sexta-feira, 12 de agosto de 2011

História pavoniana - Antônio Renoldi, educador surdo.



Ex- aluno do Instituto
Ludovico Pavoni para surdos
na cidade de Bréscia, Itália.
Autores: Paolo Girardi e Gabriella Bergomi 
- Código: 003PS/2002 
Tradução do italiano para português:
Ir. Rino Questa e Ir. Thiago Cristino, FMI

Na "Casa do Surdo que fala", na sede da ENS (Entidade Nacional dos Surdos) de Bréscia, à Rua Castellini, na "Sala de Conferências" dedicada ao Cavalheiro[1] Abrami, há uma grande pintura que representa o beato Ludovico Pavoni, surpreendido em êxtase por um menino, que levanta os olhos para o padre como quem quer pedir-lhe algo e uma mão num gesto que pede atenção. Mas quem era aquele menino? No dia 28 de novembro de 2002, a ENS de Bréscia comemorou o centenário da morte de Antonio Renoldi, o menino retratado com o beato Pavoni. 



Foi Pe. Pavoni quem acolheu o pequeno Renoldi em sua escola, aberta para os pequenos surdos pobres e necessitados de educação. Renoldi, nascido em 31 de janeiro de 1830 era órfão de pai, sua mãe era costureira e o confiou ao Instituto de Bréscia, fundado por Pe. Pinzoni, posteriormente assumido pelos pavonianos e transformado no Instituto Pavoni, a fim de receber uma Educação integral com os princípios do Método Pavoniano.

Antônio era um menino vivaz e dinâmico e o Pavoni o acompanhou pessoalmente. Foi mediante a tanta confiança e intimidade, que um dia Antônio surpreendeu o padre em êxtase diante da imagem da Imaculada[2] cujo acontecimento foi retratado em um quadro. Depois da conclusão do ciclo de estudos, Antônio tornou-se “irmão pavoniano”, realizando as atividades no Instituto como assistente dos novos alunos surdos.
Mas depois de quatro anos, ele percebeu que este não era o seu caminho e não queria viver como um religioso.

Ele deixou a Congregação, mas continuou a participar do Instituto, onde mais tarde se tornou vice-mestre, e depois um professor, e nessa função foi contratado pelo Instituto e acompanhado por um assistente ouvinte para ensinar aos alunos surdos de forma mais adequada. Ele, no seu papel de professor, utilizava tanto os gestos como linguagem falada, leitura labial e língua escrita. A ele foi-lhe confiada a gerência da Sociedade de Surdos de Bréscia, e todos os domingos ele ensinava catecismo para os adultos surdos. Renoldi era uma pessoa de boa cultura, dele encontraram documentos e numerosas cartas. Numa dessas cartas, Renoldi escreve que se viu em apuros quando encontrou-se no tribunal sem um intérprete, e não podia entender as contestações.

O surdo Antônio Renoldi, encontra
o Beato Ludovico Pavoni em êxtase
diante da imagem de Maria Imaculada.
Significativa é uma frase que ele escreveu “... a lei exige um intérprete...”, demonstrando que, desde aquele tempo, os surdos tinham o direito de ser assistidos pelo intérprete no tribunal. Depois de se tornar um professor, se casou com uma surda, Paulina Fenotti, que lhe deu oito filhos, um do sexo masculino e sete do sexo feminino, mas dois, incluindo um menino, morreram com tenra idade, e também sua esposa, em 1871, deixando-o com seis filhas que foram educadas com dificuldade, também pelo fato de que seus métodos e a sua atitude intolerante com rígidas regras de seu tempo – especialmente quando ele defendia os meninos surdos –atraíram-lhe as antipatias de seus superiores, acentuada após Congresso em Milão em 1880, que aboliu o uso de sinais no ensino de surdos, e esse novo método era contrário ao instinto de Renoldi que, por ser surdo, o usava livremente.


Em 1887 foi-lhe tirado o assistente ouvinte que o acompanhava e, em 1894, depois de muita pressão para convencê-lo a deixar o ensino, foi-lhe comunicada a dispensa do trabalho e, “...em consideração de seus serviços prestados com tanto carinho por mais de 47 anos e dada a idade avançada...”, já aos 64 anos, concedeu-lhe uma pensão vitalícia. Diferentemente dos tempos atuais, o valor da pensão era baixo e insuficiente para viver. No ano seguinte, casou-se novamente, desta vez com uma mulher ouvinte, Julia Masini, e continuou a ensinar o catecismo para ensinar surdos e a ensinar gratuitamente, na sua casa, as pessoas surdas com dificuldade e que não eram aceitos no Instituto Pavoni. Na primavera de 1908, quando começou o processo de beatificação de Ludovico Pavoni, Renoldi foi citado como testemunha ocular, pois quando criança tinha visto Pe. Pavoni em êxtase diante da Imaculada, mas quando ele foi chamado ao Vaticano, 28 de novembro daquele ano, estava acamado e moribundo; morreu de hemorragia cerebral naquele mesmo dia. Às Atas da beatificação do Pavoni, foi preservada uma carta que Renoldi escreveu no dia 21 de janeiro de 1908 ao Padre Rolandi “... Agradeço pela bonita carta a respeito do meu querido Pe. Pavoni, que para mim era de fato um pai amoroso, e que está impresso em meu coração e por isso não posso esquecer-me dele”.

As fotos são reproduzidas na seção de revistas da ENS de Bréscia "The Voice of Sordoparlante" em 2002. - PS003 (2002).





[1] Título onorífico.
[2] Obra de Abbondio Sangiorgio e doada ao Pe. Pavoni por Antônio Valotti.

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Oração Vocacional Pavoniana

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