sábado, 17 de setembro de 2011

Leitura Orante Pavoniana - A Interculturalidade


QUANDO O ESPÍRITO DE DEUS SOPROU

Leitura dos Atos dos Apóstolos (At 2,1-12)
Quando chegou o dia de Pentecostes, todos eles estavam reunidos no mesmo lugar. De repente veio do céu um barulho, como o sopro de um forte vendaval, e encheu a asa onde eles se encontravam. Apareceram então umas como línguas de fogo, que se espalharam e foram pousar sobre cada um deles. Todos ficaram repletos do Espírito Santo, e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que falassem. Acontece que em Jerusalém moravam judeus devotos de todas as nações do mundo. Quando ouviram o barulho, todos se reuniram e ficaram confusos, pois cada u ouvia, na sua própria língua, os discípulos falarem. Espantados e surpresos, diziam:Esses homens que estão falando, não são todos galileus? Como é que cada um de nós os ouve em sua própria língua materna? Entre nós há Partos, Medos, Elamitas, gente da Mesopotâmia, da Judéia, da Capadócia, do Ponto e da Ásia, da Frigia e da Panfília, do Egito e da região da Líbia vizinha de Cirene; alguns de nós vieram de Roma, outros são judeus ou pagãos convertidos; também há cretenses e árabes. E cada um de nós em sua própria língua os ouve anunciar as maravilhas de Deus! Todos estavam admirados e perplexos, cada um perguntava a outro: O que quer dizer isso? Outros caçoavam e diziam: Eles estão embriagados com vinho doce.

1. Um novo Pentecostes. É dia de Pentecostes. Pentecostes é uma palavra grega. Significa 50.É o quinquagésimo dia depois da Páscoa. A festa de Pentecostes era muito popular. Era uma das três festas em que o povo fazia romaria a Jerusalém (cf. Ex 23,14-17; Dt 16,16). Celebrava o início da colheita. Celebrava também a conclusão da aliança ao pé do Monte Sinai.  Naquele dia todos os 120 discípulos e discípulas estavam reunidos e reunidas na mesma sala rezando com Maria, a mãe de Jesus (cf. At 1, 14-15). De repente, o ruído de um vendaval enche a casa, línguas de fogo descem e se repartem sobre cada um e cada uma dos presentes.  Todos ficam cheios do Espírito e começam a falar em diferentes línguas conforme o Espírito lhes concede falar.

2. Sinais visíveis da ação do Espírito.  Neste texto, são três os símbolos da ação do Espírito: vento, língua e fogo. Todo ser humano tem experiência concreta do que vem a ser vento, língua e fogo. Assim, cada qual, a partir de sua própria experiência, consegue avaliar o efeito que o Espírito quer realizar em sua vida.  Além disso, para quem conhece a história do Antigo Testamento, o vento que encheu toda a casa evoca a ventania que secou o Mar Vermelho e permitiu ao povo fazer a travessia e iniciar o Êxodo (cf. Ex 14,21). Lembra ainda a nuvem que encheu todo o interior do Templo (cf. 1Rs 8,10-11). As línguas evocam a pluralidade que foi capaz de romper com o projeto de dominação simbolizado na Torre de Babel (cf. Gn 11,9). O fogo evoca a manifestação de Deus na conclusão da Aliança e no nascimento do Povo de Deus no Monte Sinai (cf. Ex 19,16-19). No dia de Pentecostes estava nascendo o Novo Povo de Deus,iniciando um Novo Êxodo, uma nova Aliança.

3. As reações diante dos sinais do Espírito.  Jerusalém estava cheia de peregrinos por causa da festa de Pentecostes. O autor de Atos dos Apóstolos diz que eram pessoas tementes a Deus vindas dos quatro cantos do mundo. Na descrição, todas as nações estão representadas. Atraídos pelo ruído do vento, os peregrinos acorrem e dizem: “Não são galileus todos estes que estão falando?” Neste contexto, galileus são pessoas do interior, sem muita instrução (cf. At. 4,13). Como é que cada um e cada uma os ouve falar em sua própria língua, anunciando as maravilhas de Deus? Todos ficam estupefatos, atônitos, admirados, diante das coisas que o Espírito está realizando... Eles querem saber o significado: o que quer dizer tudo isso? Outros, porém, tentam defender-se diante de um possível apelo de Deus e dizem:é bebedeira!

4.Vida no Espírito.  A experiência de vida no Espírito era a característica principal das primeiras comunidades cristãs. Era uma total novidade que reconfigurou toda a vivência da fé. Foi como um novo começo, uma nova criação (cf. Gl 6,15; 2 Cor 5,17), um novo nascimento (cf. Jo 3,3-7), uma verdadeira ressurreição (cf. Rm 6,4; Fil 3,10). Nesse novo modo de vida segundo o Espírito, cada um e cada uma sente e vive a presença de Deus a partir de sua própria condição cultural, social, econômica, corporal, de gênero, étnica... Na comunidade cristã banhada pelo fogo do Espírito, todos – homens e mulheres, gregos e judeus, escravos e livres (cf. Gl 3,28) – todos são um em Cristo sem que ninguém tenha que negar a sua própria condição. O Pentecostes é o milagre de escutar cada um e cada uma em seu próprio idioma materno e, nessa fala própria e primordial, perceber e sentir a presença viva de Deus.

5. Uma comunidade animada pelo Espírito de Jesus.   A partir de Pentecostes, é o Espírito de Jesus que vai animar a vida e a história das comunidades. Foi o Espírito que transformou os discípulos. Antes eram medrosos (cf. Jo 20,19). Agora abrem as portas e enfrentam a multidão (cf. At 2,14). Antes viviam conformados com a decisão do governo que matou Jesus (cf. Lc 24,20), agora dizem: “devemos obedecer mais a Deus que aos homens” (cf. At 5,29). Antes Pedro tinha negado Jesus diante de uma mulher (cf. Lc 22,56). Agora, dá testemunho corajoso diante de uma multidão (cf. At 2,32).

6. Consolação e alegria em meio às dificuldades.   O Espírito está presente na comunidade e traz alegria e consolação em meio às dificuldades (cf. At 9,31; 13,52). Ele orienta nos momentos em que uma mudança se faz necessária. No momento da entrada dos gentios na comunidade (cf. At 11,15; 10,44-45.47; 15,8), na hora de tomar a iniciativa da missão e de enviar os missionários aos povos de outras culturas (cf. At 13,2.4), na hora da perseguição diante dos tribunais (cf. At 4,31;Mc 13,11).

7. O Espírito está naqueles que coordenam as comunidades.   O Espírito está presente também naqueles e naquelas que têm a responsabilidade de “apascentar a Igreja de Deus que ele adquiriu para si com seu próprio sangue” (At 20,28); nos apóstolos (cf. At 5,32; 15,28); nos diáconos (cf. At 6,3). Por exemplo, em Pedro, quando, cheio de coragem, enfrenta as autoridades (cf. At 4,8); quando toma a decisão de batizar os primeiros gentios (cf. At 10, 19; 11,12) e de não lhes impor a Lei de Moisés (cf. At 15,8). Anima a Paulo quando este enfrenta o Mago Elimas (cf. At 13,9), quando se levanta para anunciar a Boa Nova (cf. At 13,9), ou quando volta para Jerusalém, depois da última viagem, onde será preso (cf. At 20,22-23).

8. O Espírito presente em toda a comunidade.   A presença do Espírito de Deus não conhece limites. No Pentecostes cumpre-se o que fora dito pelo profeta Joel: “Acontecerá nos últimos dias, diz Deus, que eu derramarei meu Espírito sobre toda carne, vossos filhos e vossas filhas serão profetas, vossos jovens terão visões, vossos anciãos terão sonhos; sim, sobre meus servos e minhas servas, naqueles dias, eu derramarei meu Espírito e eles serão profetas” (At 2,16-18; cf. Nm 11,29). Toda a comunidade é animada pelo Espírito. E mais: a presença do Espírito faz com que se ampliem as fronteiras da comunidade incluindo aqueles e aquelas eram vistos como exteriores à comunidade. Os samaritanos, eternos rivais dos judeus e excluídos da comunidade do Povo de Israel, também são banhados pelo Espírito e admitidos ao Novo Povo de Deus (cf. At 8,15-17).  Também os pagãos recebem a plenitude do Espírito e, na sua força, anunciam a Palavra que se faz caminho e gera uma Comunidade Ecumênica (cf. At. 10,44-48;11,15-16.24.28).

9. O Espírito enche a vastidão da terra.  O Espírito não está só na Igreja. Age também fora dela. Ele enche a vastidão da terra (cf. Sb 8,1; Sl 104,29). Na Sabedoria de Deus, o Espírito está presente em todas as realidades: “Há nela, com efeito, um espírito inteligente, santo, único, múltiplo, sutil, móvel, penetrante, puro, lúcido, invulnerável, amigo do bem, firme, seguro, sereno, benfazejo, amigo dos homens, que pode tudo, que cuida de tudo, que penetra em todos os espíritos, os inteligentes, os puros, os mais sutis. Mais ágil que todo o movimento é a Sabedoria, ela atravessa e penetra tudo, graças à sua pureza” (Sb 7,22-24). O Espírito é como o vento: você não sabe nem de onde vem nem para onde vai (cf. Jo 3,8). Assim como a humanidade e a Igreja são recriadas pelo Espírito de Deus, “a criação inteira geme ainda agora nas dores de parto” esperando a sua libertação (cf. Rm 8,22-23).
10. Não resistir ao Espírito.   Um dos maiores pecados é resistir ao Espírito (cf. At 7,51), tentá-lo (cf. At 5,9), mentir contra ele (cf. At 5,3), querer comprá-lo (cf. At 8,19). O Espírito não se compra nem sem vende (cf. At 8,20), mas se acolhe através da oração (cf. Lc 11,13). Ele se comunica de muitas maneiras: pela imposição das mãos (cf. At 8,17.18;19,6), pela conversão e batismo (cf. At 2,38), pela oração (cf. At 8,15). Loucura é querer resistir à Sabedoria do Espírito (cf. 2Tm 3,8-9).

 Colaboração: Pe. Gabriel Crisciotti, 
Províncial dos Pavonianos no Brasil

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Oração Vocacional Pavoniana

Oração Vocacional Pavoniana
Divino Mestre Jesus, ao anunciar o Reino do Pai escolheste discípulos e missionários dispostos a seguir-te em tudo; quiseste que ficassem contigo numa prolongada vivência do “espírito de família” a fim de prepará-los para serem tuas testemunhas e enviá-los a proclamar o Evangelho. Continua a falar ao coração de muitos e concede a quantos aceitaram teu chamado que, animados pelo teu Espírito, respondam com alegria e ofereçam sem reservas a própria vida em favor das crianças, dos surdos e dos jovens mais necessitados, a exemplo do beato Pe. Pavoni. Isto te pedimos confiantes pela intercessão de Maria Imaculada, Mãe e Rainha da nossa Congregação. Amém!

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