A testemunha é quem vive antes o caminho que propõe”. Pergunta-se, depois, o papa: “Quais são os lugares onde amadurece uma verdadeira educação para a paz e para a  justiça?”. E propõe um elenco organizado. Antes de tudo, a família, pois os pais são os primeiros educadores … Aos pais quero dizer que não desanimem!
Desejo dirigir-me também aos responsáveis pelas instituições que têm tarefas educativas … Cuidem para que cada jovem possa descobrir a própria vocação, acompanhando-o para fazer frutificar os dons que Deus lhe deu … Além disso, não posso deixar de apelar ao mundo da mídia para que dê sua contribuição educativa …a ligação entre educação e comunicação é estreitíssima: a educação , de fato, vem por meio da comunicação que influencia, positiva ou negativamente, sobre a formação da pessoa”. E enfim: “A educação diz respeito à formação integral da pessoa, incluída a dimensão moral e espiritual do ser, em vista do seu fim último e do bem da sociedade da qual é membro”.
Estas indicações do Papa estão bem de acordo com o nosso projeto educativo pavoniano, que nos oferece também indicações metodológicas sobre como propô-las e consegui-las.
Em cada lugar educativo nosso, ajudemos os adolescentes e jovens a crescer, como Jesus em Nazaré “em  sabedoria, idade egraça ”.

A agenda das próximas semanas

De 9 a 11, em Tradate,  haverá a reunião do Conselho geral; entre os pontos da ordem do dia está o exame e a aprovação das Programações provinciais.
Quarta-feira, dia 25, em Bréscia, reunir-se-ão os superiores e vice-superiores das comunidades da Itália.
Domingo, dia 29, será celebrada, na Itália, a segunda “Jornada da Missão Pavoniana”, com o tema: “Depositamos nos jovens as nossas melhores esperanças”. No mesmo dia, no Pio Instituto Pavoni de Bréscia haverá uma comemoração do pe. Luigi Desio, apóstolo dos surdos.
No Brasil, sábado, 28, na nossa igreja paroquial de s. Sebastião, no Gama, o arcebispo de Brasília, Dom Sérgio da Rocha, conferirá a ordenação sacerdotal ao diácono Célio Alex Araújo Pereira e ordenará diáconos os irmãos José Roberto Oliveira Filho, César Thiago do Carmo Alves e Thiago Cristino. Nos unimos às alegrias da Província brasileira por este momento extraordinário de graça, que infunde esperança para o futuro da nossa presença. Rezemos para que estes nossos irmãos correspondam plenamente ao ministério que receberão.
E recordemos na oração também ir. Didier Arthur Kaba Mubesi que, na igreja paroquial de s. Barnabé, em Roma, emitirá, no dia 2 de fevereiro a profissão perpétua e domingo, dia 5, receberá a ordenação diaconal das mãos de mons. Salvatore Fisichella, presidente do Pontifício Conselho para a Nova Evangelização.

            Os votos que formulamos no início do ano civil, sob o olhar de Maria, Mãe de Deus, não podem deixar de se relacionar com o cumprimento da nossa vocação. Que Deus nos ajude a tender para a santidade e fazer da nossa vida aquele dom que ele espera de cada um de nós. E para toda a Família pavoniana compartilho os votos que me enviou pe. Gabriele Ferlisi, superior geral dos Agostinianos Descalços e colaborador da Editora Âncora: «Desejo especialmente que “O ano da missão educativa pavoniana” (da tua circular de dezembro, lida no vosso site) dê os frutos desejados. Isto também é contribuição à nova evangelização!».
Para 2012, envio  a todos votos fraternos no Senhor, em companhia do  beato Padre Fundador.

                                                                                                                 pe. Lorenzo Agosti
Tradate, 1° de janeiro de 2012, solenidade de Maria SS. Mãe de Deus, Dia Mundial da Paz.
  


[1] Física,intelectiva, psicoafetiva,social,moral e religiosa

Oração Vocacional Pavoniana

Oração Vocacional Pavoniana
Divino Mestre Jesus, ao anunciar o Reino do Pai escolheste discípulos e missionários dispostos a seguir-te em tudo; quiseste que ficassem contigo numa prolongada vivência do “espírito de família” a fim de prepará-los para serem tuas testemunhas e enviá-los a proclamar o Evangelho. Continua a falar ao coração de muitos e concede a quantos aceitaram teu chamado que, animados pelo teu Espírito, respondam com alegria e ofereçam sem reservas a própria vida em favor das crianças, dos surdos e dos jovens mais necessitados, a exemplo do beato Pe. Pavoni. Isto te pedimos confiantes pela intercessão de Maria Imaculada, Mãe e Rainha da nossa Congregação. Amém!

SERVIÇO DE ANIMAÇÃO VOCACIONAL - FMI - "Vem e Segue-Me" é Jesus que chama!

  • Aspirantado "Nossa Senhora do Bom Conselho": Rua Pe. Pavoni, 294 - Bairro Rosário . CEP 38701-002 Patos de Minas / MG . Tel.: (34) 3822.3890. Orientador dos Aspirantes – Pe. Célio Alex, FMI - Colaborador: Ir. Quelion Rosa, FMI.
  • Aspirantado "Pe. Antônio Federici": Q 21, Casas 71/73 . Setor Leste. CEP 72460-210 - Gama / DF . Telefax: (61) 3385.6786. Orientador dos Aspirantes - Ir. José Roberto, FMI.
  • Comunidade Religiosa "Nossa Senhora do Bom Conselho": SGAN Av. W5 909, Módulo "B" - Asa Norte. CEP 70790-090 - Brasília/DF. Tel.: (61) 3349.9944. Pastoral Vocacional: Ir. Thiago Cristino, FMI.
  • Comunidade Religiosa da Basílica de Santo Antônio: Av. Santo Antônio, 2.030 - Bairro Santo Antônio. CEP 29025-000 - Vitória/ES. Tel.: (27) 3223.3083 (Comunidade Religiosa Pavoniana) / (27) 3223.2160 / 3322.0703 (Basílica de Santo Antônio) . Reitor da Basílica: Pe. Roberto Camillato, FMI.
  • Comunidade Religiosa da Paróquia São Sebastião: Área Especial 02, praça 02 - Setor Leste. CEP 72460-000 - Gama/DF. Tel.: (61) 34841500 . Fax: (61) 3037.6678. Pároco: Pe. Natal Battezzi, FMI. Pastoral Vocacional: Pe. José Santos Xavier, FMI.
  • Juniorado "Ir. Miguel Pagani": Rua Dias Toledo, 99 - Bairro Vila Paris. CEP 30380-670 - Belo Horizonte / MG. Tel.: (31) 3296.2648. Orientador dos Junioristas - Pe. Claudinei Ramos Pereira, FMI. ***EPAV - Equipe Provincial de Animação Vocacional - Contatos: Ir. Antônio Carlos, Pe. Célio Alex e Pe. Claudinei Pereira, p/ e-mail: vocacional@pavonianos.org.br
  • Noviciado "Maria Imaculada": Rua Bento Gonçalves, 1375 - Bairro Centro. CEP 93001-970 - São Leopoldo / RS . Caixa Postal: 172. Tel.: (51) 3037.1087. Mestre de Noviços - Pe. Renzo Flório, FMI. Pastoral Vocacional: Ir. Johnson Farias e Ir. Bruno, FMI.
  • Seminário "Bom Pastor" (Aspirantado e Postulantado): Rua Monsenhor José Paulino, 371 - Bairro Centro. CEP 37550-000 - Pouso Alegre / MG . Caixa Postal: 217. Tel: (35) 3425.1196 . Orientador do Seminário - Ir. César Thiago do Carmo Alves, FMI.

Associação das Obras Pavonianas de Assistência: servindo as crianças, os surdos e os jovens!

  • Centro Comunitário "Ludovico Pavoni": Rua Barão de Castro Lima, 478 - Bairro: Real Parque - Morumbi. CEP 05685-040. Tel.: (11) 3758.4112 / 3758.9060.
  • Centro de Apoio e Integração dos Surdos (CAIS) - Rua Pe. Pavoni, 294 - Bairro Rosário . CEP 38701-002 Patos de Minas / MG . Tel.: (34) 3822.3890. Coordenador: Luís Vicente Caixeta
  • Centro de Formação Profissional: Av. Santo Antônio, 1746. CEP 29025-000 - Vitória/ES. Tel.: (27) 3233.9170. Telefax: (27) 3322.5174. Coordenadora: Sra. Rosilene, Leiga Associada da Família Pavoniana
  • Centro Educacional da Audição e Linguagem Ludovico Pavoni (CEAL-LP) SGAN Av. W5 909, Módulo "B" - Asa Norte. CEP 70790-090 - Brasília/DF. Tel.: (61) 3349.9944 . Diretor: Pe. José Rinaldi, FMI
  • Centro Medianeira: Rua Florêncio Câmara, 409 - Centro. CEP 93010-220 - São Leopoldo/RS. Caixa Postal: 172. Tel.: (51) 3037.2797 / 3589.6874. Diretor: Pe. Renzo Flório, FMI
  • Colégio São José: Praça Dom Otávio, 270 - Centro. CEP 37550-000 - Pouso Alegre/MG - Caixa Postal: 149. Tel.: (35) 3423.5588 / 3423.8603 / 34238562. Fax: (35) 3422.1054. Cursinho Positivo: (35) 3423. 5229. Diretor: Prof. Giovani, Leigo Associado da Família Pavoniana
  • Escola Gráfica Profissional "Delfim Moreira" Rua Monsenhor José Paulino, 371 - Bairro Centro. CEP 37550-000 - Pouso Alegre / MG . Caixa Postal: 217. Tel: (35) 3425.1196 . Diretor: Pe. Nelson Ned de Paula e Silva, FMI.
  • Obra Social "Ludovico Pavoni" - Quadra 21, Lotes 71/72 - Gama Leste/DF. CEP 72460-210. Tel.: (61) 3385.6786. Coordenador: Sra. Sueli
  • Obra Social "Ludovico Pavoni": Rua Monsenhor Umbelino, 424 - Centro. CEP 37110-000 - Elói Mendes/MG. Telefax: (35) 3264.1256 . Coordenadora: Sra. Andréia Mendes, Leiga Associada da Família Pavoniana.
  • Obra Social “Padre Agnaldo” e Pólo Educativo “Pe. Pavoni”: Rua Dias Toledo, 99 - Vila Paris. CEP 30380-670 – Belo Horizonte/MG. Tels.: (31) 3344.1800 - 3297.4962 - 0800.7270487 - Fax: (31) 3344.2373. Diretor: Pe. André Callegari, FMI.

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Quem sou eu?

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Bréscia, Italy
Sou fundador da Congregação Religiosa dos Filhos de Maria Imaculada, conhecida popularmente como RELIGIOSOS PAVONIANOS. Nasci na Itália no dia 11 de setembro de 1784 numa cidade chamada Bréscia. Senti o chamado de Deus para ir ao encontro das crianças e jovens que, por ocasião da guerra, ficaram órfãos, espalhados pelas ruas com fome, frio e sem ter o que fazer... e o pior, sem nenhuma perspectiva de futuro. Então decidi ajudá-los. Chamei-os para o meu Oratório (um lugar onde nos reuníamos para rezar e brincar) e depois ensinei-os a arte da marcenaria, serralheria, tipografia (fabricar livros), escultura, pintura... e muitas outras coisas. Graças a Deus tudo se encaminhou bem, pois Ele caminhava comigo, conforme prometera. Depois chamei colaboradores para dar continuidade àquilo que havia iniciado. Bem, como você pode perceber a minha história é bem longa... Se você também quer me ajudar entre em contato. Os meus amigos PAVONIANOS estarão de portas abertas para recebê-lo em nossa FAMÍLIA.